Revista Aprendizagem 6

Capa
Edição 6


Dificuldades de Aprendizagem e do Ensino

Com o trabalho multiprofissional, quem ganha é o aluno

O ser humano aprende durante toda a vida e em situações diversas, sejam familiares, educacionais, sociais, profissionais, etc. E como o aprendizado é constante, as dificuldades aparecem a todo momento.

Mas, e quando essas dificuldades vêm à tona na escola? Como o professor deve lidar com essas situações? Quando distinguir dificuldades, transtornos e distúrbios de aprendizagem? E, além de todas essas questões, uma é fundamental: a dificuldade é de aprendizagem ou de ensino?

Para responder a última indagação, deve-se refletir sobre motivação e dificuldade de aprendizagem. Conceitos tão antagônicos mas que, na realidade, convivem lado a lado no cotidiano escolar, pois, muitas vezes, o que se aponta como dificuldade de aprendizagem é basicamente dificuldade de ensino. Cada aluno aprende de uma forma diferente e quando o que lhe é ensinado não o motiva, a compreensão ou o aprendizado não são completos.

Para a Doutora em Educação, Rosita Edler Carvalho, não podemos “desconsiderar que há educandos com transtornos para aprender e professores que desenvolvem práticas pedagógicas tradicionais, centradas no ensino em vez da aprendizagem e que enfrentam dificuldades com alunos que apresentam dificuldades na escola”. Rosita Carvalho explica que não se pode localizar no aluno, e somente nele, a responsabilidade pelo fracasso escolar – neste caso o transtorno é entendido como um “defeito” da criança. “Ao escolher só aluno como o foco, estaremos escamoteando as responsabilidades dos sistemas e das escolas de prever e prover a qualificação dos professores para o trabalho na diversidade, com as condições necessárias para o sucesso na aprendizagem de todos (as)”, diz Rosita.

A dificuldade de aprendizagem ocorre quando o “aprender” do aluno não se desenvolve conforme o esperado. E as causas estão em diferentes aspectos, como, por exemplo, o educacional, social, psicológico e orgânico. Isto significa que tais dificuldades podem estar relacionadas a patologias, déficits, desempenho abaixo ou acima do esperado, questões de adequação social, dificuldades em realizar transformações e lidar com o novo. No entanto, o importante é que haja a identificação do suposto problema e o envolvimento da criança, pais, professores, orientadores e profissionais especialistas no assunto.

Expediente

    Diretores:

    Marcos Muniz Melo
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo

    Editor Executivo:

    Marco Antonio Ferraz

    Editora Técnica:

    Sandra Bozza

    Editora Responsável:

    Patrícia Melo – DRT 4490

    Revisão:

    Denise Zampieri, Elizangela Grigoletti,
    Marcelo Martins, Maria Bernadeth F. Koteski,
    Patrícia Kwiatkowski Kochaki

    Colaboraram nesta edição

    Alessandra Wajnsztejn, Ana Claudia Moya, Ana
    Maria Escobar, Carina Cássia Zaneli, Carla Martha
    Jakel, Celso Antunes, Cezar Braga Said, Cíntia
    Alves Salgado, Cristiane Aparecida Martin Bianco
    Perini, Cristiano Gomes, Denise Ladik Antunes,
    Egídio Romanelli, Eliane Lobo, Elizabeth
    Sanchez, Erica Degasperi Guilhen Cardoso,
    Evelise Portilho, Fernanda Regina de Souza,
    Gislaine Coimbra Budel, Irene Marchesan, Isabel
    Parolin, Jaime Zorzi, Júlio Furtado, José Leopoldo
    Vieira, Josef Bukstein Vainboim, Joyce Munarski
    Pernigotti, Ketlyn Gil Garcia, Laura Monte
    Serrat Barbosa, Lucimara Laforé Lopes, Marcelo
    Gomes, Marcos Meier, Mari Ivone Misorelli,
    Maria Cristina Bromberg, Maria Cristina Natel,
    Maria Inês Abranches de Oliveira Santos, Maria
    Isabel Bellaguarda Batista, Mariza Pan, Marta
    Morais, Márcia Toledo, Nívea Carvalho Fabrício,
    Patrícia A. Crenitte, Patrícia Melo, Regiane
    Crippa, Rosangela Machado, Roseli Saad, Rosita
    Edler Carvalho, Rubens Wajnsztejn, Salua Farah,
    Sandra Bozza, Saul Neves de Jesus, Simone
    Aparecida Capellini, Simone Carlberg, Tatiana de
    Sá Riechi, Telma Pantâno, Vera Lucia Germano
    Sicuro, Vera Zimmermann e Vicente Assencio.

