Revista Aprendizagem 25

Tecnologia Educacional
Essa edição é para conectar!

Nesse número, reunimos a contribuição de especialistas e pesquisadores em tecnologia educacional para retratar os prós e contras desse processo de transição que a tecnologia impõe à educação, além de inúmeros artigos, matérias e entrevistas sobre outros temas criteriosamente selecionados para quem ama, vive e respira a arte de aprender e ensinar.

 

Confira alguns dos destaques:

 

Reportagem de capa: Tecnologia Educacional

Notebooks, tablets, celulares, câmeras fotográficas com mil e uma funções, internet que leva a pessoa a qualquer canto do mundo, em questão de segundos. Fomos atrás de histórias, as quais mostram que os resultados da aliança tecnologia + sala de aula são extremamente positivos.

 

Confira a integra das entrevistas

 

 

Entrevista exclusiva com a coordenadora pedagógica do projeto Ler e Pensar

Um bate-papo com Ana Gabriela Simões Borges, do Instituto GRPCom, do Paraná, sobre o projeto de leitura e cidadania, batizado como Ler e Pensar que conquistou, recentemente, o Prêmio Mundial de Jovens Leitores da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias.

 

 

Balanço final dos eventos Educador Futuro e Jornadas de Educação

Entre os meses de maio a agosto deste ano, a Futuro Eventos promoveu o Educador Futuro e as Jornadas de Educação em vários estados brasileiros. Com foco principalmente em temas na área de Gestão em Educação, Formação de Professores e Tecnologia, os congressos, seminários e jornadas contaram ao todo com quase oito mil participantes.

 

*Livro: Tecnologia na Educação: reflexões sobre docência, aprendizagem e interação entre jovens e adultos. Autora Betina von Staa

Capa

Processo ensino-aprendizagem ganha uma aliada: a tecnologia

 

Faz tempo que a tecnologia entrou na casa de muitos estudantes brasileiros.
Esta na hora de lavá-la para a sala de aula

 

 

Notebooks, tablets, celulares que fazem muito mais do que apenas telefonar, câmeras fotográficas com mil e uma funções, internet que leva a pessoa a qualquer canto do mundo, em questão de segundos. É essa a realidade em que vivemos. É nesse mundo em que crianças, jovens e adultos adquirem cultura, aprendem, vivem.

 

Porém, isso tudo muitas vezes é utilizado somente dentro de casa. Quando o assunto é o uso da tecnologia na sala de aula, com o objetivo de aproveitar todas essas ferramentas tecnológicas a favor da educação, a coisa muda de figura. Ainda existe, em grande pare das escolas brasileiras, uma espécie de diretriz que diz que se deve seguir à risca o programa, que a melhor forma de ensinar é utilizando o tradicional giz, quadro negro, caderno e lápis.

 

Sabendo do poder de influência que as chamadas “novas tecnologias” têm sobre crianças e adolescentes, a Revista Aprendizagem resolveu desvendar os motivos que levam ao baixo índice de utilização delas dentro de sala de aula e revelar o que é possível fazer para mudar esse panorama. Além disso, fomos atrás de histórias as quais mostram que os resultados da aliança tecnologia + sala de aula são extremamente positivos. Acompanhe.

 

Iniciativa simples, resultado certeiro

 

“É papel dos educadores oportunizarem o diálogo com a mídia, criando situações para a reflexão e a participação do aluno que lhe possibilitem tornar-se interlocutor dos atos de comunicação”. É citando essa frase, do artigo “Mídia, Educação e Leitura”, de Maria Inês Ghilardi-Lucena, que a professora Vera Beatriz Hoff Pagnussatti encerra sua entrevista conosco. E essa citação ilustra perfeitamente a ideia que a jovem professora teve no ano passado e que erve como ponto de partida para a nossa matéria…

 

Uma das principais habilidades de Vera, como professora, sempre oi saber identificar quais são os motivadores de seus alunos, s fatores que os fazem ter vontade de estudar e aprender. Sabendo ue a metodologia tradicional de ensino já não é a favorita de rianças e adolescentes, em 2010 a professora paranaense decidiu novar e desenvolveu o projeto “Jornal: diferentes suportes, diferentes êneros discursivos”, que fez com que os jovens da oitava érie do Colégio Estadual Eron Domingues, de Marechal Cândido ondon (PR), acordassem todos os dias com vontade de ir à escola.

 

O projeto

 

No início do desenvolvimento desse novo projeto, Vera tomou ma decisão que faria toda a diferença no decorrer do ano: os emas utilizados pelos alunos deveriam estar diretamente relacionados realidade deles. Assim, ficaria muito mais divertido e nteressante fazer pesquisas e facilitaria a produção, já que aquilo udo fazia parte do seu cotidiano. Então, a professora incluiu na ista assuntos como drogas, bullying, violência juvenil, meio ambiente trânsito.

