Capa

Gestão Escolar: Existe milagre para o sucesso?

Para abrir a matéria, a equipe da Revista Aprendizagem se propôs a ouvir quem está na ponta do processo educativo: o aluno. Por isso, Isadora Faber, 13 anos, estudante da 7ª série de uma escola municipal de Florianópolis (SC), vem representar esse grupo, levantando pontos que influenciam diretamente na Gestão Escolar.

Com a Fan Page “Diário de Classe” (página de sua autoria criada em 11 de julho de 2012 em uma rede social), Isadora ficou conhecida em todo o Brasil não apenas por profissionais ligados à educação, mas também por cidadãos de diversas áreas do conhecimento, que acompanham suas postagens ou viram alguma reportagem sobre seu caso na imprensa nacional. O objetivo da página é “mostrar a verdade sobre as escolaspúblicas”. Mais de 450 mil pessoas acompanham, comentam, sugerem, compartilham e algumas criticam seus posts, que vão desde informar o que foi servido na merenda até cobrar posições da gestão da escola sobre diferentes situações que envolvem a instituição. Pelo seu impacto na relação aluno x gestor escolar, Isadora estará na Educar/Educador 2013, participando da super mesa de debates “Como é possível estabelecer uma interface criativa e construtiva entre a escola e as redes sociais?”

 

Concordando ou não com a postura da aluna, o fato é que seu exemplo mostra que mudanças estão ocorrendo no que diz respeito à gestão educacional. Elas abrangem desde o desempenho, e seus limites, dos envolvidos com a educação (governo, diretor, professor, pais, alunos e toda a comunidade escolar), até as ferramentas utilizadas para avaliação e monitoramento da gestão (como as redes sociais). Com o avanço da tecnologia e da velocidade da informação, as novas mídias são as preferidas pelos adolescentes, podendo até ser considerada uma forma moderna da participação dos alunos no processo de gestão.

 

Mas a escola está preparada para este novo tipo de diálogo? Para Isadora, não. “Os professores e a direção não querem ser questionados, tendo a ideia de que tudo se resolve dentro da escola. E isso não funciona mais. Estamos no século XXI, na era da informática e da comunicação.
Mas a escola ainda está no século XIX, no tempo do quadro negro e giz. Os alunos estão aprendendo a usar as redes para cobrar um ensino com mais qualidade, melhor infraestrutura e denunciar descasos”.

 

Para a Secretária Municipal de Educação de Foz do Iguaçu (PR), Joane Vilela Pinto, Isadora inova ao utilizar as redes sociais. “Essa ação representa uma inovação na participação da gestão escolar. Entretanto, é preciso ser bastante ético quanto às postagens e respeitar a opinião das outras pessoas. Não digo isso em relação à página da Isadora, mas
ao uso geral de instrumentos nas redes sociais”. Para a Secretária, essa poderia ser até uma oportunidade da escola motivar o envolvimento dos alunos, trabalhando temas como responsabilidade e discernimento ao lidar com essa nova era, pois é assunto vital na contemporaneidade, imprescindível social e politicamente.

 

O professor e doutor em Educação, Dirceu Ruaro, também Secretário Municipal de Educação, Cultura, Esportes e Lazer de Vitorino (PR), concorda que é preciso uma preparação muito mais intensa, por parte de todos os pares da educação, no que diz respeito ao uso das novas mídias. Por isso, seu pensamento é que, por enquanto, não é possível incluir as redes sociais em planos de gestão. “Tenho meus receios. Meu medo é que a rede social sirva como uma espécie de desabafo ou desafios de todas as partes. Nem a escola, nem os jovens e seus familiares estão preparados para o bom uso das redes.
Pode ser que daqui a algum tempo esta cultura mude. E aí sim, poderemos usar a tecnologia das redes para ganhos educacionais”.

 

Expediente

Edição setembro/outubro – 2012

 

Diretores:

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

 

Diagramação:

Fernanda Lianna Will

 

Editora Melo

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Colaboraram nesta edição

André Caldeira
Ariana Cosme
Celso Antunes
César Rinaldi
Claudia Maria da Cruz
Cláudio Marques
Cleunice M. Rehem
Dalmir Sant’Anna
Dirceu Moreira
Dirceu Ruaro
Eduardo Ferraz
Elias Lourenço
Elimar Melo
Fernando Dolabela
Frederico Porto
Guiomar Namo de Mello
Isadora Faber
Joane Vilela Pinto
José Luiz Tejon Megido
Letícia Faria Serpa [ver fotos autores]
Loireci Dalmolim de Oliveira
Lorenço Junklaus
Luiz Carlos Moreno
Marino Menossi Junior
Patrícia Melo
Patrícia Patrício
Renato Casagrande
Renato Casagrande
Rui Trindade
Soráia Pessoa Vieira
Tania Zagury
Tobias Ribeiro
Tom Coelho
Welington Sachetti
Wilson João Marcionilio Alvez


