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“A escola tem jeito! Inclusive na área da alfabetização” – artigo da palestrante Sandra Bozza


Escrevo hoje para comemorar!
14 de novembro – Dia Nacional da Alfabetização

Divulgar boas novas deveria ser a função daqueles que, como eu, optaram por parar de reclamar, de acusar e de apenas propalar o fracasso da escola! Chega de incorporar os profetas do Apocalipse Educacional! Vamos reunir energias, estratégias e ações para promover uma rede de informações sobre atitudes que deram certo, experiências bem sucedidas e projetos que resultaram em avanço.

É o que venho constatando no último quinquênio: a escola tem jeito, principalmente no que se refere ao processo de aquisição da escrita. Se tivemos, no Brasil dos anos 80, um grande movimento logo após a divulgação das pesquisas de Emília Ferreiro e a equivocada leitura de que aquilo era um método de se alfabetizar, hoje temos uma busca incessante para superação desse desvio epistemológico.

O construtivismo, confundido com o espontaneísmo, foi, praticamente, imposto aos professores brasileiros como a saída metodológica para a alfabetização, gerando imenso desconforto para alguns e um péssimo resultado de modo geral, e acabou consolidando a cisão entre aqueles que defendiam o treino do código escrito e os que acreditavam que o importante era trabalhar apenas com o significado.

Como consequência dessa concepção de ensino não mais calcada em conteúdos gramaticais fechados, na qual se defendia que o conteúdo da língua era a própria língua, e na dilatação do prazo para a apropriação da língua escrita, vieram os ciclos de aprendizagem, cujo pressuposto trazia em seu bojo outra forma de avaliação. Não precisamos comentar os resultados catastróficos advindos dessas não compreendidas propostas.

Felizmente, ao longo dessas três décadas, foram produzidos conhecimentos teóricos e práticos que podem subsidiar os interessados nos verdadeiros princípios linguísticos e psicológicos que sustentam o ensino da escrita na perspectiva sócio-histórica e podemos retomar o conceito da envergadura da vara, como quer Saviani, para constatar que nem só o ensino do código nem apenas a ênfase dada ao significado permitirá ao aluno aprender, de fato, a ler e a escrever.

E é exatamente este aspecto que mais me impulsiona a escrever nesse momento. É preciso comemorar o fato de muitos professores compreenderem a necessidade de se trabalhar simultaneamente essas duas instâncias inseparáveis da linguagem: o código e o significado. E, como resultado desse entendimento, não encontraram outro caminho que não fosse trabalhar em sala de aula com textos significativos e colocar seus alunos lendo e escrevendo para interagir com o mundo.

Instituições particulares, mantenedoras de redes públicas de ensino, escolas, gestores, coordenadores e professores se unem e formam um corpo ativo de atores que não se contentam em tentar novos caminhos para ensinar. Todos desejam acertar para avançar e muitos não têm medido esforços para para alcançar tal êxito.

Por isso, é merecedor de congratulações todo processo de alfabetização que insere a criança no universo letrado e o professor num movimento de reflexão e busca de conhecimentos.

Sandra BozzaSandra Bozza é autora do livro “Ensinar a ler e a escrever: Uma possibilidade de inclusão social” pela Editora Melo. Saiba mais.

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