Revista Aprendizagem 5

Capa
Edição 5


Ensino Público no Brasil


Busca pela qualidade na educação pública brasileira

“Desabou uma das paredes lateraes das escolas públicas estadoaes. Aquelles predeos estão precisando de grandes e urgentes reparos pelo que pedimos ao honrado governo do estado providenciar neste sentido. A parede cahiu sobre classe de bancos que ali se achava tudo estragado. Felizmente foi a noite e a sala estava vazia…”

(FONTE: www.historiadoensino.com.br)

Se não fosse a gramática portuguesa mais antiga, indicada principalmente pela grafia de algumas palavras, e pela construção mais formal das frases, poderíamos afirmar que esta solicitação ao governo de estado seria atual. Isto porque presenciamos em noticiários, freqüentemente, fatos muito semelhantes ao exposto acima. No entanto este acontecimento é do ano de 1899, no município de Leopoldina (Minas Gerais). Ou seja, o questionamento da qualidade da escola pública brasileira não é novidade. Assim como a saúde, habitação, previdência social, a educação é (ou deveria ser) uma das prioridades das políticas públicas. Porém, no que diz respeito à aprendizagem, deparamo-nos com algumas escolas totalmente abandonadas, outras com tentativas de melhorias e poucas com projetos de sucesso.

Esta edição da Revista Aprendizagem apresenta como tema central “O Ensino Público no Brasil”, com a publicação de artigos que abordam diferentes aspectos da realidade da educação pública – como gestão, atuação docente, inclusão digital e evasão escolar, entre outros. A escolha deste assunto foi um momento significativo para toda equipe da Revista, pois questões que ultrapassam o ensino-aprendizagem – como políticas públicas, orçamento, sistemas de cotas, administração e gestão escolar – deveriam ser tratadas com a mesma profundidade e qualidade teórica que sempre buscamos em nossas edições.

A matéria de capa também tem um desafio: debater sobre o ensino público brasileiro de tal forma que motive você – leitor – a refletir sobre a realidade da nossa educação pública. O objetivo aqui proposto é muito mais que encontrar respostas, e sim estimular a todos fazer perguntas para que o Estado nos responda. E, talvez, uma das questões que não se cala é: “O que podemos esperar do ensino público do nosso país?”

Expediente

    Diretores:

    Marcos Muniz Melo
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo

    Editor Executivo:

    Marco Antonio Ferraz

    Editora Técnica:

    Sandra Bozza

    Editora Responsável:

    Patrícia Melo – DRT 4490

    Revisão:

    Denise Zampieri, Elizangela Grigoletti,
    Marcelo Martins, Maria Bernadeth F. Koteski,
    Patrícia Kwiatkowski Kochaki.

    Colaboraram nesta edição

    Angela Gusso, Antonio Celso Ferreira,
    Casemiro Campos, Celso Antunes,
    Celso Vasconcellos, Claudio Sanches,
    Fernando Paulo, Herb Antônio da Silva Carlini,
    José Eustáquio Romão, José Manuel Moran,
    Julio César da Costa Alexandre,
    Liége Lana Brusius, Lizete Brudeck Cordeiro,
    Lúcia Fidalgo, Lucia Klein,
    Luiz Antonio Miguel Ferreira,
    Marcos Arruda, Marcos Meier,
    Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva,
    Marta Morais, Patrícia Melo, Pedro Demo,
    Regina Shudo, Roberto Belotti,
    Rosangela Machado, Rosita Edler Carvalho,
    Silmara Rascalha Casadei, Tânia Fantinato,
    Tânia Fortuna, Teresa Jussara Luporini,
    Vital Didonet, Zélia Maria Lopes Marochi
    e Zita Lago.

    Projeto Gráfico e Diagramação:


    Editora Melo

    Assinatura, Publicidade e Vendas

    Endereço: Rua Rolândia, 1281

    Pinhais/PR. CEP 83325-310

    Tel: 41 3033-8100

    Email: comercial@revistaaprendizagem.com.br

    Fale Conosco:

    Releases, comentários sobre conteúdo editorial, sugestões e críticas para a seção CARTA DO LEITOR;

    Depoimentos, relatos para a seção ESTÁ DANDO CERTO;

    Perguntas para a seção GOSTARIA DE SABER.

