Revista Aprendizagem 27

Conflito de Gerações

Nesta edição você confere o debatido tema “Conflito de Gerações”, além de outros artigos, matérias e entrevistas selecionados a dedo, envolvendo o assunto que todos nós adoramos: Educação.

Confira alguns dos destaques:

 

Matéria completa sobre o temido “Conflito de Gerações”

A diferença de gerações pode trazer conflitos, mas ao mesmo tempo também traz a superação, a conquista e uma convivência com mais qualidade entre alunos, professores dentro e fora de sala de aula. Nesta matéria, você vai conhecer o ponto de vista de grandes especialistas sobre o temido e muitas vezes mal entendido “Conflito de Gerações”.

 

Confira a íntegra das entrevistas

 

 

Entrevista exclusiva com Eduardo Shinyashiki

“Uma equipe de jovens, por exemplo, pode dar vida nova a tarefas antigas, ao mesmo tempo em que aprendem sobre o seu funcionamento com os mais experientes…” Eduardo Shinyashiki”. Nesta entrevista, Eduardo comenta o conflito de gerações e o uso da tecnologia dentro de sala de aula e ainda destaca a importância de interligar o conhecimento com uma educação orientada à compreensão das diferenças, à tolerância, à solidariedade e aos valores humanos.

 

 

 

Futuro Eventos amplia, para 2012, o número de seus eventos

Para 2012, a Futuro Eventos estará em 13 cidades brasileiras realizando o Educador Futuro, Jornada de Educação e Fóruns Temáticos. Com a expertise que a empresa mantém na programação temática, realização e organização de eventos educacionais, deverá contar, para 2012, com a participação de aproximadamente 20.000 profissionais da educação que buscam, nesses encontros, uma maior qualificação nas suas áreas de atuação.

 

Capa

Uma sala de aula e várias gerações

 

É fato que a convivência entre alunos e professores, pertencentes a diferentes gerações, pode trazer conflitos para dentro da sala de aula. No entanto, é possível superá-los. Saiba como e faça da sua escola um lugar melhor.

Era uma terça-feira ensolarada de primavera em Curitiba, PR. A jovem So a, de 26 anos, estava visitando uma escola para contar às crianças do quarto e do quinto ano como era morar na cidade mais sustentável do mundo: a própria capital paranaense, mas não aquela que eles conheciam, de 2011, e sim a do futuro. De 2030. Isso mesmo, 2030. Calma, você já vai entender do que estamos falando. Antes, porém, preste atenção nesta história…

 

“Na Curitiba do futuro, o carro já não é mais o veículo de transporte preferido pela população…”, começa a contar, entusiasmada, a garota que veste uma roupa um tanto quanto diferente das que usamos atualmente. Uma roupa, digamos, futurista. Na sequência, ela emenda: “…lá, a população usa bicicletas para se locomover em dias de sol e ônibus – ou metrô – quando chove…”.

 

Segundo ela, em 2030 existem muitas ciclofaixas pela cidade e todas estão bem iluminadas e arborizadas, tornando a pedalada mais segura e agradável. E esses foram justamente alguns dos principais motivos que  fizeram com que a maioria dos curitibanos se convencesse dos benefícios de trocar o carro por uma bike.

 

Mas não é só isso. Como Sofia a salienta lá no futuro todo mundo sabe que, além de a bicicleta ser uma ótima aliada para quem quer manter a forma (e a saúde), ela também ajuda a preservar o meio ambiente, que nos “novos tempos” não sofre mais tanto com a poluição como sofria em 2011 – graças, principalmente, ao aumento da conscientização da população.

 

E por falar em meio ambiente, esse também foi um dos temas abordados por Sofia a na conversa com as crianças da Escola Municipal Michel Khury, do bairro Uberaba. Ela contou que os rios da cidade, que “antigamente” eram verdadeiros lixões a céu aberto, no futuro estão completamente limpos e até próprios para banho e pesca. Ou seja, os curitibanos (e os milhares de turistas que visitam a cidade anualmente) têm ainda mais opções de lazer.

