Revista Aprendizagem 4

Capa
Edição 4


Educação Infantil valoriza o lúdico, reconhecendo sua importância para o desenvolvimento de aspectos cognitivos, sociais, emocionais, afetivos e psicomotores das crianças.

O que vou ser quando crescer? Bombeiro, astronauta, bailarina, jogador de futebol, professora… Não importa o imaginário da criança – mas que em algumas circunstâncias se transforma em realidade – que escutamos como resposta com relação ao futuro. O importante é o caminho percorrido pelos pequenos para alcançar os seus sonhos. E esta trajetória inicia quando ainda são realmente crianças, ou seja, no tempo em que brincar, além de ser permitido, é a ação mais importante para a Educação dos futuros cidadãos brasileiros.

Ser “educado e culto” é muito mais do que dominar conteúdos e “tirar” notas altas. É na Educação Infantil que atingimos o âmago da Educação, pois é nesta fase que a Pedagogia tem como preocupação fundamental os processos de constituição das crianças como seres humanos completos, em diferentes contextos sociais e culturais, desenvolvendo as capacidades intelectuais, criativas, estéticas, expressivas e emocionais dos meninos e meninas de 0 a 6 anos de idade.

Eline Vasconcelos, Coordenadora Pedagógica da Creche e Escola Casa da Tia Léa, em Fortaleza (CE), afirma que a Pedagogia da Infância precisa ser pautada no desenvolvimento infantil, isto é, deve conhecer profundamente a criança e suas necessidades. “A pedagogia da Educação Infantil deve ter uma visão integral da criança, considerando o desenvolvimento no aspecto cognitivo, psicomotor, social, emocional e afetivo”.

Eline ainda conta que o brincar é uma atividade imprescindível para a construção da subjetividade, criatividade e autonomia, pois em crianças a aprendizagem ocorre a partir da percepção sensível, isto é, dos sentidos. É o que diz o especialista em Educação Infantil, Vital Didonet. “Vendo, ouvindo, tocando, saboreando, cheirando, ou seja, tornando o objeto de aprendizagem uma experiência sensível, a criança pode apreender suas propriedades, suas qualidades, sua realidade”.

No entanto, a valorização do “brincar” nem sempre acompanhou a Pedagogia da Infância. A didática pré-escolar surgiu no Brasil sob as bases da herança da tradicional educação dos precursores europeus, com práticas e atividades com objetivos disciplinadores.

Recentemente mudaram as formas de fazer e pensar a educação das crianças, fazendo das creches e das pré-escolas espaços de relações educativas e de convívio coletivo, onde as atividades lúdicas são planejadas pelos educadores, estimulando o desenvolvimento e o surgimento de competências e habilidades dos meninos e meninas. Cristiane Schneider da Cunha, pedagoga e professora do Sesc Educação Infantil, em Curitiba (PR), explica que a sua atuação como professora segue princípios como a valorização do ser criança, a construção da autonomia intelectual, o aprender ludicamente e a vivência do tempo escolar em ambientes de infância.

“No Sesc Educação Infantil, pensamos que a criança tem que brincar, experimentar, valorizar-se, receber afeto e proteção dos adultos, ver o seu tempo de infância reconhecido, expressar suas linguagens, encontrar novidades em um mundo complexo e repleto de curiosidades.

É na escola que a criança encontra um novo lugar, no qual se reconhece em meio a outras pessoas e onde encontra novos desafios”.

Expediente

    Diretores:

    Marcos Muniz Melo
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo

    Editor Executivo:

    Marco Antonio Ferraz

    Editora Técnica:

    Sandra Bozza

    Editora Responsável:

    Patrícia Melo – DRT 4490

    Revisão:

    Daniela Fávaro, Denise Zampieri,
    Elizangela Grigoletti, Marcelo Martins,
    Maria Bernadeth F. Koteski,
    Patrícia Kwiatkowski Kochaki

    Colaboraram nesta edição

    Ana Ruth Starepravo, Ariana Cosme,
    Battista Quinto Borghi, Camilla Schiavo
    Ritzmann, Celso Antunes, Celso Sisto,
    Cleide Batista, Constance Kamii,
    Cristiane Schneider da Cunha,
    Eline Vasconcelos, Eloiza Schumacher,
    Emília Cipriano, Isabel Parolin,
    Jaime Zorzi, Lino de Macedo,
    Lizete Brudeck Cordeiro, Lu Chamusca,
    Luca Rischbieter, Lucia Fidalgo,
    Márcia Zampieri, Marco Antonio Ferraz,
    Marcos Meier, Mario Sérgio Vasconcelos,
    Mercedes Blasi, Miguel Zabalza,
    Nelson Pedro Silva, Olga Franco Garcia,
    Patrícia Melo, Regina Shudo, Rui Trindade
    Sandra Bozza, Tânia Fortuna,
    Tatiana Riechi, Vicente Assencio
    Vital Didonet.

