Capa

Família, sociedade e escola: Aonde pretendemos chegar?

Um menino de doze anos de idade joga seu pacote de salgadi­nhos no meio do pátio da escola. A zeladora, que estava ao lado, indignada com a atitude, repreende o aluno:

 

- Ô, menino, a cesta de lixo está a dois passos de você. Junte o lixo que você jogou no chão e ponha lá.

 

- Não sou faxineira. – responde ele com ar arrogante, afastan­do-se do lugar.

 

A zeladora chama-o novamente:

 

- Menino, se todo mundo fizer como você, como é que vai ficar nosso mundo? Vai ter lixo por toda parte. Isso não se faz! Venha cá juntar!

 

- Você é paga pra isso, unte você. – vira as costas e sai de perto do pacote esparramado como se nada tivesse acontecido e como se ninguém houvesse lhe chamado a atenção.

 

No outro dia, a mãe do menino está na escola e pede pra con­versar com a coordenadora, preferencialmente com a presença da diretora. Ao perceber a seriedade da mãe e supondo a gravi­dade do problema, as duas educadoras dedicam uma hora para o atendimento. São duas horas de trabalho de especialistas em educação. A reclamação? “A zeladora humilhou meu filho publi­camente mandando-o fazer trabalho de peão. Espero que ela peça desculpas na frente dos amigos dele”.

 

Obviamente que a diretora e a coordenadora conseguiram, de­pois de muita conversa, convencer a mãe de que a zeladora agiu corretamente e que a atitude do filho não fora adequada. Mes­mo assim, a mãe, para perplexidade das duas profissionais, saiu dizendo: “Mas espero que esse tipo de postura de funcionários da escola não se repita”.

 

Há nessa história três grandes fontes de variáveis inter­venientes: a família, a escola e a sociedade. São influências importantes no comportamento de nossas crianças e adoles­centes, no comportamento das mães e dos profissionais que trabalham na escola.

 

Analisemos a situação na expectativa de compreender melhor as reações de cada um dos envolvidos. Para isso, vamos refletir sobre o papel de cada uma das variáveis que interferem na edu­cação da criança.

 

Família

 

Jogar lixo no pátio da escola já é, por si só, um erro. Esperar que alguém limpe a sujeira que ele mesmo fez é outro equívoco. Tratar a zeladora com desprezo é preconceito e falta de respeito. Em suma, a postura do menino indica falha na construção dos valores fundamentais.

 

A tendência natural do ser humano é voltar-se a tudo o que dá prazer e evitar a dor, o desconforto, o cansaço ou o trabalho. Poderíamos dizer que a preguiça é uma característica humana que deve ser modificada diariamente por meio de exemplos, en­sino de princípios éticos etc. Se em casa ele não precisa ajudar nas tarefas domésticas, porque a mãe ou a empregada faz tudo, então a postura de passividade em relação ao trabalho só piora, ou seja, ele não aprende o valor do trabalho e não sabe valorizar as pessoas que dão um duro danado para sobreviver.

 

Essa postura de inércia em relação ao trabalho acaba abrin­do espaço para o “umbigocentrismo”, em que o adolescente se percebe como mais importante que todas as outras pessoas, e acha suas ideias melhores e mais coerentes que as dos adultos. Esse sentimento atrapalha suas relações com os demais, pois ninguém gosta dos arrogantes e prepotentes. Como resulta­do, a solidão começa a incomodar. Para evitar tal sentimento, o adolescente, não sabendo se relacionar de forma agradável, acaba por construir uma série de comportamentos de sedução, de chantagens emocionais ou de autopiedade.

 

Transforma-se numa pessoa de personalidade fraca, já que só se relaciona por meio desses mecanismos, com medo de expor suas opiniões reais. Nem ao menos sabe qual é seu jeito próprio de ser, pois está sempre teatralizando. E personalidade fraca é a principal característica das pessoas que não têm iniciativa, não aceitam novos desafios e evitam tudo que possa ser novo.

 

Expediente

Edição maio/junho – 2012

 

Diretores:

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

 

Jornalista Responsável

Patrícia Goedert Melo -DRT 4490

 

Diagramação:

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Colaboraram nesta edição

Alexandre Ventura
Casemiro Campos
Celso Antunes
Cleo Fante
Cristina Mattos de Assumpção
Décio Moreira
Eduardo Carmello
Elson Davanzo di Santo
Eugênio Sales Queiroz
Francisco de Moraes
Frei Betto
Geraldo Peçanha de Almeida
Gilberto Wiesel
Ivone Boechat
José Pacheco
Júlio Furtado
Luiz Schettini Filho
Márcia Garçon
Marcos Meier
Maurício Apolinário
Maurício Góis
Renato Fonseca de Andrade
Samuel Lago
Sidnei Oliveira
Tania D. Queiroz


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Sumário

EditorialEdição 25


Caro Leitor

 

Nesta edição, convidamos você a refletir sobre: “Família, sociedade e escola. Aonde pretendemos chegar?”. Tal questão remete a amplos aspectos e possibilidades na relação que essa tríade provoca e proporciona entre educadores, pais e alunos, principalmente se nela considerarmos a educação como um meio de transformar o homem em um ser social.

