Falando e escrevendo: desenvolvimento e distúrbios da linguagem oral e escrita


Jaime Zorzi

“A escola deve ser, por princípio, um local privilegiado para se aprender, qualquer que seja o aprendiz.”

Estou seguro de que o objetivo de todos nós, sem exceção, é o de garantir uma educação da melhor qualidade possível. Podemos aplicar o termo educar com o sentido de promover o desenvolvimento em vários aspectos do crescimento: intelectual, social, afetivo, profissional, ético e outros que poderíamos ainda apontar. Para tanto, exercemos uma ação transformadora, a qual se materializa na comunicação entre educadores e educandos. Compreender o mundo e a ele adaptar-se implica, necessariamente, competências evoluídas de linguagem. Começamos aprendendo a falar e essa habilidade nos abrirá muitas portas nesse mundo e nos permitirá, um dia, alcançar formas mais complexas de comunicação, como a linguagem escrita.

Portanto, não restam dúvidas de que uma das aquisições mais importantes no desenvolvimento do ser humano é a linguagem. É ela que propiciará uma interação social dinâmica e eficiente e que será o veículo fundamental para a aprendizagem. Fatores biológicos, sociais e culturais estão presentes e atuam de forma intimamente relacionada para garantir esta evolução.

Este livro reflete exatamente os passos firmes e fortes que muitos de nós estamos dando no sentido de compreender como nossas crianças adquirem linguagem e suas relações com a aprendizagem, principalmente acadêmica. Ou, nos casos em que a alteração está presente, que mecanismos ou características elas apresentam em termos de competências comunicativas, o que é de extrema importância para que possamos desenvolver procedimentos de diagnóstico e de intervenção em nível clínico e educacional mais adequados.

Esta obra tem também a pretensão de deixar claro que vejo, como algo inerente à ação de quem se propõe a educar, o papel de procurar compreender o que é o aprender e o não aprender, ambas situações nas quais a linguagem está sempre envolvida. Mais que tudo, acredito que a escola tem a obrigação de assumir, para si, o desafio de ensinar aqueles para quem a aprendizagem pode ser algo mais difícil, com a firme convicção de que isso é possível. A escola deve ser, por princípio, um local privilegiado para se aprender, qualquer que seja o aprendiz.

 

O autor.

Comente!