Revista Aprendizagem 20

Capa Edição 20

Novas tecnologias na educação
A escola formando a geração digital

Computadores, internet, softwares, jogos eletrônicos, celulares: ferramentas comuns ao dia a dia da chamada “geração digital”. As crianças já nascem em meio a todas essas tecnologias e os jovens já as dominam como se fossem velhas conhecidas.

O ritmo acelerado das inovações tecnológicas, assimiladas tão rapidamente pelos alunos, exige que a educação também acelere o passo, tornando o ensino mais criativo e estimulando o interesse pela aprendizagem. O que se percebe hoje é que a própria tecnologia pode ser uma ferramenta eficaz para o alcance desse objetivo.

Muito se tem falado no meio educacional sobre a formação dos alunos para se tornarem usuários das tecnologias de informação e comunicação (Tic’s). Porém esse preparo não deve dar-se simplesmente para que eles usufruam delas, mas que as utilizem crítica e conscientemente, de forma a contribuir positivamente para o seu aprendizado.

Para que isso aconteça, os professores devem estar preparados para intervir e a escola estar aberta para incorporar as transformações trazidas pelos meios tecnológicos. A relutância à mudança no meio educacional brasileiro e a indiferença às novas ferramentas ainda leva muitas instituições educacionais a utilizarem os recursos de forma inadequada, sem objetivo pedagógico. Para o sociólogo francês Philippe Perrenoud, a escola não pode ignorar o que se passa no mundo.

Pensando nisso e nas contribuições que as novas tecnologias podem trazer para a educação, esta edição da Revista Aprendizagem abordou o tema, trazendo opiniões de diferentes especialistas sobre o impacto dos meios tecnológicos no ensino e no aprendizado.

Tecnologia: a escola está pronta para incorporá-la?

Não basta ao cidadão, hoje, aprender a ler e escrever textos na linguagem verbal; é necessário que ele aprenda a ler as diversas linguagens inerentes às tecnologias.

Portanto, pode-se comparar a exclusão sofrida por um indivíduo que desconhece essas linguagens no mundo de hoje a um analfabeto no mundo da escrita tradicional. Tal exclusão se dá devido à onda de inovações radicais que levou ao surgimento de inúmeras profissões que demandam uma formação profissional específica que, por sua vez, exige o domínio de novas tecnologias.

Reportagem de Capa

Para Susane Garrido, professora e coordenadora do Escritório de Gestão de Projetos em Educação a Distância da UNISINOS e doutora em Psicologia do Desenvolvimento, “falar a mesma língua” é uma condição para o desenvolvimento cognitivo, social e cultural de jovens e de crianças, ainda mais quando o digital/virtual faz parte de todas essas construções, modificando, inclusive, as formas de pensar e atuar desses indivíduos.

A reforma dos sistemas educativos, incluindo-se a formação digital, é vista, portanto, como uma prioridade na preparação de cidadãos para a sociedade pós-moderna. No entanto, muitas escolas brasileiras ainda apresentam resistência em relação à transformação de seus métodos.

De acordo com Mauricio Gebran, consultor de negócios do Grupo Expoente e mestre em Mídia e Conhecimento, “a tecnologia permeia as atividades cotidianas e altera a cultura social, os relacionamentos e também a maneira de aprender e de ensinar”. Por isso, a escola precisa estar conectada e aprender a se apropriar das novas tecnologias, assim como utilizá-las para encantar o aluno e tornar o processo de ensino-aprendizagem mais criativo.

Expediente

    Edição julho/agosto – 2010


    Diretores:

    Marcos Muniz Melo
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo

    Editora Responsável:

    Fernanda Ábila – DRT 8381

    Diagramação:

    Franciele Moreira Braga

    Colaboraram nesta edição

    Alessandra Assad
    Alessandra Wajnsztejn
    Camile Gonçalves Hesketh Cardoso
    Carla Martha Jakel
    Casemiro Campos
    Celso Antunes
    Denise Bandeira
    Fernanda Ábila
    Isabel Parolin
    Júlio Furtado
    Marco Aurélio Kalinke
    Mauricio Gebran
    Moisés Zylbersztajn
    Paulo Bedaque
    Rafael Robson Negrão
    Regiane da Silva Macuch
    Renata Fonseca Martins
    Rubens Wajnsztejn
    Sebastião Fernandes Junior
    Sonia Cristina Vermelho
    Susane Garrido
    Thalita Sejanes
    Valdemar W. Setzer


    Editora Melo
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Sumário

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Editorial
Edição 20


Caro Leitor

Em tempos em que nossas crianças e jovens estão cada vez mais imersos no mundo das tecnologias, dominando e utilizando esses recursos diariamente, a escola não poderia parar no tempo e ignorar essarealidade.

Consideramos de extrema importância re etir sobre a in uência que as novas tecnologias têm hoje sobre a educação, visto que ainda há muita controvérsia no que diz respeito à sua real utilidade para melhorar a qualidade do aprendizado.

Em nossas instituições de ensino, métodos ultrapassados já têm sido substituídos por modernas ferramentas tecnológicas, que têm por objetivo encantar o aluno e facilitar o processo de ensino-aprendizagem. O velho dá lugar ao novo, mesmo havendo ainda certa resistência no meio educacional.

