Capa

Educação 3.0: escola do futuro chegou?

Muitas vezes, as pessoas se questionam sobre o modelo de escola que seria o ideal para seus filhos e netos. Mas se esquecem de fazer essa pergunta para os mais interessados: os alunos. Que escola as crianças e os adolescentes desejam para si, que os estimule para um aprendizado com real significado?
Para colaborar na descoberta de caminhos que ajudem o educador a quebrar barreiras e a desmitificar o que é certo ou errado no desempenho de seus papéis, e que tragam o aluno para ser o protagonista de sua vida (especialmente no âmbito escolar), a 20ª edição da Educar/Educador tem como temática a Educação 3.0, associada a uma pergunta: a escola do futuro chegou?

Para Marcos Melo, curador do evento, essa indagação permite uma re exão sobre o modelo de escola e de aprendizagem que o sistema educacional já teve, tem e que pretende ter. “A necessidade de evoluir cognitivamente é premente, justamente em função do aumento das estratégias e dos recursos tecnológicos disponíveis. Com o avanço sem precedente da tecnologia, em todos os campos sociais, entendemos que a quali cação, especialmente sobre aquilo que nos cerca no mundo educacional, é primordial para a melhoria da educação, particularmente em nosso País”.

Mas como definir este conceito, Educação 3.0? Você sabe? Está preparado? Para conversar sobre esses questionamentos, a Revista Aprendizagem produziu uma reportagem especial sobre o tema central da Educar 2013. Para isso, convidou especialistas como Mario Sérgio Cortella, Celso Antunes, Marcos Meier, Júlio Furtado, Guiomar Namo de Mello, José Pacheco e muitos outros para enriquecer a discussão e oportunizar insights para que você, educador, transforme essa teoria em prática educativa.

 

Expediente

Edição março/abril – 2013

 

Diretores:

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

 

Diagramação:

Fernanda Lianna Will / Franciele Braga

 

Editora Melo

Publicidade

Endereço: Rua Rolândia, 1281

Pinhais/PR. CEP 83325-310

Tel: 41 3033-8100

Email: editoramelo@editoramelo.com.br

 

 

Colaboraram nesta edição

Alcilene Fernandes
Alessandro Orofino
André Araújo
Antonio Simão Neto
Brisa Teixeira
Carlos Eduardo Sanches
Carlos Nepomuceno
Celso Antunes
César Nunes
Christian Rocha Coelho
Claudio Fonseca
Cristovam Buarque
Dado Schneider
Dudu Braga
Eliana Ferreira Rosa
Eliana Seculin
Eugênio Cunha
Francisco Aparecido Cordão
Guiomar Namo de Mello
Gustavo Cerbasi
Hélio Laranjeira
Jairo de Paula
João Alberto Rodrigues de Souza
Jorge Ramos do Ó
José Pacheco
José Weinstein
Júlio Furtado
Leonardo Boff
Luciane Botto
Luis Carlos de Menezes
Marcos Meier
Marcos Melo
Maria Sérgio Cortella
Ozires Silva
Patricia Melo
Paula Matos
Rosana Braga
Ruy Cezar do Espírito Santo
Saul Neves de Jesus
Selena Castelão Rivas
Solange Mata Machado
Sueli Mara Soares Pinto Ferreira
Washington Olivetto


Fale Conosco:

 

Releases, comentários sobre conteúdo editorial, sugestões e críticas para a seção CARTA DO LEITOR;

Depoimentos, relatos para a seção ESTÁ DANDO CERTO;

Perguntas para a seção GOSTARIA DE SABER.

 

Tel: 41 3033-8100

Email: revista@revistaaprendizagem.com.br

Cartas: Rua Rolândia, 1281

Pinhais/PR. – CEP 83325-310

Sumário

Editorial


Caro Leitor

O momento em que vivemos está repleto de incertezas e questionamentos, frutos de intensas transformações sociais. Mas isso não se resume ao choque de gerações ou a invenções e inovações pontuais que chegam até o nosso dia a dia. São mudanças significativas e entrelaçadas, que envolvem os âmbitos cultural, antropológico, tecnológico, educacional e muitos outros.

A partir de inúmeras possibilidades que a tecnologia oferece, pelo menos uma está impactando gritantemente nessas transformações: a forma como nos comunicamos. A partir do uso dessas ferramentas, a comunicação deixou de ser linear e passou a atuar como um verdadeiro ecossistema comunicativo, funcionando como uma grande rede, na qual todos e tudo se encontram: emissor, receptor, fonte, mensagem, vídeos, áudios, imagens, textos, além dos ruídos comunicativos.

Tudo isso reflete nitidamente dentro da escola, em suas relações e no processo de ensino-aprendizado. A criança e o jovem estão imersos nessa rede, enfrentando um ambiente escolar, muitas vezes, fora desse novo contexto social. Esse “não entendimento” resulta em posturas arcaicas e conservadoras por parte dos dirigentes escolares. Por outro lado, as instituições que percebem que é preciso transformar a educação estão caminhando para o futuro.

A partir disso, reforço o tema central desta edição da revista e da 20ª Educar/Educador: Educação 3.0 – a escola do futuro chegou? E ainda lanço novas questões: que futuro é esse, qual o seu significado? Estruturar-se tecnologicamente é sinônimo de avançar para uma educação 3.0? Para responder a essas e outras perguntas, a Revista Aprendizagem convidou, para expor seus pontos de vista, diversos especialistas da área educacional, como Mario Sérgio Cortella, Celso Antunes, José Pacheco, Carlos Eduardo Sanches, Ariana Come, Rui Trindade, Júlio Furtado e muitos outros.