 

A ideia era que os estudantes pegassem, do jornal local “O Presente”, s notícias relacionadas a esses temas e as estudassem, eparassem e refletissem sobre seus conteúdos. Depois, eles eram onvidados a desenvolver seus próprios materiais, corrigidos e organizados m forma de livros, separados por diferentes gêneros. empenho dos jovens foi tanto que o que era para ficar apenas entro da escola acabou sendo divulgado também em outros locais. Muitas matérias feitas em sala de aula ficaram tão boas que oram enviadas para o jornal parceiro, que as publicou em suas áginas”, conta a professora.

 

Além disso, para cada tema foram criados murais (que ficavam xpostos em toda a comunidade escolar), um blog e um suplemento o “Jornal do Colégio”, que depois foi distribuído com o ornal “O Presente” não apenas para assinantes, mas também em ancas onde é vendido.

 

Resultados

 

Como já era de se esperar, a reação dos alunos à ideia de Vera foi xcelente. “Eles acharam ótimo poder estudar e ao mesmo tempo e divertir com essas duas tecnologias – uma antiga, o jornal, e outra elativamente nova, a internet. Depois dessa experiência, passaram ler mais, desenvolveram uma vontade maior de aprender até mesmo se uniram mais com colegas, professores e comunidade”, firma, orgulhosa.

 

Com esse projeto, a professora ganhou o primeiro lugar no Prêmio icrosoft Educadores Inovadores 2011 e a classificação ara a final do mundial em Washington, Estados Unidos. Mas o aldo positivo dessa experiência não foi só esse.

 

Expediente

Edição julho/agosto – 2011


Diretores:

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

Jornalista Responsável

Patrícia Goedert Melo -DRT 4490

Diagramação:

Franciele Moreira Braga

   

Colaboraram nesta edição

Ana Gabriela Simões Borges
Antonio Simão Neto
Betina von Staa
Clarice Miranda
Dalmir Sant’Anna
Daniela Haetinger
Danielle Lourenço
Eduardo Fofonca
Gilberto Wiesel
Liana Justus
Luca Rischbieter
Luciana Maria Depieri Branco Freire
Lucy Duró Matos Andrade Silva
Marcelo Crespo
Marcelo Martins
Marcos Meier
Marcos Telles
Martha Gabriel
Moisés Zylbersztajn
Natasha Schiebel
Nilbo Nogueira
Roberto Gameiro
Sérgio Teixeira Costa
Silvana do Rocio Zilli
Tamires Santos da Fonseca
Vera Beatriz Hoff Pagnussatti

   

Editora Melo
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Sumário
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Editorial

Edição 25


Caro Leitor

 

Nesta edição, convidamos você a refletir sobre a influência que as tecnologias de informação têm na educação, especialmente nos processos de ensino e aprendizagem dos nossos alunos.

 

Atualmente, o Brasil passa por um momento contraditório quando se pensa em educação. Se de um lado é fácil constatar abismos na qualidade de ensino, tanto nos grandes centros urbanos, quanto no interior dos estados, o uso de recursos tecnológicos no universo educacional chega a ser polêmico, uma vez que a internet, redes sociais e mesmo as mídias tradicionais facilitam o acesso à informação e ao conhecimento.

 

Em meio a tudo isso estão os professores e gestores, com a responsabilidade de não só estabelecer e coordenar o que deve ser transmitido aos alunos, mas também com a necessidade de participarem de novos processos tecnológicos e de informatização, recursos esses que boa parte dos seus alunos já se apropriou fora da sala de aula.

 

Para isso, a Revista Aprendizagem reuniu nesta edição a contribuição de especialistas e pesquisadores em tecnologia educacional para retratar os prós e contras desse processo de transição que a tecnologia impõe na educação. Na Reportagem de capa, apresentamosideias e experiências inovadoras, como o premiado projeto de leitura e pesquisa da professora Vera Beatriz Hoff Pagnussatti, de Marechal Cândido Rondon (PR), que incentiva a aprendizagem dos alunos pela análise de jornais e de acontecimentos do cotidiano. Na Entrevista, conversamos com a coordenadora pedagógica Ana Gabriela Simões Borges, do Instituto GRPCom, do Grupo Paranaense de Comunicação, sobre o também premiado Projeto Ler e Pensar, que estimula nos alunos o hábito da leitura de jornais e ajuda as escolas a compreenderem a importância da informação na aprendizagem.

