Revista Aprendizagem 10

Capa
Edição 10

Educação de Qualidade

Que caminho os educadores devem seguir para alcançar esse grande desafio educacional brasileiro?

“Propostas pedagógicas
diferenciadas, servindo aos
mais diferentes interesses
e conteúdos curriculares
descontextualizados fazem dos
Projetos Políticos Pedagógicos,
da maioria das escolas
brasileiras, uma verdadeira
colcha de retalhos”
Dirceu Ruaro.

Escrever sobre educação de qualidade deveria ser, à primeira vista,no mínimo redundante, pois uma “educação” sem qualidade, não seria “educação”. No entanto, convivemos com um sistema educacional que abre portas para diversos tionamentos sobre “como anda a QuALIDADE” dentro das escolas brasileiras – sejam públicas ou privadas.

Assistimos a inúmeras notícias, em diferentes meios de comunicação, sobre problemas que envolvem professores, alunos e comunidade escolar, como a violência, ausência de qualificação dos professores, evasão escolar e recursos escassos (desde livros, carteiras, salas de aula, espaço para a prá-tica de esportes, informatização, entre outros). Através dessa realidade, que vêm à tona cotidianamente, é que se reflete e se chega à conclusão que educação de qualidade, dentro do contexto brasileiro, não soa como uma redundância.

Como chegar, então, a um consenso referente à qualidade, uma vez que seu conceito é subjetivo e relacionado às percepções de cada indivíduo? Ou seja, um diretor de determinada escola pode ter como diretriz de sua gestão ações estratégicas que visam a um conceito de qualidade, mas que nem sempre é igual, ou semelhante, à visão do professor, dos pais, dos alunos, dos representantes governamentais e da comunidade..

Para discutir sobre esse tema polêmico do sistema educacional brasileiro, levando ao leitor um caminho para a reflexão e um incentivo para a busca de bibliografias e debates sobre o assunto, a Revista Aprendizagem conversou com especialistas da área, os quais explanaram sobre gestão escolar, educação emancipadora, qualidade para os pais e professores e propostas pedagógicas..

Expediente

    Diretores:

    Marcos Muniz Melo
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo

    Diretor de Redação:

    Robson Silva – DRT 6463

    Jornalista Responsável:

    Patrícia Melo – DRT 4490

    Revisão:

    Marcelo Martins
    Maria Bernadeth F. Koteski

    Colaboraram nesta edição

    Almerindo Afonso, Ana Ruth Starepravo,
    Camilla Schiavo Ritzmann, Casemiro Campos,
    Celso Antunes, Celso Vasconcellos,
    Clóvis Lopes Junior, Dirceu Ruaro,
    Isabel Parolin, Júlio Furtado,
    Luca Rischbieter, Lucia Klein,
    Marco Antonio Ferraz, Marcos Meier,
    Michele Cidreira Sallum, Myriam Viegas Tricate,
    Nívea Carvalho Fabrício, Patrícia Melo,
    Pedro Demo, Roberto Schorr,
    Robson Silva, Rui Trindade,
    Terezinha Rios, Thereza Penna Firme,
    Zita Lago.

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Sumário

    Sumário
Editorial
Edição 10

Caro Leitor

Todas as publicações da Editora Melo, revistas e livros, sempre tiveram, e têm, o compromisso de contribuir com a qualidade da educação brasileira. Por atuarmos na área educacional, convivendo há mais de 15 anos com educadores de todo o território nacional, conhecendo as escolas e suas distintas realidades educativas, percebemos que a busca pela qualidade na educação e melhoria no desempenho dos alunos é quase uma voz uníssona cantada pelos quatro cantos desse imenso país.

Certamente, a intenção de todas as escolas é oferecer o melhor ensino e a melhor educação, mesmo com as diiculdades, desaios e obstáculos que marcam o cenário educacional brasileiro. Porém, é fundamental ressaltar que muitas experiências de sucesso na área educacional se devem à garra e competência dos educadores, daqueles que estão e são a própria sala de aula, que empenhados na sua tarefa e missão de promover a aprendizagem dos educandos, lutam, sonham, enchem-se de esperança em ver um país mais humano e, por isso, lutam dioturnamente para que suas escolas e o ensino tenham a melhor qualidade.

Por essa razão, a Revista Aprendizagem, na sua 10ª edição, apresenta por meio de seus colaboradores, jornalistas, articulistas e especialistas, uma pauta reservada para discutir e reletir sobre os caminhos de uma escola de qualidade, apresentando práticas e conceitos que têm dado certo em diferentes regiões brasileiras, traçando assim alguns percursos que levem todas as escolas a serem nem mais e nem menos do que “nota 10”!.

Até breve!

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

Diretores

Gostaria de Saber

    Gostaria de Saber

    Por que temos uma desigualdade no aproveitamento escolar?

    Maria da Graça Rezende – Ceará

    “O Rodrigo é uma incógnita!”, “A escola não conseguiu atingir o Rodrigo!”, “Rodrigo, você é lento, precisa se esforçar para não ficar atrás!”.

    Foi assim que uma professora justificou a reprovação de um menino de 6º ano cuja mãe, inconformada, tentou mostrar em vão à escola evidências eloquentes de sua capacidade singular, no desenho livre e em vários outros talentos característicos da inteligência espacial e que possivelmente os professores não perceberam. Quem merece a reprovação?

    Somos nós educadores quando não levamos em conta as diferenças individuais das crianças e dos jovens no seu tipo de inteligência, ritmo de aprendizagem, estilo de ser ensinado, motivação, estado emocional e outros tantos fatores que fazem os alunos diferentes.

    Assim, a desigualdade faz sentido se entendermos que os alunos não são, por natureza, iguais, mas têm igual direito de aprender, por meio de um ensino de qualidade que respeite a desigualdade no tempo de ensinar e de aprender, e a igualdade na garantia do sucesso no aproveitamento escolar.

    Lamentavelmente, por um processo inconsciente e apesar das boas intenções de quem educa, o aluno é vitima da “profecia que se cumpre por si mesma” (Coladarci, A.P., “The Self-Fulilling Hypothesis and Educational Change,” 1966, 9, 146-150), quando falsas expectativas de fracasso são atribuídas a alunos por não se acreditar antecipadamente na possibilidade de um bom resultado escolar, o que contribui para prejudicar sua autoestima e, consequente e inconscientemente, provocar um comportamento no aluno, condizente com a expectativa. Melhor seria que o educador se enganasse, ao projetar sempre uma expectativa elevada sobre seus alunos. O resultado seria, com certeza, positivamente surpreendente.

    E até mesmo quando parecemos estar atendendo a diferenças necessárias para assegurar a igualdade de oportunidades, nos deparamos com situações sumamente delicadas que podem passar despercebidas. – um menino pobre de dez anos ganhou uma bonita bola na festinha de Natal. Embora o presente tivesse sido corretamente diferenciado, em relação às meninas, o menino estava triste porque queria trocá-lo pela “caneta” (era um conjunto de canetas coloridas também distribuídas aos meninos) “E por quê?” Perguntei-lhe. E ele me disse com irmeza: “Porque quero desenhar… ”. Era uma diferenciação mais sutil ainda do que a de gênero.

    Melhor será quando nós educadores formos também respeitados em relação às nossas diferenças individuais, merecendo tratamento igualitário no direito ao sucesso.

    Thereza Penna Firme

    Mestre em Psicologia Educacional; PhD e Mestre em Educação e Psicologia da Criança e do Adolescente.