Revista Aprendizagem 11

Capa
Edição 11

Limites e Indisciplina

Qual é o papel da escola para o aprendizado autônomo de seus alunos?

Limites e indisciplina. Pautas frequentes nas rodas de conversas e debates de muitos professores, que desabafam entre si e tentam chegar a uma solução com relação “a este ou aquele” aluno, o qual desafiou o professor em sala de aula, provocou o colega com piadas ou empurrões, se recusou a fazer a tarefa ou então que insiste em carregar entre seus pertences escolares, o telefone celular ou MP3.

Convivemos em uma sociedade onde, cada vez mais, os filhos são frutos de pais e mães que ficam fora de casa praticamente o dia todo devido à concorrência do mercado de trabalho. Além disso, essas crianças nascem e crescem com a tecnologia muito presente em seu dia-a-dia, com milhões de possibilidades de acesso à informação.

Mas o que uma coisa tem a ver com a outra? Tudo. A falta de limite e o excesso de indisciplina, que começam em casa e se estendem à escola, podem extrapolar os desabafos rotineiros das rodas de professores e, muitas vezes, chegam a casos extremos, alcançando a violência, seja física ou psicológica, como é o caso do bullying.

Esta edição da Revista Aprendizagem tem como responsabilidade trazer para discussão um dos assuntos mais polêmicos das escolas de todo o mundo – inclusive as brasileiras: limites e indisciplina. Uma das principais perguntas que devem ser formuladas pelos próprios pais e educadores é: “quais as reais consequências de um ‘sim’, que deveria ser um ‘não’, ou de um ‘não’ que não tem mais sua força e seu sentido?” E, além disso, que adulto será meu filho ou aluno se ele não tiver limites desde a sua primeira infância? Para refletir sobre esse tema, começamoscom a história do Flávio*, que hoje tem 18 anos e se esforça para espantar as sequelas do bullying, do qual foi vítima desde os primeiros anos da Educação Básica.

Expediente

    Diretores:

    Marcos Muniz Melo
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo

    Jornalista Responsável:

    Patrícia Melo – DRT 4490

    Revisão:

    Denise Zampieri
    Marcelo Martins
    Maria Bernadeth F. Koteski
    Patrícia K. Kochaki

    Colaboraram nesta edição

    Celso Antunes, Celso Vasconcellos
    Cezar Braga Said, Edileide de Souza Castro
    Fernando Francischini, Gislaine Coimbra Budel
    Içami Tiba, Isabel Parolin
    Ivan Roberto Capelatto, Jaime Zorzi
    Jan Nowak Neto, Joe Garcia
    Júlio Furtado, Kátia Xavier
    Laura Monte Serrat Barbosa, Lígia Guerra
    Marcos Meier, Maria Tereza Maldonado
    Mariana Nogueira, Mariza Pan
    Maura Cristiane Balbinot, Max Haetinger
    Meire Fava Emery, Nelson Pedro-Silva
    Nívea Carvalho Fabrício, Patrícia Melo
    Robson Silva, Sandra Bozza
    Sandra Vieira de Almeida, Tania Zagury
    Terezinha Rios, Thereza Penna Firme
    Vasco Moretto, Yves de la Taille.

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    Editora Melo
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Sumário

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Editorial
Edição 11

Caro Leitor

Seguindo a filosofia de contribuir com temas ligados à prática pedagógica e ao dia-a-dia da escola, a Revista Aprendizagem, na sua 11ª edição, optou por trazer aos educadores a discussão e o compartilhar de conhecimentos de uma temática tão presente na escola e no cotidiano das pessoas: limites e indisciplina.

Viver harmoniosamente nos espaços educativos, junto à família e à sociedade, promovendo o acesso ao ensino de qualidade e o convívio com segurança, torna-se o objetivo principal no trato dos comportamentos inadequados de indivíduos que, muitas vezes, não compreendem a função da escola, dos pais e seu papel como cidadão.

Procuramos então nortear o projeto editorial com propostas e relatos apresentados de forma multiprofissional, por especialistas de destaque nacional que estudam, pesquisam e atuam diariamente com esse tema. Por isso, fazem crer que o fato de compreender a questão disciplinar em todos os seus atributos, analisados por meio de múltiplos olhares, poderá sim produzir aprendizagem e aferir bons resultados em todas as situações.

