Revista Aprendizagem 18

Capa Edição 18

Educação e Futebol
A escola explorando a copa do mundo e descobrindo novas passibilidade de ensinar

A cada quatro anos, um clima de empolgação envolve o Brasil por conta da Copa do Mundo de Futebol. Apaixonados ou não pelo esporte, vemo-nos eufóricos, torcendo pela seleção brasileira. E não é diferente com as crianças. Visto que o assunto é pauta das conversas e brincadeiras durante todo o evento, o professor pode trazer o futebol e a Copa para dentro da sala de aula, como uma forma de motivar ainda mais os alunos a aprender.

Mas engana-se quem acredita que o professor de Educação Física é o único que pode tirar proveito do interesse pela Copa para incentivar os alunos. Da Matemática à Geografia, o futebol pode servir de ponte para os assuntos ensinados nas disciplinas. A Revista Aprendizagem conversou com professores, sociólogos, psicólogos e outros profissionais ligados ao esporte, que nos falam do impacto de uma Copa do Mundo sobre a vida de um país e explicam como esse interesse dos alunos pelo campeonato pode ser aproveitado na escola.

Brasil, o país do futebol?

Depois da África do Sul, será a vez do Brasil sediar os jogos da Copa. Em 2014, as atenções do mundo todo estarão voltadas para o “país do futebol”, como o Brasil é muldialmente conhecido. Mas esse é só mais um rótulo, como aqueles que muitas vezes reduzem o Brasil às belas praias, ao samba e ao Carnaval. O professor Vasco Moretto acredita que os estrangeiros, em geral, não têm muito conhecimento da cultura brasileira e que, com a Copa no Brasil, esse traço cultural brasileiro será reforçado e ainda expandido.

Em paralelo à ideia que a maioria dos estrangeiros tem do Brasil como o país do futebol, eles têm também as imagens da violência, da pobreza, da desigualdade social, da corrupção e da desorganização. Um evento como a Copa do Mundo é uma oportunidade que o país tem de modificar ou de confirmar essa imagem. Para Moretto, isso dependerá muito de como as autoridades e o povo vão se portar, tanto no período de preparação quanto durante o Mundial.

Reportagem de Capa

Além da hospitalidade do povo brasileiro ao receber os visitantes, a capacidade do país em sediar um evento desse porte também ajudará a construir a imagem da nação. Para o sucesso da Copa de 2014 são importantes os investimentos feitos na área da saúde, transporte, segurança e infraestrutura, os quais trarão melhorias que poderão ser aproveitadas pelos brasileiros futuramente. A estrutura de alto nível preparada, por exemplo, nos aeroportos e estádios da África do Sul é um dos itens que orgulham os anfitriões da Copa/2010. Porém, o Brasil, para que sinta essa mesma satisfação, deverá trabalhar duro, com planejamento, visto que hoje muitos dos estádios ainda não atendem às exigências da FIFA (Federação Internacional de Futebol) e nenhum de nossos aeroportos alcança a qualidade estrutural de Joanesburgo, por exemplo.

Em relação aos investimentos no Brasil, o jornalista esportivo Marcelo Fachinello acredita que o povo brasileiro terá um papel fundamental até 2014, ao fiscalizar os recursos públicos: “Será através da cobrança pública, da indignação da população com a má gestão do nosso dinheiro, que poderemos evitar que o Mundial se torne apenas uma maneira para que alguns ganhem dinheiro e que não exista legado para o restante do país”. Ele ainda acrescenta: “E isso só se dará com apoio total dos veículos de mídia, que poderão incentivar a população para que faça o papel que poderia ser de autoridades competentes”.

Expediente

    Edição maio/junho – 2010


    Diretores:

    Marcos Muniz Melo
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo

    Editora Responsável:

    Fernanda Ábila – DRT 8381

    Diagramação:

    Franciele Moreira Braga

    Colaboraram nesta edição

    Alessandra Assad
    Alessandra Wajnsztejn
    Alice Cid
    Celso Antunes
    Cezar Braga Said
    Cynthia Zehnder
    Dirceu Moreira
    Edileide Souza Castro
    Egídio Romanelli
    Fernanda Ábila
    Guilherme Romanelli
    Iara Rocha
    Jesús Cabrerizo Diago
    Júlio Cesar Furtado
    Laura Monte Serrat Barbosa
    Leo Fraiman
    Lucia Klein
    Luiz Fernando Nascimento
    Luiz Trientini
    Marcelo Fachinello
    Márcia Honora
    Marcos Meier
    Moisés Zylbersztajn
    Paulo Bedaque
    Rubens Wajnsztejn
    Telma Pantâno
    Vasco Moretto
    Vinicius Afonso Petrunko
    Zita Lago


