Educação emocional: perspectivas para uma prática pedagógica


Educação Emocional

Nilbo Nogueira

Embora o termo “Educação Emocional” não seja totalmente desconhecido entre os pais e menos ainda entre os professores, essa ainda é uma temática tratada com insegurança e certo receio, já que para muitos ele é um “assunto para psicólogos”.

Na visão de alguns pais e educadores, a Educação Emocional pode não ser algo preeminente, pois já escutei várias vezes a afirmação:

“Para que isso? Quando era criança não existia isso e não me fez falta; prova disso é que sou uma pessoa normal hoje .”

Nesse sentido traço um paralelo, logo no início do livro, sobre como foi nossa infância, o que fazíamos, do que gostávamos, como nos divertíamos, qual era o contexto social que presenciávamos, etc. com o que hoje acontece com nossos filhos e alunos, que vivem em um mundo altamente tecnológico, que utilizam recursos de comunicação velozes (Internet, Chat, MSN, Orkut, etc.), que estabelecem diferentes formas e espaços de relacionamentos, que presenciam a violência urbana e estão acostumados a viver em uma sociedade frenética.

Com isso, espero demonstrar que aquilo que pode não ter feito falta para nós (educação emocional) no passado, é algo necessário nos dias atuais, face às mudanças sociais, culturais, econômicas e tecnológicas das quais vivenciam nossos filhos e alunos.

Com esse paralelo traçado, abro meu questionamento para a função da escola, que considero não ser apenas a de auxiliar no desenvolvimento intelectual dos alunos, ministrando e “cobrando” conteúdos acadêmicos, mas também preparando-os para enfrentar os problemas emocionais, que certamente surgirão em todos os momentos da vida.

Essa preparação mais holística e integral, nos aspectos da alfabetização e educação emocional é que apresento e trato nesse livro, me preocupando inicialmente em demonstrar quais são os domínios necessários que primeiramente devemos desenvolver para posteriormente educar nossos filhos e alunos, de tal forma a assumirmos o papel e a postura de um preparador emocional.

Para que o livro não fique apenas no campo conceitual, mas que também abra portas e perspectivas para uma prática pedagógica, sugiro várias formas de trabalho em sala de aula e apresento alguns exemplos práticos e reais, criados, planejados e executados por professores de diferentes segmentos, passando pela educação infantil, fundamental, ensino médio e EJA. Em todos eles o enfoque é dado à necessidade de um desenvolvimento do vocabulário das emoções, para que nossos alunos e filhos possam se comunicar socialmente e melhorar suas relações intra e interpessoais.

Nessa trajetória aponto também as influências e possíveis conseqüências na formação de nossos filhos e alunos, se não receberem uma educação emocional adequada e comento sobre as “máscaras” que poderão ser construídas para esconder, disfarçar e “sufocar” as emoções.

Gostaria de frisar que o enfoque do livro não é terapêutico, mas sim no âmbito preventivo. Espero, de alguma forma, levar os pais e professores à reflexão de mais este assunto de vital importância na formação integral de nossos filhos e alunos.

 

O autor.

1 Comentário para “Educação emocional: perspectivas para uma prática pedagógica”

  1. Parabéns!
    De fato, como educadora reconheço que as necessidades de hoje diferem de contextos anteriores. A alfabetização emocional tem se apresentado como habilidade fundamental nas relações intra e interpessoais. Contudo, deve-se ressaltar que mais do que teoria, o professor necessita de indicações do “como fazer”. Vale lembrar que muitas das dinâmicas propostas por alguns autores são criadas dentro de um contexto completamente equivocado da realidade do professor brasileiro.
    Gostaria de obter maiores informações a respeito de como adquirir o livro, pois trabalho com jovens e esse tema me interessa e muito. Acredito na relevância desse conteúdo para a formação integral de todo ser humano.

    Abraço,

    Darlene

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