Capa

Inclusão Escolar: o Brasil está preparado?

Um dos pontos diagnosticados durante a reportagem sobre Educação Especial e Inclusiva foi a carência de capacitação profissional direcionada à inclusão escolar. Diretores, mães, professores, especialistas, alunos e ex-alunos com de ciência foram entrevistados e tópicos como formação docente, infraestrutura, investimentos, preconceito, escola especial x escola regular, prática para-desportiva e muitos outros foram essenciais para organizar um panorama sobre o tema. Dessa forma, o objetivo é oportunizar meios para que as pessoas reflitam, concordem ou discordem dos posicionamentos e procurem, cada vez mais, esclarecimentos sobre a inclusão escolar.

Nesta reportagem especial sobre o PNE, a Revista Aprendizagem conversou com diversos especialistas no assunto, como o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara; o relator do Plano, deputado federal Angelo Vanhoni; a presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) Cleuza Repulho; a representante da Undime no Fórum Nacional de Educação, professora Celia Vilela Tavares, entre outros.

A jornalista Claudia Werneck é idealizadora da ONG Escola de Gente – Comunicação em Inclusão. Escritora, pesquisadora, articulista e palestrante, Claudia tornou-se a primeira escritora no Brasil a ter sua obra recomendada simultaneamente pela UNESCO e UNICEF resultado do impacto da decisão que tomou em 1992. Na ocasião, após atuar como redatora, chefe de reportagem e editora de revistas e jornais de circulação nacional, começou a testar os limites de sua profissão, o jornalismo, disseminando os princípios e a prática de uma sociedade inclusiva. “Fui educada por mãe e pai professores, que me guiaram para dar um sentido social à profissão. Ou seja, ser jornalista, para mim, é atuar como um agente da História, especialmente das histórias desconhecidas, ainda não percebidas e legitimadas, como as das pessoas com de ciência intelectual. Essa foi a perspectiva que me guiou para me tornar uma jornalista especializada em direitos humanos e inclusão”.

 

Expediente

Edição Setembro/Outubro – 2013

 

Diretores:

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

 

Diagramação:

Fernanda Lianna Will

 

Editora Melo

Publicidade

Endereço: Rua Rolândia, 1281

Pinhais/PR. CEP 83325-310

Tel: 41 3033-8100

Email: editoramelo@editoramelo.com.br

 

 

Colaboraram nesta edição

Alessandra Wajnsztejn
Andrea Franceschini
Angela Maria Guerra Fonseca
Aracy Maria da Silva Ledo
Carina Cassia Zaneli
Celso Antunes
Claudia Werneck
Débora Araújo Seabra de Moura
Eliana Miada
Eugênio Cunha
Fernanda Marin
Gisele A. Lemes Vitório
Jaime Zorzi
Jane Patricia Haddad
João Vitor Mancini Silvério
Lavina Dias de Souza
Lia Helena Schaeffer Salvador
Márcia Honora
Marcos Meier
Maria do Pilar Lacerda
Maria Tereza Maldonado
Mariângela Stampa
Mariza Pan
Nívea Carvalho Fabrício
Patricia Melo
Paula Virgínia Viana Cantos
Paulo Afonso Ronca
Roberta Barreto de Oliveira
Roberta Gomide de Faria Zino
Romeu Kazumi Sassaki
Rosângela Machado
Rosita Edler Carvalho
Talita Donini
Telma Pantâno
Valmar Corrêa de Andrade


Fale Conosco:

 

Releases, comentários sobre conteúdo editorial, sugestões e críticas para a seção CARTA DO LEITOR;

Depoimentos, relatos para a seção ESTÁ DANDO CERTO;

Perguntas para a seção GOSTARIA DE SABER.

 

Tel: 41 3033-8100

Email: revista@revistaaprendizagem.com.br

Cartas: Rua Rolândia, 1281

Pinhais/PR. – CEP 83325-310

Sumário

Editorial


Caro Leitor

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), existem mais de 600 milhões de pessoas com deficiência no mundo. No Brasil, esse número já ultrapassa os 46 milhões. Mas, indo além da matemática, devemos nos perguntar: qual é a realidade dessas pessoas e de suas famílias? A inclusão ocorre na prática, seja na escola, no trabalho, na rua? Como as instituições sociais enxergam as políticas públicas que têm como objetivo o respeito à diferença e a oportunidade de igualdade para todos?