 

Além disso, a jovem revelou às crianças “do passado” que no futuro as escolas foram remodeladas e têm equipamentos de alta tecnologia. O governo não  fica mais em um lugar só (existem vários locais onde as decisões são tomadas e os cidadãos participam das decisões importantes da cidade), a indústria local se tornou exemplo de inovação… enfim, Curitiba é, de acordo com Sofia a, uma cidade aberta, democrática, dinâmica, integrada e solidária, e é impossível não ser feliz “lá”.

 

 

 

Sofia nas Escolas

Infelizmente, porém, a realidade apresentada por Sofia ainda não é o que se vê em Curitiba. As crianças que vivem hoje na capital do Paraná veem uma cidade que ganha, cada dia, mais carros, rios sujos por todos os lados e escolas pouco estruturadas ainda são comuns. No entanto, a cidade que a jovem do futuro apresenta não é apenas uma ilusão. É um ideal apresentado pela Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) no braço “Sofia a nas Escolas” do projeto “Cidades Inovadoras”, que teve início em 2010 e com o objetivo de debater formas de estimular o desenvolvimento econômico e social do Estado para dar sustentação ao avanço do setor industrial. Fabiana Skrobot, coordenadora de projetos da Fiep, conta que Sofia surgiu para tornar o contato com as crianças de hoje (adultos em 2030) mais fácil e, até mesmo, mais lúdico. “Todo mundo sabe quais são seus direitos, mas normalmente não pensam nos seus deveres. Queremos formar cidadãos através desse projeto, e acho que estamos no caminho certo”, declara. E as atrizes Maria Fernanda Takahashi e Lubieska Berg, que já interpretaram a personagem em quase 50 escolas ao longo de um ano de projeto, são as provas vivas de que tudo vai muito bem.

 

 

Expediente

Edição novembro/dezembro – 2011


Diretores:

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

Jornalista Responsável

Patrícia Goedert Melo -DRT 4490

Diagramação:

Franciele Moreira Braga

Editora Melo

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Colaboraram nesta edição

Alessandra Assad
Alessandra Wajnsztejn
Benne Catanante
Celso Antunes
Celso Vasconcellos
Cláudio Ricardo Gomes de Lima
Dora Lúcia Fracasso da Silva
Eduardo Shinyashiki
Elson Davanzo di Santo
Fabiana Skrobot
Isabel Parolin
Joe Garcia
José Manuel Moran
Laura M. Serrat Barbosa
Luca Rischbieter
Lucy Duró
Marcelo Martins
Marcelo Sando
Maria Fernanda Takahashi
Meiry Kamia
Nadia Aparecida Bossa
Natasha Schiebel
Raylene Rêgo
Tania Zagury
Telma Pantâno
Zita Lago


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Sumário

EditorialEdição 25


Caro Leitor

 

Nesta edição, convidamos o leitor a refletir sobre a educação para as diferentes gerações de alunos que adentram nas escolas. Atualmente, questiona-se o comportamento e atuação desses jovens, que têm diferentes visões de mundo e inúmeras expectativas quanto ao desenvolvimento educacional e profissional.

 

Em educação, os conflitos ideológicos entre as novas gerações e educadores apontam para a necessidade de reavaliação de modelos educativos e das maneiras de educar e também para a necessidade de maior interação dos pais e de professores na educação dos alunos. Além disso, outros fatores como, por exemplo, a informatização na educação, põem à prova a aprendizagem no dia a dia da escola e sugerem mudanças urgentes nas metodologias aplicadas.

 

A Revista Aprendizagem reuniu aqui a opinião e a experiência de profissionais da educação para identificar e buscar soluções dos conflitos que existem entre as diferentes gerações. Na reportagem de capa, além de trazer para a discussão vários aspectos da convivência entre alunos, professores e família, apresenta-se o projeto inovador “Sofia nas Escolas”, realizado em instituições de ensino da cidade de Curitiba-PR, que busca despertar nas crianças a consciência social, ambiental e de cidadania. Na entrevista, conversamos com o consultor organizacional Eduardo Shinyashiki sobre importantes fatores emocionais, relacionais e sociais que pais e professores devem considerar para otimizar o desenvolvimento pessoal e profissional dos jovens.