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    Editora Melo
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Sumário

    Sumário
Editorial
Edição 6


Caro Leitor

Seguindo a Filosofia de tratar de forma peculiar as temáticas selecionadas, destacando-as como matéria de capa, a Revista Aprendizagem reservou espaço nesta edição ao tema dificuldades de aprendizagem e do ensino.

O ponto-chave desta idéia, foi a experiência obtida por nós na Futuro Eventos, uma das empresas do Grupo Futuro do qual a Editora Melo também faz parte, que ao longo de 15 anos de atividades na área pedagógica com inúmeros congressos, palestras e cursos abordando o referido conteúdo, percebemos a necessidade crescente de aperfeiçoamento docente na temática, destacando-se sempre como uma das atividades mais procuradas nesses encontros.

As dúvidas não param. Porém a evolução teórica e prática sobre as abordagens é cada vez mais dinâmica, atraente, surpreendente e fascinante.

Em todos os níveis de educação deparamo-nos com diversos problemas de aprendizagem e do ensino. Os questionamentos seguem: o que fazer? como fazer? a quem recorrer? de quem é a culpa? E daí em diante.

Definida a linha editorial da 6ª edição, como contribuição ao nosso leitor trouxemos diversas matérias que tratam essas questões, preparadas por profissionais das mais variadas especialidades.

Como pais e professores sabemos que existem soluções. Elas se encontram na escola, nas equipes de apoio, na família e na sociedade. Uma boa dose de compreensão, envolvimento e dedicação, aliada ao compromisso com o “saber”, farão com que todos os envolvidos atinjam seus objetivos.

A qualificação profissional contribuirá em muito para o sucesso do educando, porém a família e a escola são peças fundamentais nesse cenário. Por todos esses aspectos, a leitura da 6ª edição torna-se de interesse e importância a todos os participantes no ato de ensinar.

Até breve!

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

Diretores

Gostaria de Sabero

    Gostaria de Saber

    Quais as intervenções psicológicas e psicopedagógicas utilizadas nas diiculdades
    de aprendizagem?

    Rogério Barbosa da Costa – Rio de Janeiro – RJ

    O presente questionamento nos transporta a uma das mais persistentes reflexões que acompanho em reuniões clínicas e escolares. A contextualização quanto ao papel da psicopedagogia e da psicologia é palco de muito questionamento quanto às fronteiras da intervenção. A forma como ambas irão exercer seu papel será norteada pela formação acadêmica, pela história pessoal e experiência profissional, podendo estar alicerçada por diferentes pressupostos teóricos no seguimento das intervenções.

    Outro fator de fundamental importância é a realização de uma avaliação interdisciplinar, a qual poderá determinar a etiologia das dificuldades de aprendizagem e nortear os aspectos de maior necessidade de intervenção no ato de aprender. As dificuldades de aprendizagem podem estar associadas ou serem secundárias a outros quadros, cabendo na intervenção psicológica não somente atentarmos para os sintomas, mas também ao quadro primário que desencadeia tais dificuldades. Pode-se citar, como exemplo, uma criança que apresenta dificuldade de aprendizagem decorrente de um quadro de depressão, ansiedade de separação, stress pós-traumático e outros.

    O psicólogo pode intervir visando análise, interpretação e conscientização, solicitando, quando necessária, uma abordagem médica no acompanhamento, orientação escolar bem como estratégias de enfrentamento e reflexões das possíveis crenças irracionais que circulam a psicodinâmica do quadro de base e a formação reativa da dificuldade escolar. O psicopedagogo, seja ele psicólogo, pedagogo, fonoaudiólogo, ou outros, poderá também atuar no campo clínico e institucional na intervenção e prevenção. Na prevenção orientando metodologias, aspectos didáticos, estrutura de ambiente de estudo e tudo que circunda a inter-relação curricular e o indivíduo.

    Na condição da dificuldade de aprendizagem já manifesta, a intervenção clínica poderá promover espaço para que o aprendiz não somente conheça a sua dificuldade, mas buscar estratégias de progresso, trabalhando na busca do desejo de aprender, de explorar, de encontrar estratégias que promovam iniciativa, espaço para interpretação, autocrítica, análise e síntese, relacionar conteúdos escolares com sua vivência e bloqueios na aprendizagem. Além disso, pode auxiliá-lo a detectar os momentos diários de maior rendimento, os motivos que o levam a apreciar determinadas matérias e professores, bem como permitir estratégias de jogo lúdico e tarefas em que o aluno possa experimentar o errar, o reconstruir e, acima de tudo, ser autor de seu conhecimento.

    Alessandra Wajnsztejn

    Psicóloga; Psicopedagoga;
    Coordenadora do Grupo de Transtornos de Aprendizagem
    e Dislexia da Faculdade de Medicina do ABC.