Capa

Família e Escola. Fortalecimento de laços e transposição de barreiras em prol de uma formação educativa baseada em valores, respeito, responsabilidade e diálogo.

Pensar a união entre família e escola pode até parecer um pouco óbvio, pois essas instituições sociais desempenham papel fundamental na vida das crianças e deveriam caminhar em sintonia, em prol da formação do aluno, aguçando sua visão e sua leitura crítica de mundo. Deveriam. Isso nem sempre acontece, pois um dos principais desa os é encontrar o equilíbrio entre estes pares, sem transferir problemas e priorizando a aprendizagem.

Algumas escolas impõem regras, ou certos limites, à interação da família. Por outro lado, existem muitos pais que nem conhecem o ambiente escolar de que seus  lhos fazem parte, deixando-os “na esquina” nos horários da entrada e saída. Sem contar aqueles que terceirizam a educação dos seus  lhos à escola, jogando a responsabilidade para os educadores no que diz respeito a valores, limites e respeito.

Por ser essa uma relação extremamente importante no complexo educacional atual, esta edição da Revista Aprendizagem traz o tema Família e Escola, explorando na Reportagem de Capa os pontos de vista não apenas de especialistas da área, mas também de educadores e representantes de instituições educacionais. Todos conversaram sobre os benefícios dessa parceria, trazendo exemplos e debatendo algumas situações, como o uso e o avanço (até desnorteado) da tecnologia, tanto na escola, quanto em casa.

Acompanhe a reportagem e leve essa discussão para dentro da sua escola, convidando pais, educadores e alunos a debaterem sobre seus papéis, direitos e deveres. Boa leitura!

 

Expediente

Edição novembro/dezembro – 2012

 

Diretores:

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

 

Diagramação:

Fernanda Lianna Will

 

Editora Melo

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Colaboraram nesta edição

Amábile Pacios
Ariana Cosme
Brisa Teixeira
Celso Antunes
Cíntia Caldonazo Wendler
Dalmir Sant’Anna
Daniel Azulay
Daniele Vilela Leite
Débora Dias Gomes
Dirceu Moreira
Dulce Magalhães
Eduardo Carmello
Hozana Cavalcante Meirelles
Ida Regina Moro Milléo de Mendonça
Isabel Parolin
Jaime Zorzi
Júlio Furtado
Lino de Macedo
Lucy Duró
Luís Carlos de Carvalho
Márcia de Figueiredo Lucena Lira
Marcos Cordiolli
Marcos Meier
Maria do Socorro Ferreira Maia
Maria Tereza Maldonado
Mário Sérgio Vasconcelos
Marlon de Campos Mateus
Martin Messier
Mary França
Mervyn Lowe
Nilbo Nogueira
Patrícia Melo
Reinaldo Domingos
Vasco Moretto


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Sumário

Editorial


Caro Leitor

Família e Escola é o tema central desta edição da Revista Aprendizagem, assunto muito debatido no meio educacional, mas nunca totalmente esgotado. Vivemos uma época de mudanças (tecnológica, cultural, de gênero, de valores, de trabalho, de mobilidade, etc.)em nossa sociedade, que certamente resultam em re exos dentro da família, independente de sua estrutura.

Estamos preparados para acompanhar essas transformações? Nos papéis de pais e educadores, qual deve ser a nossa postura diante das crianças e adolescentes que, muitas vezes, nos surpreendem com interações, questionamentos e pontos de vista inusitados e inovadores? Certamente, o caminho a seguir é o diálogo, o conhecimento sobre o outro, bem como passar de mestre a aprendiz em frações de segundos – seja como pai, mãe ou professor.

Com as novas tecnologias cada vez mais frequentes na sala de aula e em casa, a interação social com os alunos também está em mutação. Tablets, smartphones, mídias sociais, chat, youtube, etc. são ferramentas de comunicação dominadas por essa nova geração e que podem ser a porta de entrada para uma educação mais prazerosa, dialógica e consistente. Mas, para isso, é preciso quebrar barreiras, estipular limites, monitorar e, ao mesmo tempo, incentivar. Complexo? Talvez. O importante é enxergar as possibilidades, seja como família, seja como escola.

