Revista Aprendizagem 22

Capa
Edição 22

Projeto Político Pedagógico: da escola que temos para a escola que queremos.
Diretor, professores, alunos e pais dãos as mãos para juntos avaliar, discutir e planejar como fazer uma escola melhor.

Qual a distância entre a escola que se tem e a escola que se quer ter? É isso que o Projeto Político Pedagógico (PPP) pretende discutir. O documento prevê aquilo que se deseja transformar dentro da instituição de ensino, de acordo com as suas necessidades e possibilidades, para assim diminuir a distância entre o cenário momentâneo e o ideal. Mas quem pode fazer um diagnóstico preciso do que a escola precisa, o que está bom e o que ainda deixa a desejar? São as pessoas “por quem” e “para quem” ela é feita.

O PPP é defendido pelos educadores críticos como um documento de construção coletiva da identidade da escola. Por isso, a sua elaboração deve envolver toda a comunidade escolar, ou seja, alunos, pais, funcionários e professores. A direção não deve ser a única responsável por definir as metas da escola, uma vez que não é a única a se beneficiar com as melhorias.

Segundo Casemiro Campos, mestre em Educação, professor e pesquisador na área de gestão escolar, formação de professores e educação superior, o PPP é o documento da identidade da escola. É um instrumento poderoso para apontar os rumos da escola, guiando os seus caminhos. “Se num voo ou no mar a carta de navegação é a referência para se chegar em algum lugar previamente definido, a função do Projeto Pólítico Pedagógico é constituir com clareza a essência da escola, oportunizando à instituição educativa explicitar a sua autenticidade”, acrescenta ele.

A dimensão política desse projeto consiste nas atitudes democráticas que se dão por meio da tomada de decisões, escolhas e execu ção das ações; todos esses atos são políticos. Já a dimensão pedagógica está na possibilidade de tornar reais as intenções da escola, como a formação de seres humanos participativos, criativos, críticos e compromissados. As duas dimensões são indissociáveis, uma vez que para cumprir os objetivos pedagógicos todos os membros da escola devem participar, exercendo assim a sua cidadania.

Esta edição da Revista Aprendizagem elaborou a matéria de capa sobre o tema, sugerindo uma reflexão sobre a importância do Projeto Político Pedagógico para a concretização dos objetivos da escola e, consequentemente, para a melhoria da qualidade do ensino que oferece a seus alunos.

O passo a passo da construção do PPP – do currículo ao planejamento do trabalho do professor

São muitos os itens a serem discutidos para a construção de um Projeto Político Pedagógico eficiente. Para início de conversa, o resgate da escola como espaço público, lugar de debate, diálogo, fundado na reflexão e o poder de decisão de todos os membros envolvidos, são fundamentais para que a elaboração aconteça de forma democrática e beneficie a todos.

No entanto, o doutor e mestre em Educação, Nilbo Nogueira, lembra que cabe esclarecer aos membros que “a opinião pode ser livre, desde que seja coerente com a proposta coletiva e que haja posteriormente o auxílio e colaboração para que aquilo que foi proposto seja efetivamente realizado”.

Essa opinião pode ser exposta no âmbito do Conselho Escolar, em que os diferentes segmentos da comunidade estão representados, e também pode ser conduzido de outras maneiras, com a participação individual, grupal ou plenária. A finalização do documento também pode ocorrer de forma democrática, mas é fundamental que um grupo especialista nas questões pedagógicas se responsabilize pela redação final para oferecer um padrão de qualidade às propostas.

Porém, o êxito da educação não depende apenas de uma gestão democrática, mas de um projeto contextualizado com a realidade da escola. Segundo Celso Vasconcellos, pedagogo e filósofo, doutor em Educação e mestre em Filosofia da Educação, essa é uma questão intrínseca ao próprio processo de construção do PPP numa perspectiva libertadora, pois se o referido documento for elaborado de acordo com a metodologia do planejamento participativo, não tem como não se levar em conta as especificidades, já que a palavra será dada pelos próprios sujeitos. Fugir disso é só “cumprir tabela”, é trabalho alienado.


Reportagem de Capa

Para que haja tal planejamento, alguns dados importantes devem ser levantados e revistos e atualizados ao longo do ano. Primeiramente, deve ser feito um breve histórico da comunidade, por meio da coleta de informações sobre as condições social, econômica e cultural das famílias dos alunos, momento em que o diretor reúne as informações de todas as fichas de matrícula, organizando dados como renda, escolaridade e profissão dos pais.

A seguir, explicitam-se criticamente os problemas e necessidades da escola em relação ao ensino e à aprendizagem, por meio de informações quantitativas sobre matrículas, aprovação, reprovação, evasão, distorção idade/série, transferências e resultados de avaliações. Faz-se também uma pesquisa em torno dos recursos físicos, humanos e financeiros de que a instituição dispõe, das relações de trabalho e da organização da prática pedagógica, incluindo-se as especificidades curriculares e os métodos de avaliação utilizados.

Expediente

    Edição janeiro/fevereiro – 2011


    Diretores:

    Marcos Muniz Melo
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo

    Editora Responsável:

    Fernanda Ábila – DRT 8381

    Diagramação:

    Franciele Moreira Braga

    Colaboraram nesta edição

    Alessandra Assad
    Ariana Cosme
    Casemiro Campos
    Celso Antunes
    Celso Vasconcellos
    Dalmir Sant’Anna
    Dirceu Moreira
    Dirceu Ruaro
    Domingos Fernandes
    Fernanda Ábila
    Flávia Sampaio
    Isabel Parolin
    Júlio Furtado
    Lúcia Klein
    Márcia Honora
    Nilbo Nogueira
    Thereza Penna Firme
    Zita Lago


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Sumário

    Sumário
Editorial
Edição 22


Caro Leitor

A capa desta edição traz à discussão o Projeto Político Pedagógico, este documento tão importante para definir a identidade instituicional, no qual se prevê a distância entre a escola que se tem e a escola que se quer ter. A principal questão levantada pelos especialistas é que o projeto deve ser elaborado de forma democrática, levando-se em conta as opiniões de toda a comunidade escolar: alunos, pais, professores, funcionários, diretores; afinal, todas essas pessoas irão se beneficiar das melhorias implementadas.

