Revista Aprendizagem 21

Capa
Edição 21

A Educação que transforma empreendedores
Projeto de vida que se aprende na escola

O espírito empreendedor se adquire na escola? Ou será que só alguns de nós nascem com capacidade de empreender? Uma coisa é certa: todas as pessoas têm potencial de criação, inovação, transformação, quebra de paradigmas; a questão é inibir ou estimular essas capacidades.

Nesse sentido é que se dá o papel da escola, de olhar o aluno não como uma máquina treinada para responder questões, mas como ser humano, instigando sua criatividade, a busca pela mudança da realidade, pela transgressão de padrões. Quando não há quebra de padrões, há estagnação, nada acontece de novo e diferente no mundo. Por isso a importância de se estimular aprendizes criativos e propositivos.

Luciana Prazeres, professora e coordenadora do Centro de Estudo e Pesquisa do 4.º ao 7.º ano, na área de conhecimento de Empreendedorismo do Colégio Bom Jesus, em Curitiba, acredita que muitas pessoas nascem com características voltadas para o empreendedorismo; são indivíduos com espírito de liderança e um olhar para as oportunidades. “Além de ser algo nato, acredita-se que algumas habilidades podem ser desenvolvidas na escola, como trabalhar em equipe e ter um olhar criativo”, acrescenta a coordenadora.

O ponto fundamental do trabalho na sala de aula é proporcionar aos alunos uma reflexão e a conscientização das suas características, identificando o que precisam e podem fazer para desenvolver habilidades, competências, valores e conhecimentos, pois só assim se aproximarão do perfil do empreendedor de sucesso.

Nesta edição da Revista Aprendizagem trazemos o tema à discussão, refletindo sobre o papel da escola de não só ensinar os conteúdos das disciplinas, mas também de preparar os aprendizes para traçar seu próprio caminho, com confiança e determinação.

Aprendendo a planejar o próprio futuro

A ideia de que se pode ensinar a empreender vem incentivando propostas de incluir o empreendedorismo como disciplina do currículo escolar, como já acontece no Ensino Fundamental do Colégio Bom Jesus, onde as aulas são baseadas em conteúdos teóricos, dinâmicas, análise de filmes e trabalhos práticos. As linhas de ações estabelecidas para esse nível de ensino preveem a articulação entre conceitos empreendedores e aspectos relacionados ao desenvolvimento do indivíduo.

Leo Fraiman, psicoterapeuta, supervisor clínico, especialista em Psicologia Educacional, mestre em Psicologia pela USP e diretor da Clínica Fraiman, acredita que empreender deve ser ensinado desde cedo. Segundo ele, algumas instituições preferem incluir a disciplina no currículo, enquanto outras a incorporam como um curso extra. “Em ambos os casos, se aplicado corretamente, há excelentes resultados”, afirma Fraiman, que é também autor de materiais didáticos sobre orientação profissional, empregabilidade e empreendedorismo.

Esse ensino pode instigar nos alunos qualidades indispensáveis aos bons profissionais, como aprender a superar obstáculos, identificar oportunidades, assumir desafios, tomar decisões, planejar,estabelecer metas e exigir qualidade. O psicoterapeuta acrescenta que, ao longo de uma década de trabalho, percebeu que a educação empreendedora fomenta estudantes mais seguros de sua escolha profissional e menos influenciáveis por opiniões, modismos ou pressões para tal decisão.

Ser empreendedor não é somente ter um negócio próprio, mas é, segundo Prazeres, ser uma pessoa motivada, realizadora, que tem iniciativa para dar andamento a projetos e atividades difíceis e que assume os riscos necessários para levar adiante ideias ou negócios. Ela acrescenta que os empreendedores são os agentes geradores de empregos, que introduzem inovações, mobilizam recursos, agregam valor às atividades e estimulam o crescimento econômico.

Empreender é como segurar um sonho, na opinião de Fraiman; é perseguir uma meta, não deixar escapar um objetivo, ter perseverança nos resultados. Um profissional empreendedor é, portanto, aquele que não se contenta com a média e está sempre em busca da excelência.


Reportagem de Capa

Mas como a escola pode preparar os jovens para serem esse tipo de profissional? A principal tarefa dos estudos voltados ao empreendedorismo é reverter o quadro atual, em que a juventude prioriza a estabilidade na vida profissional, visando passar em concursos públicos para poder se aposentar cedo. Em tempos em que o foco das instituições escolares está no preparo dos alunos para o vestibular, o grande desafio da educação, de acordo com Fraiman, é fazer o aprendiz sentirse apto para criar e transformar.

A escola inovadora cria a oportunidade para o aluno se destacar como empreendedor em potencial, permitindo que coloque em prática os conhecimentos das disciplinas tradicionais como a Matemática, por exemplo, aplicados a situações reais, como a administração de uma empresa, tornando o ensino menos mecânico e mais significativo. Por serem mais utilitaristas, quando não encontram um significado no estudo, os jovens geralmente o abandonam.

Expediente

    Edição novembro/dezembro – 2010


    Diretores:

    Marcos Muniz Melo
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo

    Editora Responsável:

    Fernanda Ábila – DRT 8381

    Diagramação:

    Franciele Moreira Braga

    Colaboraram nesta edição

    Arthur Meucci
    Celso Antunes
    Cezar Braga Said
    Christian Barbosa
    Clóvis de Barros Filho
    Daltro Lanner Monteiro
    Eduardo Shinyashiki
    Flávia Sampaio
    Francisco Aparecido Cordão
    Geraldo Almeida
    Henrique Castelo Branco
    Herbert Steinberg
    Isabel Parolin
    Leo Fraiman
    Luciana Prazeres
    Lucy Duró
    Marcos Meier
    Maurício Góis
    Rafael Villas Boas
    Renato Curto Jr.
    Sandra Bozza
    Sérgio Dal Sasso
    Teuler Reis


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Sumário

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Editorial
Edição 21


Caro Leitor

Nesta edição, convidamos você a refletir conosco sobre o empreendedorismo. Mas afinal, o que esse termo, comumente relacionado ao universo econômico, tem a ver com a educação? A Revista Aprendizagem traz especialistas que falam da importância de se formar empreendedores e afirmam que as qualidades empreendedoras podem, sim, ser ensinadas e praticadas na escola.