E para que você, leitor, tenha mais subsídios para re etir sobre a importância da parceria entre Família e Escola, convidamos vários especialistas para debater sobre o tema. A entrevista especial traz Marcos Meier, que faz uma conexão entre o uso da tecnologia e sua interface com a estrutura familiar e escolar. A edição apresenta também uma crônica de Celso Antunes, artigos com Daniel Azulay, Isabel Parolin, Lino de Macedo, Júlio Furtado, entre outros. Já a reportagem de capa destaca o ponto de vista de representantes de instituições como a FENEP (Federação Nacional das Escolas Particulares) e o CONSED (Conselho Nacional de Secretários de Educação), experiências de empresários do segmento educacional e educadores que estiveram na BETT SHOW (maior feira do mundo em tecnologia educacional, realizada em Londres), um bate-papo com as especialistas Ariana Cosme e Maria Teresa Maldonado e muito mais.

 

Desejo uma ótima leitura! 

Patrícia Melo

Editora

Gostaria de  Saber


Quais são as principais barreiras que a educação brasileira enfrenta na relação família e escola? Como ultrapassá-las ou dissolvê-las?


Roberto Marques dos Santos – Campinas (SP)

Uma das maiores barreiras para colocar em prática uma saudável relação entre família e escola é a falta de diálogo. Na verdade, ambas têm um mesmo objetivo: a formação dos educandos para a vivência profissional e cidadã. O problema está no significado dado a essa “formação”.

A família vai à escola em alguns momentos especiais (festas, comemorações, entrega de notas, encontro com professores), mas, nesses momentos, pouco se dialoga sobre o projeto pedagógico da escola e sobre o projeto de educação familiar. A cultura que comanda essa relação pode ser sintetizada na sentença: os pais confiam que a escola “sabe o que faz”. Há, nesse sentido, uma perigosa transferência de responsabilidades e não uma saudável corresponsabilidade no processo educativo. A quebra dessa barreira está na criatividade da escola para promover momentos de diálogo com as famílias, para que o Projeto Político-pedagógico e o projeto de educação familiar encontrem pontos de convergência, com vistas à boa formação dos educandos.

A convergência dos projetos da escola e da família para limites e valores é um ponto vital na formação dos educandos. A importância desse foco está no fato que a formação dos jovens em idade escolar está no período da heteronomia, em busca de autonomia. Ou seja, família e escola orientam, colocam limites, fazem certa pressão sobre os educandos, para que eles compreendam que a vida em comunidade exige regras de convivência.

Em meio a tanta dificuldade, porém, há ilhas de harmonia e excelência; é essencial partir de um olhar bilateral e sem preconceitos, porque a solução depende do real entendimento entre ambas, para que as novas gerações caminhem em direção ao saber e à socialização.

A heteronomia está, assim, ligada aos limites colocados e aos valores éticos e sociais que inspiram esses limites. Esse período de formação visa à aquisição da autonomia do educando, ou seja, sua formação para agir de forma consciente e responsável em função dos valores de que ele se apropria. Esses valores éticos e sociais, bem como as regras de convivência estabelecidas como limites, precisam compor os projetos da escola e da família, na formação dos educandos.

Essa parceria pode trazer como resultado concreto a educação de um sujeito que, percebendo a coerência dos princípios e valores das duas instituições – escola e família – deles se apropria alcançando a autonomia que o levará à vivência plena da cidadania. Em sentido oposto, se o educando perceber incoerência de orientação, possivelmente desenvolverá desvios de conduta justificados por ela. Como exemplo, podemos pensar na situação da “cola” nas provas. Se a escola condena e reprime aqueles que fraudam nas provas e alguém da família reforça a atitude do “colador”, pelo interesse em vencer a qualquer custo, que opção de valores provavelmente fará o aluno?

Podemos ainda pensar na orientação que a família daria com vistas ao espírito de cooperação entre estudantes e a escola, por seu lado, fomentaria o espírito de competição acirrada para que os melhores se sobressaiam. Qual seria a opção dos educandos? A orientação contrária também poderia ocorrer: escola promovendo cooperação e a família competição. Em ambos os casos, o educando enfrentaria uma contradição perigosa e deseducativa.

 

Vasco Moretto

Mestre em Didática das Ciências; Licenciado em Física; Especialista em Avaliação Institucional; Autor de livros da área.

moretto@terra.com.br