Revista Aprendizagem 9

Capa
Edição 9

O que lemos e escrevemos?

Em um país onde o índice de analfabetismo ainda é grande, é preciso estimular o educando a ir além do “saber escrever”. É hora de devolver o mistério da infância, oferecendo o prazer da leitura e abrindo a porta não só para o conhecimento como também para o desconhecido.

“O pequeno príncipe escalou uma grande montanha. As únicas montanhas que conhecera eram os três vulcões que lhe batiam no joelho… ‘De uma montanha tão alta como esta’, pensava ele, ’verei todo o planeta e todos os homens…’ Mas só viu pedras pontudas, como agulhas… Mas aconteceu que o pequeno príncipe, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu, enfim, uma estrada. E as estradas vão todas em direção aos homens.”(Trecho do livro “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry).

Essa obra literária que, incansavelmente, envolve milhares de crianças desde sua primeira edição, em 1943, é um retrato do significado da leitura na vida das pessoas. Certamente “O Pequeno Príncipe” é um livro para criança, mas também é um livro de adulto, pois devolve ao homem o mistério da infância, retornando-o aos sonhos, à lembrança de questionamentos e desvelando as incoerências acomodadas (quase já imperceptíveis na pressa do dia-a-dia).

O que falta para o Brasil ser um país de “bons leitores” e “bons escritores”? O que acontece com muitas de nossas crianças que, ao ingressarem no Ensino Básico, deixam de lado o encantamento e a magia dos livros e os enxergam como um “incômodo” para o fim de semana? E os pais? Qual o papel da mãe e do pai para a formação do hábito e do gosto pela leitura de seus filhos?

A nona edição da Revista Aprendizagem traz um dos assuntos sociais brasileiros mais polêmicos: o que nosso país lê e escreve?

Esse problema (pois o Brasil está muito além do desejado no que diz respeito à alfabetização e ao letramento) não está apenas no âmbito educacional. Já se tornou um fato social a partir do momento que está, também, fora da sala de aula – está nas ruas, nas conversas entre as pessoas, no ambiente corporativo, na publicidade, no jornalismo e dentro da casa de muitos de nós.

Expediente

    Diretores:

    Marcos Muniz Melo
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo

    Editora Responsável:

    Patrícia Melo – DRT 4490

    Revisão:

    Marcelo MartinsMaria Bernadeth F. Koteski

    Colaboraram nesta edição

    Alessandra Prata, Alicia Fernández,
    Alyne Renata de Oliveira , Ana Ruth Starepravo,
    Angela Batista, Angela Gusso,
    Antônio Augusto Gomes Batista, António Nóvoa,
    Ariana Cosme, Carmen Silvia Carvalho, Casemiro Campos, Celso Antunes,
    Domingos Fernandes, Egídio Romanelli,
    Elisa Dalla-Bona, Elvira Souza Lima,
    Emília Cipriano, Fátima Gusso Rigoni,
    Gabriel Junqueira, Graciela Tramontina Poletto,
    Guiomar Namo de Mello, Isabel Parolin, Jaime Zorzi, José Eustáquio Romão,
    Júlio Furtado, Laura Monte Serrat Barbosa,
    Léa Depresbiteris, Liége Lana Brusius,
    Liliamar Hoça, Lino de Macedo,
    Luca Rischbieter, Lúcia Fidalgo, Lucia Klein,
    Luiz Carlos Cagliari, Luiz Percival Britto,
    Márcia Porto, Marco Antonio Ferraz,
    Marcos Meier, Mario Sérgio Vasconcelos,
    Marta Morais, Miguel Zabalza,
    Patrícia Melo, Pedro Demo, Regina Shudo,
    Rui Trindade, Sandra Bozza, Terezinha Rios,
    Thania Asinelli, Thereza Penna Firme,
    Vasco Moretto, Vera Lúcia Ferronato,
    Victor Augusto Iannuzzi Corrêa, Yves de La Taille e Zita Lago

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Sumário

    Sumário
Editorial
Edição 9

Caro Leitor

Acreditamos que nós, humanos, somos o único ser vivo que necessita de duas gestações: a biológica e a cultural. Esta última – ao contrário da biológica, que tem prazo determinado – dura a vida inteira e obedece a diferentes ritmos. Depende sempre do meio social, da intencionalidade do grupo que acolhe o ser humano embrionário, do senso de discernimento do mediador e, sobretudo, da consciência do aprendente frente a esta escola, que é a vida.