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Sumário

EditorialEdição 25


Caro Leitor

 

Nesta edição, convidamos você a refletir sobre a “Gestão Educacional e Gestão Escolar”, tema que recebe grande atenção entre secretarias de educação, diretores escolares e professores como um caminho viável para desburocratizar a escola. Numa sociedade globalizada e tecnológica, as escolas enfrentam dilemas para se adequarem as diversidades e valorização das diferenças dos indivíduos para uma gestão democrática baseada na valorização da comunidade escolar.

Na Reportagem de capa, abordamos a Gestão Escolar trazendo depoimentos de diretores de escolas públicas e privadas, secretários de educação e especialistas em Gestão Educacional que discutem e apresentam sugestões eficazes para uma eficiente administração participativa na comunidade escolar.

Na Entrevista, conversamos com o especialista em gestão escolar Tobias Ribeiro, coordenador do Programa Gestão Escolar de Qualidade, além de Secretário Técnico do Conselho Nacional de Certificação da Qualidade na Gestão Escolar, que nos brinda com suas reflexões e aponta caminhos para uma administração escolar de qualidade e capacitada para desenvolver a educação. Ainda, acompanhe a entrevista com o professor de Matemática e escritor Cláudio Marques ao discutir sobre a dificuldade de se aprender Matemática e como os educadores podem estimular nos alunos a prática do raciocínio lógico e a valorização do conhecimento para além da disciplina.

Na Seção Práticas Pedagógicas e Seção Temática trazemos autores e especialistas de destaque no cenário educacional que abordam a Gestão Educacional e Escolar sob diversos pontos de vista, além de outros temas em Educação como competências, estratégia educacionais, cidadania nas escolas, Educação a Distância, estresse no trabalho e atitude mental, entre outros.

Ainda neste número da Revista Aprendizagem, o especialista em inteligência e cognição Celso Antunes nos brinda com mais uma de suas crônicas “Um respeito à excelência”, onde questiona a necessidade da valorização da criatividade e inovação do gestor educacional. Não deixe de conferir!

 

Boa leitura a todos!

 

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

Diretores

Gostaria de  Saber


Como está a relação entre escola e família e como interage na qualidade do ensino dos alunos?


Maria do Rocio de Souza Dantas – SP

Durante muito tempo escola e família trabalharam em harmonia. Hoje, o mais comum é encontrarmos duas atitudes. Uma, de desconfiança: os pais parecem ter perdido a fé nos docentes. A outra parece considerar que cabe à escola tudo que se relaciona à educação e nada concerne à família. Zelar para que os filhos recebam ensino de qualidade é um direito dos pais, mas razão e consciência devem ser as molas-mestras das ações de todos. Urge evitar que a desconfiança floresça alimentada pela insegurança que permeia as relações sociais da atualidade. Precisamos evitar que o conflito se transforme em confronto; por isso é mister fazer compreender que, se a escola nem sempre é a ideal, por outro lado é ainda o lugar em que as crianças encontram pessoas que dedicam suas vidas à sua formação e futuro. Família e escola devem agir calcadas em fatos e jamais no disse-que-disse de corredores porque a perda de confiança em seus orientadores contamina todo o processo de aprendizagem.

Fatos desabonadores, reais ou não, ligados a instituições educacionais comprometem muito a imagem da categoria e vêm sendo denunciados seguidamente. Algumas escolas atuam de fato antes voltadas para o lucro do que para o saber, o que concorre para piorar o quadro. Outros fatores, a serem debatidos no encontro, incrementam a falta de confiança. A baixa qualidade e os resultados pífios que a educação brasileira vem apresentando no cenário mundial são duas delas.

Em meio a tanta dificuldade, porém, há ilhas de harmonia e excelência; é essencial partir de um olhar bilateral e sem preconceitos, porque a solução depende do real entendimento entre ambas, para que as novas gerações caminhem em direção ao saber e à socialização.

 

Tania Zagury

Filósofa, Mestre em Educação pela UFRJ; Professora de Psicologia da Educação, Sociologia, Filosofia e Didática; Pesquisadora em Educação; Autora e co-autora de 28 livros na área.

tania@taniazagury.com.br