O que buscamos enfatizar nesta edição é o fato de que a construção do PPP vai contra a cultura do improviso, típica das escolas brasileiras, uma vez que envolve planejamento e comprometimento das instituições educacionais para definir os objetivos para melhorar a qualidade da formação que oferecem, assim como para fazer com que essas metas saiam do papel. Assim, trazemos o assunto à tona reforçando a importância do Projeto Político Pedagógico para tornar realidade os desejos daqueles envolvidos na vida escolar, fazendo assim uma escola melhor para todos.

Essa 22ª edição reservou espaço para o tema também na entrevista com o professor, psicólogo e pedagogo Júlio Furtado, na qual o especialista explora questões como as dificuldades na elaboração do PPP no atual contexto educacional brasileiro, como a falta de motivação de muitas escolas para construí-lo e colocá-lo em prática, assim como a necessidade de uma gestão democrática para que os objetivos do plano se concretizem efetivamente.

Não deixe de conferir ainda o destaque deste número da Revista Aprendizagem, o doutor em Didática, especialista na formação de professores, coordenadores e diretores, Celso Vasconcellos. O pedagogo nos conta um pouco de sua trajetória acadêmica e profissional e nos transmite sua experiência na área, abordando temas como a importância de uma boa formação docente para que este profissional possa exercer sua função de forma digna, tendo claro o que deve fazer para diminuir a distância entre o desejo e a realidade.

Nas demais páginas desta edição, acompanhe o ponto de vista de mais sete especialistas sobre o Projeto Político Pedagógico e ainda outros textos sobre assuntos como a prática docente, o fortalecimento do trabalho em equipe no sistema educacional e como começar bem o ano com um aluno com deficiência em sala de aula.

Desejamos a todos uma ótima leitura!


Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo


Diretores

Gostaria de  Saber


Pode-se dizer que o fracasso escolar, a evasão e a repetência estão relacionados à má organização do currículo, quando os conteúdos ensinados não tem relação com a realidade dos alunos?



Claudinéia Pereira Duarte – Ceará

Ai que pergunta difícil de ser respondida em poucos caracteres,… mas vamos pensar juntos! O fracasso, a evasão e a repetência escolar representam o resultado de algo que faz parte de um grande tema que é aprendizagem e ensino. Quando aprendemos, colocamo-nos em relação com o objeto a ser conhecido – o conteúdo e, mediados por uma pessoa habilitada para ensinar, o professor. O sucesso (ou fracasso) dessa empreitada está diretamente ligado ao envolvimento com o planejado e com a qualidade das relações que estabelecem os professores com seus alunos. Para bem acompanhar o processo de aprender dos alunos, que é ímpar, típico de cada um, que acontece num tempo peculiar e de uma forma diferenciada, é preciso mais que competência técnica e conhecimento prático, é fundamental o envolvimento que resulta no pareducativo. Quando se é par, tornam-se mútuas as conquistas e os fracassos, não é mesmo?

A sala de aula é um espaço cujos diferentes, com suas diferenças, se encontram e partilham os mesmos objetivos – aprender. Portanto, espera-se que o professor esteja formado na direção de entender e bem desempenhar esse importante papel, nesse incomparável lugar, que particularmente considero sagrado: a escola. Por que sagrado? Por ser onde se pode experimentar outras relações, outras verdades, outras hipóteses, outros conhecimentos em diferentes formas de manifestação cultural. Se não for envolto em uma dose cavalar de boa vontade e solidariedade (será uma porção mágica?)parece que as coisas não resultam bem.

Dito isso, a evasão e a repetência escolar estão relacionados a um todo, que se liga para além da sala de aula. Sobretudo, o bom encaminhamento das aprendizagens está conectado a um olhar cuidadoso que os profissionais da escola devem depositar sobre seus alunos -o olhar avaliativo. Esse olhar é começo de tudo, é bússola que indicará os caminhos a serem percorridos. Se ele for bem direcionado e equilibrado entre o que se pensa e teoriza e o que se faz, repercutirá em sucesso. Aliás, o fracasso escolar não é do aluno, mas de todos os envolvidos nesse processo.

A escola precisa saber a quem está ensinando (avaliação), o que está ensinando (conteúdos) e de que forma ensina (metodologia). Tudo isso constitui o currículo de uma escola, que é a coluna dorsal dos encaminhamentos educativos da instituição… o que sustenta tudo!

Voltando à pergunta formulada, respondo que um currículo que foi pensado pelos formuladores desse documento para um aluno real; que promove um ambiente socioafetivo adequado; enriquecido por metodologias contemporâneas, interessantes e provocativas; mediadas por um professor que se compromete com tudo isso, o fracasso escolar, a evasão e a repetência não aconteceriam.

Acorda! Alguns devem estar pensando… Bem, esse é o meu sonho e não posso viver sem um belo ideal a atingir!


Isabel Parolin

Pedagoga; Mestre em Psicologia da Educação; Psicopedagoga
Clínica e Consultora Institucional; Professora de cursos de
pós-graduação na área de aprendizagem; Palestrante para
professores e pais; Autora de vários livros na área.

www.isabelparolin.com.br