    Editora Melo
    Publicidade
    Endereço: Rua Rolândia, 1281
    Pinhais/PR. CEP 83325-310
    Tel: 41 3033-8100
    Email: editoramelo@editoramelo.com.br
    Fale Conosco:
    Releases, comentários sobre conteúdo editorial, sugestões e críticas para a seção CARTA DO LEITOR;
    Depoimentos, relatos para a seção ESTÁ DANDO CERTO;
    Perguntas para a seção GOSTARIA DE SABER.
    Tel: 41 3033-8100
    Email: revista@revistaaprendizagem.com.br
    Cartas: Rua Rolândia, 1281
    Pinhais/PR. – CEP 83325-310
Sumário

    Sumário
Editorial
Edição 17


Caro Leitor

Aproveitando os tempos de Copa do Mundo na África do Sul e a ansiedade da nação brasileira por ser a sede dos jogos em 2014, dedicamos a matéria de capa ao tema educação e futebol. Especialistas da área esportiva, psicólogos, sociólogos e professores nos contam como a disputa pode ter impacto sobre um país e sobre a educação das crianças e adolescentes.

Não podemos negar a influência desse esporte dentro da cultura brasileira, nos costumes e no comportamento de nossa gente. Os jogadores lançam tendências, modos de vestir, falar e agir, servindo de espelho para muitos jovens e os levam à prática desse esporte cada vez mais cedo. O futebol, com certeza, faz parte do dia a dia dos brasileiros e, por isso, acreditamos na importância de tratar o assunto, relacionando-o ao ensino e à aprendizagem. Nesta edição, reservamos mais um espaço ao futebol com a crônica de Celso Antunes “Velocidade, Copa do Mundo e sala de aula”. Não deixe de conferir!

Ainda neste número, nosso Destaque na Educação, o professor Egidio Romanelli conta-nos suas lembranças como aluno e suas incríveis experiências como educador, ao longo de sua trajetória admirável dentro da Medicina, da Psicologia e da Educação. Confira também a entrevista com o psicólogo e professor de Matemática Marcos Meier, o qual discorre sobre a qualidade da Educação em nosso país.

A 18ª edição da Revista Aprendizagem traz ainda artigos sobre diversas temáticas, entre elas a adaptação curricular na educação inclusiva, o stress infantil e os medos do professor. Ótima leitura a todos!

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo
Diretores

Gostaria de  Saber
Gostaria de Saber

Qual a importância do planejamento do professor no ambiente escolar?

Abgail Correa Pedroso – Distrito Federal

Uma realidade é bem comum em muitas escolas: os técnicos e especialistas que defendem e mostram a importância do planejamento e muitos professores que manifestam sua insatisfação com a necessidade de fazer os referidos planejamentos.

Há uma tendência de que quanto mais tempo o professor ensina, mais resistente ao planejamento; dizem que já sabem o que vão fazer e não precisam de tanta burocracia. Em parte concordo que algumas instituições chegam a burocratizar o ensino, planeja-se, mas não há o devido acompanhamento das execuções, o que desqualifica o valor do plano feito. Outra questão que dificulta a compreensão da importância deste planejamento é que muitos professores não estão comprometidos com o resultado do processo ensino-aprendizagem e querem somente “dar sua aula” e esperar completar os 25 anos de ensino para se aposentar. Quando avaliamos o processo de ensino é preciso haver planejamento para corrigir os desvios das metas estabelecidas.

O grande desafio na questão do planejamento está nas relações estabelecidas: o coordenador pedagógico ou outro profissional da área não consegue ser ouvido ou entendido pelo professor, que por sua vez sente-se desvalorizado e coagido com as pressões exercidas pelo setor pedagógico. Não há uma sintonia.

O planejamento da aula deve ser precedido pelo planejamento da instituição, o que nem sempre acontece. Como podemos exigir que o professor planeje sua aula, se a instituição não sabe seus objetivos, missão, valores? Torna-se uma educação individualizada, marcada pelo casuísmo e pela diferenciação que alguns bons professores fazem na vida de seus alunos.

Quanto mais prazeroso for o relacionamento entre os profissionais que orientam o setor pedagógico e o professor, mais fácil será chegar a um equilíbrio, a um acordo, quanto ao processo de planejamento adequado e eficiente.

Assim como Vitor Paro, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), estou longe de ser uma pessoa cética. Acredito que é possível desenvolver uma nova mentalidade e mudar. “A escola é um reflexo da sociedade”, teoriza Paro. E continua: “Só haverá transformações verdadeiras quando tivermos metas diferentes das atuais, quando a realização humana estiver acima do trabalho.”

As relações humanas são transversais e influenciam positivo ou negativamente todos os processos existentes dentro do ambiente escolar, afinal, escola é constituída de “gente”, foi criada para educar “gente” e só funciona pela atuação de pessoas, de “gente”.

Edileide Souza Castro

Pedagoga; Psicanalista Clínica; Escritora; Consultora e Palestrante. www.edileidecastro.com