Ajudar os alunos a fazer auto regulação da sua aprendizagem: por quê? como?


Charles Hadji

Partindo da necessidade de inventar uma prática pedagógica coerente com o construtivismo.

O objetivo de qualquer professor é, ou deve ser, fazer com que os seus alunos aprendam. Para isto, são exigidas várias competências. Entre outras coisas, o ensino demanda um domínio mínimo da(s) disciplina(s) ensinada(s). É necessário também que se tenha algum conhecimento das características psicológicas ou psicossociológicas dos alunos. Enfim, e sobretudo, o professor deverá ter ideia do modo  pelo qual um aluno consegue efetuar a sua aprendizagem. Como salientou com presteza Olivier Reboul (Reboul, 1984, p. 62), “ensinar, não é inculcar nem transmitir, é fazer aprender”, e ninguém pode aprender pelo aluno. Os verbos “inculcar” e “transmitir” têm a dupla desvantagem de dar a entender uma visão redutora do papel do professor, fazendo dele aquele que se limitaria a modelar o aluno ou aquele que passa (ou coloca nas mãos do aluno) um objeto externo, neste caso o saber. Essa visão também subestima a atividade específica daquele que aprende, reduzindo-o a um sujeito, de certo modo, passivo. Então, o que o “mestre” pode fazer, na melhor das hipóteses, é criar as condições que facilitarão a atividade específica da aprendizagem dos alunos. Neste sentido, afirmamos que se o educador pode ser considerado como um arquiteto, a sua ação não estaria diretamente voltada para o aluno, e sim para o espaço no qual o aluno se constrói e aprende (Hadji, 1995, p. 140).

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