A importância de refletir sobre esse cenário, relacionando-o com o universo educacional, e propor ações para que a inclusão não seja encarada como um custo e sim como um investimento em benefício à sociedade, impulsionou a Revista Aprendizagem a lançar esta edição com foco exclusivo na temática Educação Especial e Inclusiva. A iniciativa em editar um número voltado a tal assunto surgiu, principalmente, pela demanda dos próprios educadores, leitores da revista. O tema em questão foi alvo de muitas solicitações, deixando claro que há um grande espaço para trabalhar conteúdos, depoimentos, projetos, entrevistas e orientações de cunho editorial sobre essa área.

E foi o que nos propomos. Nas próximas páginas você terá acesso a artigos de especialistas renomados, pesquisadores que se dedicam a debater, apresentar realidades e apontar caminhos para que a educação especial e inclusiva ocorra de fato. Rosita Edler Carvalho, Marcos Meier, Maria do Pilar Lacerda, Jaime Zorzi, Rosângela Machado, Márcia Honora são apenas alguns dos colaboradores desta edição. Além disso, a revista conta com uma entrevista realizada com Débora Seabra, a primeira professora do Brasil com Síndrome de Down, e também com uma reportagem que traz várias histórias e depoimentos, como o de Claudia Werneck, jornalista com atuação em direitos humanos e inclusão.

Quando recebemos os e-mails com pedidos de uma edição voltada a esse tema, percebemos o quanto os professores, e também secretários de educação e diretores de ensino, têm vontade de fazer diferente e abraçar a causa dos alunos com deficiência. Mas essa vontade vem acompanhada, muitas vezes, de dúvidas e receios. Uma das missões da Revista Aprendizagem é colaborar para que essas barreiras sejam quebradas e que a escola possa abrir suas portas a todos, vivendo o presente, preparando-se para o futuro e amadurecendo com cada aluno, com cada história de vida.

 

Desejamos uma ótima leitura! 

Patrícia Melo

Editora

Gostaria de  Saber


Cada vez mais, percebe-se a necessidade da inclusão dos alunos nas mais diversas esferas (social, racial, deficiência, sexual), mas também observamos as dificuldades das famílias e da escola em lidar com tais questões no seu cotidiano. Como tornar o ambiente escolar mais plural por meio de ações dos educadores?


Maria Pilar da Conceição – Macapá (AP)

É essencial trazer o afeto do aluno para o trabalho pedagógico. Por meio dessa ação, podemos tornar o ambiente escolar mais atraente e instigante. Entretanto, é preciso compreender que cada aluno aprende de forma diferente, cada aluno reage diferentemente diante do saber. O professor deve contar com seu conhecimento e sensibilidade para mediar a aprendizagem. O nosso ofício é essencialmente humano, mas para exercê-lo é preciso formação pedagógica.

No caso da inclusão, as questões educacionais se intensificam, porém o caminho continua o mesmo: trazer a ação desejante do aluno para o espaço escolar. Para tal, será necessário estabelecer vínculos com situações concretas da escola. Vínculos, principalmente, com a condição discente. Afinal, educar é constituir uma relação dialógica que se inicia pelo olhar sensível e instrumentalizado do professor.

Se quisermos educar, será preciso atrair. O que faz um aprendente permanecer horas diante de um computador e não suportar, muitas vezes, alguns minutos em sala de aula? O que faz uma criança aprender a utilizar de forma pro ciente as novas tecnologias digitais? São os diversos estímulos que as suas dimensões afetivas recebem. Na dialética da alma, a nossa incompletude é superada por meio do que é qualitativo. Dos diversos predicados que nos sensibilizam, o saber se completa quando é alcançado pelo amor. O amor é a sublimação do saber.

 

Eugênio Cunha

Doutorando e mestre em educação, psicopedagogo e professor da Educação Básica e do Ensino Superior; Autor dos livros “Afetividade na prática pedagógica”, “Afeto e aprendizagem”, “Autismo e inclusão”, “Práticas pedagógicas para inclusão e diversidade”, “Autismo na escola: um jeito diferente de aprender, um jeito diferente de ensinar”, publicados pela WAK Editora.
eugenio@eugeniocunha.com