Ao conferirmos as produções intelectuais editadas neste número fica explícita a incompletude mencionada por Paulo Freire: Como sabemos pouco! E quanto precisamos aprender!

Todavia, sabemos também que o avanço na área educacional exige este passo: a assunção de que um educador necessita dos conhecimentos hospedados em inúmeras áreas do conhecimento humano, pois a lida com o desenvolvimento do educando pressupõe uma visão de totalidade que nos permita contemplar e possibilitar a expansão de todo seu potencial. E isso não ocorre senão a partir da capacidade da leitura.

É por essa razão que reunimos profissionais muito preocupados com a situação brasileira de leitura no que tange aos adultos e no concernente à metodologia de ensino e suas conseqüências nada satisfatórias no âmbito nacional e internacional.

Os aspectos filosóficos e metodológicos colocados à luz, nesta edição, intentam desvelar os mais diversos saberes que os educadores necessitam para poder desempenhar sua função da melhor forma e sobre o processo de aquisição da lecto-grafia, pois acreditamos que quanto mais ampla for a reflexão sobre o assunto, maiores serão as possibilidades de êxito nesse trajeto.

Nosso objetivo é apresentar as idéias produzidas sobre o assunto, pautadas pelo rigor científico e dinâmico que requer a aprendizagem de novas práticas educacionais relacionadas ao ensino da leitura e da escrita.

Sintam-se presenteados com mais esta iniciativa da revista que tem como meta contribuir para a pratica pedagógica dos professores brasileiros.

Até breve!

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

Diretores

Gostaria de Saber

    Gostaria de Saber

    Quando podemos considerar uma criança alfabetizada?

    Leonora Cordeiro – Rio Grande do Sul

    Sabemos que o processo da alfabetização não se completa nunca, visto que a sociedade está em contínua evolução. Portanto, de acordo com Magda Soares, “não basta saber ler e escrever, é preciso saber fazer uso do ler e escrever, saber responder às exigências de leitura e escrita que a sociedade faz continuamente” (“Linguagem e escola. Uma perspectiva social”, 1997). Dessa forma, a escola precisa estabelecer critérios muito claros para formar esse sujeito letrado.

    Assim, é fundamental que, desde o início da escolaridade, o aluno reflita sobre gêneros textuais variados, seja no aspecto do significado (totalidade, relações intertextuais, momento histórico), como no estudo dos elementos lingüísticos. Estes só terão sentido a partir do texto, pois apenas nessa dimensão é possível transformar um sistema de signos em um sistema de significados.

    Como a alfabetização é um processo contínuo, pode-se estabelecer algumas diretrizes (de forma breve, aqui), desde que se leve em conta o nível da turma e a caminhada de cada criança: em primeira análise, ao fim de um ciclo ou da segunda série, por exemplo, espera-se que o aluno narre, com relativa objetividade, suas experiências pessoais; que reproduza e discuta o que ouviu, assistiu e/ou leu; que reconheça e compreenda, ao ler, o objetivo do texto e a quem se destina; que expresse suas idéias, na linguagem oral e escrita, de diferentes formas (desenhos, gestos, encenações, bilhetes, convites, listas, informativos, histórias em quadrinhos); que transforme um determinado gênero textual em outro; que use e reconheça as letras do alfabeto para suas tentativas de escrita; que perceba a segmentação das palavras; que utilize alguns elementos coesivos; que empregue adequadamente as letras maiúsculas e minúsculas; que perceba a função dos sinais de pontuação, dos sinais gráficos, e que tenha noção da necessidade das concordâncias verbal e nominal.

    A aquisição desses e de outros conteúdos se dá, evidentemente, de forma gradativa e cada vez mais aprofundada ao longo dos anos/séries posteriores.

    Cabe ressaltar que a intervenção do professor, no processo de alfabetização/letramento do aluno, é imprescindível. Isso porque a função dele, bem como da escola, é a de “ensinar”, no sentido de alertar, levantar questões, levar à reflexão sobre os fatos da língua, levando em conta as diferentes trajetórias e o “tempo” de cada um.

    Thania Asinelli.

    Doutora em Educação; Docente em cursos de alfabetização.