 

Desejamos uma ótima leitura! 

Patrícia Melo

Editora

Gostaria de  Saber


A escola do futuro chegou para os países da América Latina?


Deborah Freitas do Nascimento – Santo André (SP)

Com algumas exceções, a escola do futuro ainda não chegou, mas sim a extrema necessidade de transformá-la existente. É urgente que essa transformação satisfaça a época em que a sociedade está vivendo, a do conhecimento e da globalização.

Essa mudança na escola deve ser realizada tanto em função das novas exigências provenientes da sociedade “externa” à educação, no que diz respeito às novas competências necessárias para os cidadãos e trabalhadores (todos, não apenas uma elite), como também em função dos próprios conhecimentos os quais têm se acumulado sobre o aprendizado, que também levam “internamente” à mudança na educação.

Richard Elmore, acadêmico da Universidade de Harvard, propõe um conceito que, em minha opinião, é essencial: o “núcleo pedagógico”. Para ele, é a chave da mudança efetiva para a formação e o aprendizado, e está relacionado a três elementos centrais: professores eficazes, conteúdos pertinentes e alunos motivados com o aprendizado. O primeiro teste pelo qual a integração da tecnologia às salas de aula das escolas terá que passar é se ela está realmente alterando o “núcleo pedagógico”, ou se é marginal a ele.

O fato é que as inovações pretendidas devem ser mais eficazes para os docentes, transmitir adequadamente os conteúdos prioritários e conseguir uma maior motivação dos alunos. Em outras palavras, é preciso ter cuidado com a possibilidade de introduzir tecnologia, sem ter um objetivo pedagógico claro.

A próxima geração de docentes deverá combinar uma formação pedagógica sólida (como se aprende) com uma formação disciplinar atualizada (o que se aprende), sem que se perca uma orientação clara sobre valores a favor do desenvolvimento integral de todas as crianças, principalmente das menos favorecidas.

Esses novos docentes também terão que estar preparados para enfrentar uma nova geração de alunos mais inquietos e abertos para o mundo, que terão sido criados, desde os primeiros anos de vida, em contato com as novas tecnologias,
além de uma revolução constante do conhecimento. Isso os obrigará, para não ficarem desatualizados, a um desenvolvimento profissional contínuo durante os 30 ou 40 anos de duração de suas carreiras profissionais.

As escolas de pedagogia têm em mãos o enorme desa o de gerar essas competências profissionais avançadas, sem perder a essência do trabalho do professor. Esta não mudou e permanece arraigada ao propósito moral de buscar, incansavelmente,
o desenvolvimento integral de seus alunos, permitindo que eles exercitem todos os seus potenciais.

No entanto, existem desigualdades nas sociedades latino-americanas, que envolvem o mundo rural e o urbano e, infelizmente, esse não é o único contraste existente. Vivemos em sociedades nas quais alguns cidadãos estão no século XXI, enquanto outros estão no século XIX. E esse é um problema que afeta diretamente a coesão social, consistindo em uma base de muitas condutas problemáticas (delinquência, problemas relacionados às drogas), além de limitar as possibilidades de desenvolvimento dos países como um todo.

Apenas as sociedades mais inclusivas, que eliminarem a pobreza, poderão conseguir ultrapassar os diversos obstáculos existentes para atingir um desenvolvimento integral. E essa mudança não pode sustentar-se exclusivamente na educação,
que alcança transformações lentas, de geração a geração. A mudança deve também ativar o conjunto das políticas sociais e econômicas.

Com algumas exceções, os governos dos países de nossa região não têm dado à docência a importância que ela realmente tem. Ouve-se regularmente que a capacidade dos sistemas escolares tem seu limite na capacidade de seus docentes, e
é sabido que os países que conseguiram avanços significativos em sua educação investiram muito, e de forma sistemática, em seus professores de sala de aula.

Entretanto, melhorias reais das condições de trabalho e de remunerações não são realizadas, a qualidade da formação inicial não é suficientemente controlada pelas instituições formadoras, e não são postos em prática sistemas de apoio profissional que realmente ampliem as capacidades dos docentes. Para obter sucesso, qualquer reforma educativa deveria começar se perguntando como conseguirá transformar a profissão de docente. A escola do futuro deve colocar esse tema
como prioridade número um.

Para isso, os diretores devem ser grandes promotores da mudança educativa em suas escolas. São eles que são chamados a exercer sua própria liderança pedagógica e também a criar condições para que muitas outras pessoas possam também exercer suas lideranças, pois a tarefa de liderar, para ser sustentável, inclui a promoção de novos líderes. Devem priorizar a programação de melhoria da escola, defendendo o fato de que a formação e o aprendizado das crianças estão no centro dos afazeres cotidianos da organização. Precisam fomentar o trabalho coletivo entre os docentes e a importância de uma cultura de colaboração e confiança, bem como estabelecer relações de colaboração com outras escolas, harmonizar os programas do governo com as necessidades e os sonhos particulares da comunidade escolar. Enfim, os diretores são a peça-chave que podem e devem fazer a diferença.

 

José Weinstein

Sociólogo; Foi Subsecretário de Educação no governo do presidente Lagos, no Chile, e também o Primeiro Ministro da Cultura daquele país; É Diretor de Doutorado em Educação da Universidad Diego Portales.

jose.weinstein@udp.cl