 

Na matéria de capa, contamos com a participação do psicólogo e mestre em Educação Marcos Meier, que nos mostra um panorama sobre a família, sociedade e escola na atualidade e aponta as dificuldades desse relacionamento, as responsabilidades e deveres que cada um desses elementos possam influenciar nos jovens, no convívio e em especial no desenvolvimento escolar. Na entrevista, conversamos com o biólogo, educador e escritor Samuel Lago que nos revela um pouco de sua trajetória pessoal e profissional e nos brinda com suas reflexões sobre a educação no atual panorama educacional brasileiro.

 

Nos artigos, reunimos a opinião e experiência de educadores e especialistas de renome nacional e internacional de várias áreas do conhecimento, como Psicologia, Neurolinguística, Comunicação, Marketing, Gestão, Empreendedorismo, entre outras, para abordarem diferentes aspectos para uma educação de qualidade, pautada na inovação, transformação social e maior desenvolvimento na qualificação dos educadores.

 

Na Seção Crônica, reunimos dois importantes escritos: o especialista em inteligência e cognição, Celso Antunes que faz uma comparação da família, escola e sociedade de ontem e o que se pode esperar para o futuro dessa relação; e o filósofo e teólogo Frei Betto numa reflexão sobre a violência infantil, tema controverso que tanto aflige famílias e repercute na escola e sociedade.

 

Desejamos a todos uma ótima leitura!

 

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

Diretores

Gostaria de  Saber


Como é possível conciliar o uso de redes sociais e tecnologias nas relações profissionais e sociais?


Humberto Cardoso da Silva – RJ

O tema tem sido abordado com frequência nos debates or­ganizacionais e educacionais como um elemento de grande importância para a inserção do indivíduo na sociedade.

 

Dessa maneira, as teorias a respeito das redes sociais repre­sentam um universo interessante de elementos a ser estuda­do e compreendido.

 

Um dos conceitos estruturais da teoria é o de capital social, que considera a existência, em uma relação social, da recipro­cidade entre os agentes, da confiança mútua estabelecida e do tempo da ligação. No meu livro “Conexões Empreendedo­ras” apresento três regras de ouro para a expansão do capital social através de suas redes sociais, são elas: doação, disponi­bilidade e rastreabilidade.

 

Vamos conversar sobre a primeira. Para começar a criar inte­rações produtivas nas redes, a palavra-chave é doação, legítima.

 

Quer estabelecer um relacionamento profícuo com uma pessoa? Doe algo que interessa a ela, algo que possa ser útil. Pode ser uma informação, uma sugestão, envie algo prometi­do, lembre-se da pessoa com sensibilidade e legitimidade e faça o gesto de doação.

 

Os laços construídos com alguém a partir de doações legíti­mas e bem intencionadas são mais fortes e duram para sempre.

 

A segunda regra de ouro é a disponibilidade. Para manter a riqueza de suas conexões, estar disponível para as outras pes­soas é fundamental. Em outras palavras, é ser capaz de ofe­recer reciprocidade no momento em que os outros precisam. Nesse caso, o que vale é a rapidez do retorno, mesmo que não tenha a solução, e sim uma palavra de apoio.

 

A disponibilidade produz a mensagem “é gente com quem eu posso contar”, o que é ótimo para o fortalecimento da confiança. E lembre-se sempre, toda atitude de conexão so­cial deve ser legítima e vinda da alma. Nesses dias corridos e individualistas, agir assim é um desafio e tanto e por isso faz toda a diferença.

 

Na terceira regra de ouro o conceito-chave é a rastreabilida­de. Como é que você fará novas interações para cultivar seus re­lacionamentos se perdeu os dados de contato de todo mundo?

 

As informações sobre suas conexões profissionais e pesso­ais precisam estar organizadas. E, para isso, você tem que ser disciplinado. E também criar um método de arquivo e jamais dar-se o direito à preguiça.

 

Use a tecnologia para organizar seu banco de dados. Preste atenção às conversas, faça anotações para ter mais informa­ções sobre cada pessoa e estabeleça uma rotina para manter os contatos ativos. Por exemplo, todo dia 30, levante no banco de dados os aniversariantes do mês seguinte. Põe na agenda e envia um e-mail simpático de “parabéns” junto com uma mensagem especial no dia certo, para cada um deles.

São esses pequenos detalhes que fazem toda a diferença quando são realizados com o coração. São atitudes que com certeza contribuirão para um mundo melhor.

 

Renato Fonseca de Andrade

Doutor e Mestre em Engenharia de Produção com pesquisas nas áreas de Redes Sociais e empreendedorismo. Editor do blog www.conselheirocriativo.com.br.

renato.fonseca.andrade@gmail.com