 

Para ampliar a discussão da educação formal, incluímos a partir desse número a seção “Educação Profissional”, que apresenta propostase programas desenvolvidos pelos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento socioeconômico nas diversas regiões do país. Tais como o Instituto Federal de Alagoas (IFAL) que, em parceria com o Ministério da Educação, fortalece o ensino e a rendizagem profissional e tecnológica de jovens e adultos nas microrregiões do estado de Alagoas.

 

Entre os artigos desta 26ª edição, autores de diversas áreas da educação, como Pedagogia, Psicopedagogia, Gestão, Marketing, entre outras, discutem a tecnologia em educação sob o ponto de vista de suas especialidades. Confira também a crônica de Lucy Duró, especialista em Neurociência e Comportamento, que discorre sobre a carência de recursos nos processos de metodologia, aprendizagem e avaliação no meio educacional.

 


Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

 

Diretores

Gostaria de  Saber


A internet, pela facilidade de acesso, pode contribuir para o aumento de casos de bullying? Como os pais e escola devem agir para proteger as crianças e adolescentes?

 



Jandira de Souza Hypólito – PR

 

Virou moda dizer “sofri bullying quando era criança”. Até políticos estão aproveitando a divulgação que a mídia está dando ao tema para aparecer um pouco mais, ao invés de criar mecanismos sérios para combater o problema.

 

Apesar da aparente banalização, o caso é muito sério e as consequências são graves. As escolas precisam combater o bullying sempre e de todas as formas possíveis. No entanto, o cyber-bullying, ou bullying pela internet, é mais difícil de ser combatido ou controlado. O anonimato que protege os agressores acaba incentivando e potencializando os ataques às vítimas, que não conseguem nem ao menos se defender. É covardia anônima.

 

Enquanto antigamente uma criança era atacada no âmbito de sua sala de aula, ou no máximo entre seus colegas de escola, hoje a humilhação pode alcançar não apenas a escola toda, mas a cidade, o país e o mundo. Colocar uma foto constrangedora na mural da escola causava efeitos até que fosse retirada e rasgada. E a história acabava ali.

 

Hoje, uma foto publicada na internet pode alcançar uma divulgação tão grande que o mundo todo pode vê-la. É o que já aconteceu com vídeos de adolescentes praticando sexo. A menina, ingênua, ou não viu que o rapaz colocou a câmera para filmar ou achou que o vídeo só ficaria na câmera. Depois, às lágrimas, pedia em vão que o namorado retirasse o material da internet, mas milhares de cópias já estavam em sites pornôs e a retirada não estava mais nas mãos dele.

 

Em 2006, Megan Meier1, uma menina de 13 anos, cometeu suicídio nos Estados Unidos após ter sido humilhada por meio de uma página no MySpace. Hoje, a mãe de Megan abriu uma ONG2 para proteção às crianças vítimas de cyber-bullying.

 

E no Brasil? O que podemos fazer? Ações contra o bullying existem, mas temos que melhorar nossas defesas. Toda a escola precisa saber que a difamação, calúnia ou injúria feitas pela internet são crimes. E crimes cometidos por adolescentes ou crianças são de responsabilidade de seus pais. Se ocorrerem no ambiente da escola, ela poderá ser corresponsabilizada. Resumindo: pais, alunos, professores e funcionários estão todos no mesmo barco. Ou nós acabamos com o bullying ou abrimos espaço para a dor, para o crime e para a morte. Pode parecer dramático demais, mas é preferível fazer um pouco mais de barulho e evitar as consequências dessas agressões que ser suave nas advertências e conviver com novas notícias de tragédias nas escolas.

 

Uma dica aos pais, caso o filho seja vítima de cyber-bullying: é possível constituir prova documental indo a um cartório e solicitando ao tabelião uma “ata notarial”. O cartorário abre a página na internet, imprime e a registra como documento. Mais tarde, se necessário, os pais podem usar a ata em um processo contra os agressores. Obviamente que não é esse o desejo dos educadores. Nós, professores, desejamos sempre a mudança de comportamento, o crescimento, a reflexão e o aprendizado, mas para isso precisamos também do apoio dos pais.

 

Você pai ou mãe de criança ou adolescente oriente seu filho quanto ao uso da tecnologia. São de sua responsabilidade as atitudes dele. Os princípios éticos, morais e os valores familiares precisam ser levados em conta em casa, na escola e também fora dela. A internet não é espaço para se fazer o que quiser, é apenas mais um ambiente em que as relações devem ser pautadas pela construção da paz.

 

 


Marcos Meier


Psicólogo, Professor e Mestre em Educação; Escritor e Palestrante.


www.marcosmeier.com.br