 

Nos artigos desta 27ª edição, reunimos a opinião e o conhecimento de especialistas nas áreas da psicologia, psicopedagogia, neurociência, interdisciplinaridade, entre outras, para discutir, de forma ampla, as relações entre a família e escola com os chamados “nativos digitais” no aprimoramento de processos de ensino-aprendizagem para a educação do futuro.

 

A partir desta edição, apresentamos a seção Tecnologia Educacional que aborda diferentes aspectos quanto ao uso da tecnologia na sala de aula. Na seção Educação Profissional, o Instituto Federal do Ceará (IFCE), um dos mais antigos institutos federais do país, que atua de forma significativa no desenvolvimento desse Estado, nas ações voltadas à profissionalização de alunos nas áreas de ciência, tecnologia e inovação tecnológica, de forma presencial e no ensino à distância. Confira também a crônica de Celso Antunes, especialista em inteligência e cognição, que nos apresenta uma metáfora sobre o conflito de novas gerações com o modelo atual da escola.

 

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

Diretores

Gostaria de  Saber


Os adolescentes hoje são nativos digitais. Como integrar recursos das novas tecnologias ao currículo no sentido de estabelecer novas relações de aprendizagem em sala de aula?



Sonia Regina de Lima Soares – RS

As tecnologias são construídas na constituição da sociedade e da cultura em constantes intergêneses entre os grupos sociais, sobrepondo-se às técnicas conceituais, diz o educador Mário Osório Marques em sua obra “A Escola do Computador” (1999). Nesse sentido, temos que os avanços das tecnologias são realidades contextuais e inquestionáveis no atual momento histórico e as dimensões multifocais da inteligência se tornam reais a cada momento. Tudo isso estimula ao exercício de inovadoras possibilidades para a educação contemporânea.

 

Mediante tal fato, surgem novos desafios aos sistemas educacionais e aos educadores. De forma geral, cabe-nos valorizar essas inovações e tentar, na “medida do impossível”, refletir sobre os impactos causados no desenvolvimento infanto-juvenil e transitar nessas vias virtuais e digitais com competência e atitudes inusitadas, de acordo com os desafios que elas nos oferecem.

 

Educar os adolescentes, nativos digitais e transeuntes da virtualidade, inventivos e com características específicas demandadas por essas inovações, é tarefa altamente complexa e comprometedora.

 

Para não nos caracterizarmos nos “analfabytes do contemporâneo” é mister sermos capazes de integrar esses inovadores recursos virtuais e midiáticos às nossas práticas cotidianas. Tais recursos oferecidos pelas novas tecnologias e articulados ao ciberespaço e as interatividades, onde as mensagens adquirem sentidos e significados em constante renovação, deveriam ser incluídos nos planos e currículos escolares, fazendo deles aliados no processo ensinagem-aprendência e estimulando aprendizagens mais significativas e ensinagens mais colaborativas.

 

Diz Marques, na obra “Conhecimento e Educação” (1999), que dessa forma não mais se devem buscar informações para atuar sobre as tecnologias. Por outro lado, devemos entender que elas atuam sobre as informações e aceleram os saberes e os conhecimentos, manifestam competências criativas, determinam novas interações. Além disso, em sistemas altamente integrados, possibilitam interconexões em redes de possibilidades para estender as aprendizagens em grupo e de formas altamente colaborativas.

 

Portanto, a dinâmica escolar se altera em seus tempos-espaços e se revitaliza. Porém, não deve perder o foco do educar o homem, apenas suprime alguns fazeres mecanicistas e desafia a outros fazeres, mais integrativos e emancipatórios, em que cada um fica mais responsável pelo grupo e o grupo é responsabilizado por cada um. Estimulam-se, assim, o desenvolvimento de capacidades outras, de criatividades desafiadoras, de atitudes de auto-organização, autodeterminação e tomada de decisão como fatores indispensáveis ao aprendizado e ao desenvolvimento dos adolescentes da época contemporânea.


Zita Lago

Doutora em Educação;

Palestrante e docente do Grupo UNINTER/IBPEX;

Docente visitante da ULHT; Pesquisadora da FCT – Lisboa/Portugal;

Autora de obras e artigos sobre Filosofia e Educação.

zitalago@yahoo.com.br