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    Editora Melo
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Sumário

    Sumário
Editorial
Edição 4


Caro Leitor

Debater sobre Educação Infantil e Séries Iniciais é tratar da base de toda a educação escolar e familiar.

Muitos são os questionamentos, às vezes polêmicos, que inquietam pais e educadores nesta faixa etária da criança. São questões fundamentais como a da alfabetização, da socialização do indivíduo, do seu desenvolvimento motor, psicológico, emocional e cognitivo. Acrescenta-se também o desenvolvimento das inteligências múltiplas, ou ainda das condutas e procedimentos educacionais adequados, até as questões de ordem curricular, ou de formação profissional.

Não é pouco nem simples, pois essa etapa da educação formal é o alicerce de todo o restante do desenvolvimento da criança. Fatos novos, sejam eles legais, como o Ensino Fundamental com 9 anos, ou novas propostas pedagógicas, povoam as discussões dos especialistas. Aliás, a transição de “escolinha”, onde só se “guardava” a criança, para uma escola realmente compromissada com a formação completa do indivíduo, ainda é um passo incerto e incompleto.

Além disso, essa temática envolve o maior número de escolas, alunos e educadores do nosso sistema educacional público e privado. Enfim, por todas essas razões, escolhemos abordar a Educação Infantil e Séries Iniciais. Afinal, cuidar e formar a criança são os maiores papéis de qualquer educador.

A matéria de capa, duas entrevistas e vários artigos procuram contextualizar, de maneira diversificada e completa, todos os aspectos relevantes deste assunto. Selecionamos os textos de tal forma que possamos, mais uma vez, contribuir com o desenvolvimento do trabalho dos profissionais envolvidos nessa etapa da vida dos alunos. Ainda nesta edição, temos a nova seção “Crônica”, que enriquecerá ainda mais nossas publicações.

Ano novo! Novo ano letivo. Todos nós renovamos nossos propósitos, fazemos novos planos e almejamos novos sucessos e realizações. Nós, e todos os nossos colaboradores, queremos estar juntos com você para cooperar e torcer para que tudo dê muito certo.

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

Diretores

Gostaria de Sabero

    Gostaria de Saber

    A hiperatividade infantil pode ser um fator que inluencia no fracasso escolar?

    Profª Sandra Regina – Imperatriz – MA

    Escrever sobre hiperatividade infantil é escrever sobre o problema escolar do momento. Mas é importante levarmos em consideração que a presença desse sintoma tão irritante pode representar a conseqüência e não a causa do fracasso escolar.

    Virou moda justificar as dificuldades de uma criança em aprender a ler e escrever como dependente da hiperatividade. Em nenhum momento quem ensina levanta a possibilidade de que a hiperatividade do seu aluno pode ser conseqüência de uma aula chata, sem criatividade, sem nada que desperte o interesse.

    Uma criança sem limites também poderá fracassar no aprendizado, por não aceitar as regras e a contenção num espaço pré-determinado de uma sala de aula, e com isso (ou por isso) tornar-se hiperativa.

    Agora, frente a uma criança hiperativa, por apresentar distúrbios neurológicos transitórios ou permanentes, é a intensidade do sintoma que determinará o grau do fracasso escolar. Como em todo problema orgânico a expressividade da alteração pode ser representado por um espectro de cores: alguns são gravemente afetados e outros o são de forma suave.

    É possível encontrar crianças hiperativas, afetadas de forma moderada, que transitam pelo período escolar com dificuldades aceitas e controladas pelo professor. A capacidade de aprendizado, na maioria das vezes, não está afetada e a adaptação do grupo (professor e alunos) leva ao desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita, com poucos sofrimentos.

    Em outros casos, a intensidade da hiperatividade gera um desconforto tão grave que somos obrigados a aceitar o uso de medicamentos estimulantes que propiciam menor agitação psicomotora e melhor atenção. Os efeitos colaterais dessas drogas são freqüentes e podem levar a quadros agudos e crônicos de alterações da personalidade.

    Assim, de uma forma geral, podemos afirmar que a hiperatividade só influencia o aprendizado negativamente em condições de mau gerenciamento: falta de percepção de que ela é conseqüência e não causa da dificuldade em aprender; professor e colegas de sala agindo de forma excludente e falta de adequada e idônea avaliação multidisciplinar.

    Vicente Assencio

    Médico-Neurologista Infantil;
    Mestre e Doutor em Medicina;
    Autor de Vários Artigos Sobre Saúde e
    Livros na Área da Saúde e Educação.