    Tel: 41 3033-8100

    Email: revista@revistaaprendizagem.com.br

    Cartas: Rua Rolândia, 1281

    Pinhais/PR. – CEP 83325-310

Sumário

    Sumário
Editorial
Edição 5


Caro Leitor

Por acreditar na qualidade da escola pública e, principalmente, nas pessoas que tecem a teia do saber, a Revista Aprendizagem desenvolveu sua edição n° 5 totalmente dedicada às reflexões e práticas na busca da construção de uma escola humanizada, capaz de promover aos seus alunos o acesso ao saber.

Apesar das mazelas e dos baixos índices de desempenho da educação básica no Brasil – amplamente divulgados – esquecemos que as escolas são feitas de seres humanos que pensam, agem, criam e recriam, a cada dia, novas possibilidades na busca da superação das desigualdades sociais.

Convivendo e interagindo com educadores por todo o país, ao longo de vários anos, compartilhando experiências e relexões teóricas, vislumbramos a possibilidade de termos uma escola de qualidade SIM. Mas é preciso uma verdadeira vontade política – vontade de educar, acreditando na humanização do ambiente escolar e, como diz Moacir Gadotti, acreditando “na boniteza do sonho, de ensinar e aprender com sentido”.

A imagem, por muitas vezes desgastada dos educadores, é fruto de um contexto historicamente criado por diversos acontecimentos, os quais passaram e ficaram despercebidos e inertes nas mãos de quem deveria ter o interesse em encontrar soluções reais para os problemas educacionais. Por isso, precisamos urgentemente acreditar nas pessoas que fazem a escola acontecer, investindo na formação continuada, na intenção da construção de novos itinerários para a educação pública do país e concentrando esforços na aprendizagem de nossos alunos.

Espera-se que a escola e as pessoas as quais imergiram na educação possam contribuir para que esta seja capaz de conduzir o indivíduo à liberdade; que todo ser humano, o qual freqüenta o ambiente escolar, esteja capacitado a viver com responsabilidade; que a educação seja um processo dialógico; que as estruturas escolares sejam adequadas e profícuas; que a avaliação escolar não seja tendenciosa; que quem ensina seja realmente capaz de ensinar; que o ato de educar não seja manipulado e, enfim, que a virtude possa ser ensinada pela vivência.

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

Diretores

Gostaria de Saber

    Gostaria de Saber

    Quais são as causas da evasão nas escolas públicas brasileiras?

    Camila Correa – Juazeiro do Norte – CE

    São várias e as mais diversas as causas da evasão ou infreqüência do aluno nas escolas públicas brasileiras. No entanto, levando-se em consideração os fatores determinantes da ocorrência do fenômeno, pode-se agrupá-las, entre outras, da seguinte maneira:
    escola: não atrativa, autoritária, professores despreparados, insuficientes, ausência de motivação, etc;
    aluno: desinteressado, indisciplinado, com problema de saúde e violência, gravidez, etc;
    pais/responsáveis: não cumprimento do poder familiar, desinteresse em relação ao destino dos ilhos, preferência pelo trabalho, etc;
    social: trabalho com incompatibilidade de horário para os estudos, agressão entre os alunos, violência em relação a gangues, etc.

    Estas causas, como já afirmado, são concorrentes e não exclusivas, ou seja, a evasão escolar se verifica em razão da somatória de vários fatores e não necessariamente de um especiicamente. Detectar o problema e enfrentá-lo é a melhor maneira para proporcionar o retorno efetivo do aluno à escola.

    Este trabalho torna-se complexo, posto que para detectar tais causas, há diversos interesses que camulam a real situação a ser enfrentada. Ao coletar informação junto aos professores e/ou diretores, muitos apontarão como causa da evasão as questões envolvendo os alunos. Estes, por sua vez, apontam como motivo a própria escola, quando não os professores diretamente, entre outras causas. Há uma troca de “acusação” quanto aos motivos determinantes da evasão.

    O importante é diagnosticar o problema para buscar a solução, já que para cada situação levantada existirá um caminho a ser trilhado. Por exemplo, no caso de violência em relação a gangues, o retorno do aluno à escola dependerá de uma atuação efetiva da autoridade policial e judiciária, ao passo que a causa relacionada à falta ou despreparo de professores implicará em medidas administrativas.

    Luiz Antonio Miguel Ferreira

    Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo;
    Especialista em direitos difusos e coletivos;
    Mestre em Educação.