Perguntamo-nos então: escola e professores estão preparados para incorporar esses meios às suas atividades em sala de aula? E de que forma os docentes podem aplicar as tecnologias ao conteúdo curricular de maneira didática?

Buscando essas respostas, reservamos a reportagem de capa desta edição ao tema, além de dedicarmos ao assunto artigos de diversos especialistas na área. A entrevista desta 20ª edição também explora a aplicação de novas tecnologias na educação, com a contribuição de Moisés Zylberstajn, educador e coordenador de tecnologia do Colégio Santa Cruz de São Paulo. O referido professor discute os desa os e os caminhos para a evolução das tecnologias na educação brasileira.

Ainda neste número da Revista Aprendizagem, Celso Antunes nos brinda com mais uma de suas crônicas, “Uma aula em nosso tempo”, contando o caso de um professor inovador, que testa seus alunos de forma pouco convencional, distante dos métodos tradicionais de avaliação. Não deixe de conferir!

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo
Diretores

Gostaria de  Saber

O que fazer com uma criança muito agressiva na escola quando a família não ajuda?

Carolina Willians – São Paulo

Depende muito da análise que se faz e da posição que se tome diante da situação. A criança desde que entrou na escola é agressiva ou tem estado agressiva? Na continuidade, devemos procurar saber quais foram os episódios em que ela se envolveu e o que desencadeou, na escola, o conceito de que é muito agressiva. Em que situações e com que constância esse comportamento se manifesta? É ela quem inicia os atos agressivos? Também deveríamos saber o que a escola espera como ajuda da família: informações? Compartilhamento? Que a família resolva a situação? E, por  fim, o que a escola denomina agressividade?

Vamos a um conceito de agressividade, pois ele nos tira do “achismo” e nos conduz ao conhecimento: “É uma disposição orientada para a defesa ou afirmação própria perante o meio” (Dicionário das Ciências Humanas, Edições 70, 1984. p. 46). Ou seja, é um comportamento que se pauta na necessidade de se proteger ou de se autoafirmar. Nessa linha de raciocínio, devemos pensar “de que essa criança precisa se proteger? Ou ainda, ela se autoa-rma diante do grupo por que não é reconhecida ou identificada cada por ele?

Todos nós somos agressivos e precisamos ter a energia agressiva equilibrada ao nosso tipo de vida. Quanto mais estivermos em um ambiente que nos seja agressivo, mais necessitaremos dessa energia para nos mantermos vivos. Portanto, quando nos deparamos com crianças tendo episódios de agressividade, precisamos pesquisar o que a está agredindo.

Uma coordenadora me encaminhou um menino cuja professora se queixava de que ele era “agressivo e muito mal-educado, além de ir mal nos estudos”. O menino apresentou-se timidamente e contou-me, muito constrangido, que ele tinha chutado e batido na amiga que senta atrás dele. Falava olhando para o chão e balançando as pernas. Perguntei por que ele tinha feito isso e por que a escolhida tinha sido a menina que sentava atrás dele. Ele me disse que ela riu quando a professora o xingou. “Como assim, a professora te xingou!”, exclamei, entre perguntando e, ao mesmo tempo, me indignando. “Do que e por que a professora o xingou?”, quis saber. “Ela sempre me xinga… é que eu não sei nada mesmo… todos prestam atenção e aprendem… só eu que não!” “E você ficou nervoso com isso e bateu na colega quando ela riu…”, deduzi. “É, mas eu queria mesmo era cuspir na professora, mas dei um safanão na bobona de trás!” “E daí, o que aconteceu depois?”, perguntei. “A professora me mandou pedir desculpas pra menina e eu pedi…” (ombros baixos, olhos mirando o chão…). Vocês querem uma cadeia agressiva maior que essa? Ingenuamente, os profissionais da escola, recortam o episódio sem fazer a análise de toda a rede que alimenta os comportamentos da professora, que frustrada pelo seu aluno não aprender, xinga-o; da colega que, nervosa ao participar da situação, ri (pode ser que ela se coloque no lugar do menino e ria por estar nervosa!?); do menino que, sem saber o que fazer para se defender, agride a colega, a  gura mais frágil e quem está mais próxima!

Esse menino do nosso exemplo não é agressivo, ele está agressivo por foi tratado com desrespeito – ele precisa proteger-se da professora e autoafirrmar-se (não sei a matéria, mas sei chutar e bater) e, por isso, age de forma agressiva.

A escola pode resolver essa situação sem a participação da família. Contudo, e se o mote da agressividade estivesse nas questões familiares? Se a família não ajuda, a escola poderia remediar oferecendo escuta e acolhendo a criança, potencializando-a. No entanto, é essencial a colaboração da família, porém, a escola não pode se eximir de buscar soluções, alegando a falta de participação da família. Apesar de a família ser importantíssima para se compreender uma determinada situação, a escola tem instrumentos técnicos suficientes para deflagrar boas ações em busca de boas soluções.

Isabel Parolin

Pedagoga; Mestre em Psicologia da Educação;
Psicopedagoga Clínica e Consultora Institucional;
Professora de cursos de pós-graduação na área de
aprendizagem; Palestrante para professores e pais;
Autora de vários livros na área.
www.isabelparolin.com.br