Essa contribuição editorial na discussão do referido tema deverá servir como reflexão a todos que estão ligados à problemática. Sem dúvida o assunto necessita ser continuamente debatido e estudado pela escola, pela família bem como pelos outros segmentos da sociedade.

Além disso, nesta edição a Revista Aprendizagem apresenta uma nova seção denominada de “Destaque na Educação”. Para nós, é um grande prazer levar aos educadores do Brasil alguns fatos e detalhes de vida de uma das maiores educadoras do Brasil, a carioca Thereza Penna Firme que, no auge dos seus 80 anos de idade, e muitos deles dedicados ao Magistério, nos dá um exemplo de força, confiança, amor pela profissão, lucidez, esperança e, acima de tudo, muita alegria.

Boa leitura e até breve!

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

Diretores

Gostaria de Saber

    Gostaria de Saber

    O vínculo interfere na indisciplina?

    Maurici Rafael Toledo – São Paulo

    Entre as funções do processo educativo, do qual a escola é parte importante, destacamos o ensinar a pensar, a produzir conhecimentos, a solucionar problemas e a interagir socialmente. É natural que essa escola se torne um espaço privilegiado de questionamento aos valores vigentes. Assim, parece natural que a indisciplina seja parte do seu cotidiano.

    A indisciplina há muito tempo foi incorporada ao ambiente escolar, tornando-se uma das principais questões com as quais os educadores precisam lidar todos os dias. Impõe-se o desafio de manejar essa realidade sem que se torne um fator de dificuldade e até mesmo de impedimento do processo educacional.

    Existem alguns alunos – crianças e adolescentes – que apresentam ao longo de seu percurso, dificuldades de adaptação ao cotidiano escolar e trazem em seus currículos fracassos acadêmicos e sociais. São os denominados “alunos difíceis”, aos quais estão paralisados em uma postura de (in)disciplina que impede seu pleno desenvolvimento.

    Isso causa preocupação, pois se percebe que esses alunos se relacionam com futuras dificuldades de lidar com as próprias frustrações, que impossibilitam a luta pelo sucesso pessoal ou profissional em sua futura inserção na sociedade.

    A longa experiência clínica e escolar permite concluir que um dos grandes diferenciais do processo educativo é o vínculo entre o ensinante e o aprendente, pois se sabe o quanto a (in)disciplina está relacionada a angústias, inquietações e também com as fantasias de rejeições e de incapacidade do educando, entre outros sentimentos. Percebe-se, além disso, que na maioria das vezes o limite imposto, ou seja, o enquadre seco, tende a acentuar os problemas ao invés de contê-los.

    “Para aprender são necessários dois personagens, o ensinante e o aprendente e um vínculo que se estabelece entre ambos.”
    Fernández e Pain

    O que fazer? Se questões de aprendizagem estão relacionadas com o momento do indivíduo, o ideal é trabalhar com a premissa de que, havendo vínculo, é mais fácil que o professsor desenvolva a capacidade de escuta do que o aluno pretende transmitir, e possibilite a ele que se sinta compreendido e entendido em seu sofrimento, mesmo porque indisciplina e incompreensão caminham juntas. Para quebrar essa dinâmica, é necessário entender o que nossos alunos estão tentando nos comunicar com suas recusas diante dos conteúdos pedagógicos, com sua rejeição aos limites e com sua agitação perante as propostas escolares.

    Quando se coloca em cena a relação adulto-criança-adolescente, é imprescindível a reflexão sobre a dinâmica da relação. Não é possível que o outro respeite se não se sentir respeitado. Deve ser estabelecido um laço de confiança que, depois, transforma-se em admiração e, em seguida, em afeto.

    Separar uma conduta disciplinar do vínculo afetivo é entender que deve prevalecer o autoritarismo sobre a autoridade, a desconfiança sobre a certeza. Parece evidente que a indisciplina surge exatamente nesses casos.

    O vínculo torna diferente a relação do sujeito com a ação educativa e propicia a oportunidade de se ver e ser visto com competência, possibilidades e respeito.

    Nívea Carvalho Fabrício

    Psicóloga; Psicopedagoga; Psicanalista e Psicoterapeuta Familiar.