Na educação que orienta o aluno a planejar seu próprio futuro, ele é tratado como cidadão, que tem consciência de seu papel na sociedade, e não como uma máquina que decora conteúdos. O estudante que tem sua criatividade estimulada saberá, no futuro, quebrar padrões, identificar as oportunidades e superar desafios, dando o melhor de si na profissão que escolher, agindo de forma ética e solidária.

As aulas que focam o empreendedorismo permitem que os alunos conheçam histórias de empreendedores, sejam elas de sucesso ou de fracasso, e visualizem o futuro profissional que têm pela frente. Além disso, a possibilidade de aplicar o conhecimento adquirido na vida prática desperta nos alunos o interesse em ir para a escola e os mantêm mais envolvidos e participativos.

Sendo evidente a importância de formar empreendedores para o mercado de trabalho deste século, nossa matéria de capa abordou o tema com maior profundidade, contando com o testemunho de profissionais que já trabalham com a educação profissional e empreendedora em seu dia a dia. Não deixe de conferir!

Ainda neste número da Revista Aprendizagem, brindamos você, nosso leitor, com a entrevista do psicoterapeuta, supervisor clínico, especialista em Psicologia Educacional e mestre em Psicologia pela USP, Leo Fraiman, sobre a formação empreendedora. Na crônica da edição, Celso Antunes também tratou da temática, falando de “empreendedorismo e criatividade”.

Entre os artigos desta 21ª edição, além de apresentar outros pontos de vista de especialistas sobre o tema de capa, as demais páginas foram reservadas a assuntos como avaliação e recuperação, os interesses dos investimentos em educação e o papel da gestão escolar ao identificar as dificuldades de aprendizagem dos alunos.

Desejamos a todos uma ótima leitura!

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo
Diretores

Gostaria de  Saber


A formação empreendedoragarante que os alunos façama escolha profissional corretano futuro?

Fernanda Shaffer Pessoa – Santa Catarina

Se existe essa garantia não sei, mas que ajuda, ajuda!

Em ambientes educacionais de vanguarda discute-se muitoo que os educadores chamam de “pedagogia empreendedora”.Os empresários do futuro já têm no seu DNA a culturaempreendedora. Isso não significa que não se possa aprendera ser empreendedor, mas aqueles que já têm no sangue o desejode investir em seus sonhos, coragem de acreditar em seuspróprios potencias e, essencialmente, não têm medo de arriscarem investimentos seja eles de ordem financeira, pessoais,familiares, etc. desenvolvem uma valiosa vantagem competitivadaqueles que aprenderam a ser empresários.

Existe um trabalho maravilhoso do escritor e professormineiro Fernando Dolabela, criador do programa pedagogiaempreendedora, que já colhe resultados fantásticos em crianças,provando que as questões empreendedoras navegam poruma cultura de ordem pessoal. Os jovens de hoje em dia, comacesso mais frenético às informações virtuais e mídias, congelam,bem mais cedo, o seu modo de pensar em empreender.Consequentemente perdem-se futuros empreendedoresde formação, ou seja, aqueles que poderiam fazer aprendera empreender, por isso se justifica a linha de abordagem doprofessor Dolabela de, cada vez mais cedo, em espaço da educaçãoinfantil, educar a empreender.

Educadores (muito bem) capacitados para transmitir esseconhecimento à futura formação empreendedora fazem comque os seus alunos aprendam a empreender já na escola,apresentando-lhes as inúmeras oportunidades e potenciaisque estão dentro deles. Certamente as dinâmicas lúdicas atiçandoa imaginação desses futuros empreendedores é umabela ferramenta estratégica para desenvolver o autoconhecimento,que é essencial para o sucesso.

Lecionei por quase sete anos em instituições de nível superior.Diariamente ouvia dos meus estagiários as dúvidassobre seus futuros; alguns não sabiam o que cursar, outros,mesmo já cursando, não sabiam o que estavam fazendo e, omais alarmante, não conheciam exatamente suas capacidadese perfis de atuação no futuro mercado de trabalho querapidamente se aproximava. Tudo isso se reflete em trocassistemáticas de graduações, falta de interesse e curiosidade, odesleixo com seus estudos, a falta de leitura, a total incapacidadede articular um simples trabalho oral e, para alguns, atémesmo o desprezo com os enormes valores financeiros queos familiares pagam ao final de cada mês para uma tentativafracassada na formação desses individuo. Lembro da máximaaquela: “dinheiro não compra formação”, veja o exemplo dosabastados jogadores de futebol, mas isso é outro assunto.

Dentro dessas instâncias, desconhecendo a si mesmo, comoempreender? Impossível! O Indivíduo que não se conhece ficamais complexo e tem dificuldades para fazer boas escolhas.Olhando por esse prisma é que vejo a importância da formaçãodesse tipo de vivência e da pedagogia empreendedorapara acertar nessas futuras escolhas.

Daltro Lanner Monteiro

Consultor Empresarial; Pós-graduado em GestãoEscolar; Especializado em Biopsicologia; ProfessorUniversitário e de Educação Física; Pesquisadordo tema do stress do docente no ensino público;Apresentador em rádio e tv.

www.professordaltro.com.br