Se eu fosse você… O que esperar de um mundo mais veloz que a luz? + Audiolivro


Celso Antunes

A experiência era simples e visava aferir alguns comportamentos e instintos entre chimpanzés. Cinco deles foram colocados em uma sala e no centro da mesma encontrava-se uma escada que dava acesso a uma penca de bananas, presa ao forro. Quando um dos chimpanzés pisava em um dos últimos degraus da escada, um jato de água gelada se despejava sobre os animais que estavam no chão. Após algum tempo, sempre quando um deles tentava subir a escada, era surrado pelos demais. Após alguns dias chimpanzé algum tomava a iniciativa de apanhar a penca de bananas.

Tempos depois, um dos animais foi substituído por um novo e este imediatamente tratou de subir a escada, sendo impedido aos socos pelos outros. Em pouco tempo, este também não mais ousava subir a escada. Depois, mais um dos chimpanzés foi substituído e a cena se repetiu, inclusive com o novato surrando também. Progressivamente os demais animais foram sendo trocados até a sala abrigar um grupo de cinco animais, que jamais haviam vivido a amargura do jato frio da água, mas que batiam em quem tentava subir a escada. Qual a razão?

Nenhuma significativa, nada além que a praga da rotina. Tudo bem. O caso científico se refere a chimpanzés, mas o que tem isso com professores e sala de aula? Qual a relação entre esse caso e este novo livro lançado pela Editora Melo? O que ocorreu e ocorrerá com animais não é diferente do que, se não nos cuidarmos, acontecerá também conosco. A dinâmica da sala dos professores e da sala de aula, como não poderia deixar de ser, é cheia de rotinas, repleta de ações mecânicas que se cumpre sem nem mesmo saber por que se cumpre. Nada contra as rotinas desde que se reflita sobre sua razão e a essência do ato.

Será que se faz da aula uma efetiva ferramenta de desafios e transformações, ou será que se dá aula como sempre se deu? Será que os conteúdos que se passam possuem vida e assim se inserem nas relações e no entorno dos alunos, ou será que se cumpre o monótono ritual de se repetir os textos didáticos? Será que os problemas disciplinares são vistos à luz das circunstâncias do momento e do aluno, ou se seguem rotinas sem nem mesmo se imaginar que existam razões para segui-la? Não parece ser necessário prosseguir, os exemplos são muitos e percorrem da caixinha de giz coloridos que jamais se usa, até as anotações no diário de classe que se espera que ninguém leia.

Conclui-se este prefácio com o título deste livro. O que esperar de um mundo que muda mais veloz que a luz?

O amanhã somente poderá simbolizar a efetiva certeza de que é uma conquista do agora quando aprendermos com a experiência relatada que estamos muito além de nossos irmãos chimpanzés e assim não se foge da rotina se é a mesma essencial, mas não se pode virar às costas para o que é novo e pelo que é ousado.

Acreditamos que é importante vencer rotinas e superar desafios como os propostos pelas idéias do livro e para que estes não se ilustrem apenas com suas páginas, a Editora Melo ousou publicá-lo na versão tradicional e também em áudiolivro. Acreditamos em um mundo que muda mais veloz que a luz e por isso ousamos.

Se eu fosse você, ousaria também.

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