Revista Aprendizagem 12

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Edição 12

Competências para Ensinar

Professor competente aluno satisfeito.

Ensinar e Aprender. Duas ações que, se isoladas, perdem seus sentidos e não atingem seus objetivos. Uma relação mútua, a qual envolve atores dispostos a transmitir e receber conhecimentos, dando continuidade a um processo imprescindível para a formação dos sujeitos.

Mas o que é preciso para que essa relação seja efetivada, alcançando resultados positivos e profundos? Será necessário avaliar o ator social que aprende? Linhas de pesquisa e teóricos da área da educação, ou relacionadas a ela, debatem – com propriedade – temas que envolvem a avaliação da aprendizagem. Pesquisas sobre as competências dos alunos são fundamentais para o processo educacional, avaliando o aluno, seu comportamento e desenvolvimento.

No entanto, é preciso refletir sobre o papel do outro ator social na relação ensinar e aprender: o professor. Quais as competências necessárias para ensinar?

O teórico suíço, Philippe Perrenoud – um dos especialistas em educação com fortes e importantes pensamentos sobre a área na atualidade – discute sobre o assunto e propõe, aos professores de diversos países e de diferentes culturas, a reflexão sobre as “10 Novas Competências para Ensinar” (ver box). Seu pensamento difundiu-se com intensidade entre os docentes brasileiros, sendo debatido, estudado e aplicado nos Parâmetros Curriculares do país.

Estabelecendo como base as competências apresentadas por Philippe Perrenoud, a Revista Aprendizagem conversou com especialistas brasileiros, levando até você, leitor e educador, diferentes pontos de vista sobre as “10 Novas Competências para Ensinar”.

 

Olho

Expediente

    Diretores:

    Marcos Muniz Melo
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo

     

    Jornalista Responsável:

    Patrícia Melo – DRT 4490

    Revisão:

    Marcelo Martins
    Maria Bernadeth F. Koteski
    Denise Zampieri Costi
    Patrícia K. Kochaki

    Diagramação:

    Franciele Moreira Braga

     

    Colaboraram nesta edição

    Ana Ruth Starepravo, António Nóvoa,
    Ariana Cosme, Celso Antunes,
    Dirceu Ruaro, Domingos Fernandes,
    Emília Cipriano, Francisco Aparecido Cordão,
    Heinz Arthur Schurt, Isabel Parolin,
    Joe Garcia, Júlio Furtado, 
    Léa Depresbiteris, Luiz Araújo, 
    Marco Antonio Ferraz, Marcos Meier,
    Mauricio Pessoa Gebran, Moisés Zylbersztajn, 
    Nilbo Nogueira, Patrícia Melo,
    Philippe Perrenoud, Regina Shudo,
    Renato Curto Jr., Rui Trindade,
    Sandra Bozza, Vasco Moretto

       

    Editora Melo
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Sumário

    Sumário
Editorial
Edição 12

Doze edições. Dois anos de vida.

Quando nos sugeriram a abertura da Editora Melo e o lançamento de uma revista especializada em educação, achamos um verdadeiro sonho, daqueles que você quer acordar rapidamente e pensar se é verdade ou mentira, real ou irreal. Então, ele se concretizou. Era real, era verdade e assim nasceu a Revista Aprendizagem, “a revista da prática pedagógica”.

As decisões iniciais com os colaboradores foram fundamentais na vida deste periódico. A definição do projeto gráfico e editorial e a linha temática que ela tomaria ao longo das edições publicadas, tornaram-se decisivos para sua fixação junto à comunidade educacional brasileira.

O estilo e a base estavam registrados. A revista se tornaria então uma rica fonte de leitura, pesquisa e discussão para quem tem o “chão da escola” como seu terreno, por isso a sua identificação com o professor.

Nas edições já publicadas discutimos, com o auxílio de diversos autores e especialistas consagrados, temas como: Avaliação na educação; Formação de professores; Aprovar ou reprovar?; Educação infantil e séries iniciais; Ensino público no Brasil; Dificuldades de aprendizagem e do ensino, Atividade física, saúde, escola e aprendizagem; Perspectivas da educação inclusiva; Para que serve a escrita?; Por uma escola de qualidade; e Limites e indisciplina.

Sabemos que o caminho é longo, porém temos a convicção do nosso compromisso com a educação e podemos, com o auxílio de dezenas de profissionais, torná-la cada vez melhor.

Nesta 12ª edição resolvemos contemplar a temática das “Competências para Ensinar”.

Há muitos anos trabalhando em conjunto com os educadores suíços Philippe Perrenoud e Mônica Gather Thurler, e ainda com diversos especialistas brasileiros da área, notamos o interesse dos professores em descobrir e se aperfeiçoar cada vez mais nas abordagens inerentes ao assunto.

Todos os estudiosos e pensadores são claros em defender e reconhecer que os professores não possuem apenas saberes, mas também competências profissionais. Por isso, partem da ideia de que suas ações não se reduzem apenas ao domínio dos conteúdos e sim a uma constante evolução para lidar com situações diversas e difíceis no dia a dia escolar.

Nossa homenagem ainda nesta edição a um colaborador, amigo, extraordinário profissional e exímio palestrante na seção Destaque da Educação.

O professor Celso Antunes é o que podemos chamar de “homem difícil de encontrar” nos dias atuais. Cheio de vitalidade ao longo dos seus muitos anos de vida, ele nos brinda com uma constante alegria em ensinar e transmitir conhecimentos a todo o Brasil, contagiando professores e estimulando-os a iniciar um novo dia certos que o futuro existe e vale a pena.

Ótima leitura a todos!

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo

Diretores

Gostaria de Saber

    Gostaria de Saber

    O que faz do Educador um profissional competente?

    Rosicléia Fagundes Teixeira – Goias

    É fácil arrolar listas intermináveis de atributos ou, como agora se diz, de competências. Esses cardápios são abundantes nos tratados de pedagogia e nos relatórios internacionais sobre os professores.

    Mas, confessemo-lo, é uma literatura pouco interessante.

    Fico-me, pois, modestamente, por quatro apontamentos.

    a) o conhecimento – aligeiro as palavras do filósofo Alain:Dizem-me que, para instruir, é necessário conhecer aqueles que se instruem. Talvez. Mas bem mais importante é, sem dúvida,conhecer bem aquilo que se ensina. E tinha razão!

    b) o tato pedagógico – quantos livros se gastaram para tentar apreender esse conceito, sempre tão difícil de definir?! Nele cabe a capacidade de relação e de comunicação sem a qual não se cumpre o ato de educar. E também a serenidade de quem é capaz de se dar ao respeito, conquistando os alunos para o trabalho escolar. Saber conduzir alguém para a outra margem, o conhecimento, não está ao alcance de todos;

    c) a responsabilidade profissional – utilizemos dois conceitos. O primeiro, reflexão sobre a experiência, que valoriza o exercício de avaliação e permite o aperfeiçoamento e a inovação. Recordese a resposta de John Dewey a um professor: “Quando me diz que tem dez anos de experiência, tem mesmo dez anos de experiência ou apenas um ano de experiência repetido dez vezes?” O segundo, trabalho em equipe, registra novos modos de profissionalidade docente e de organização da escola;

    d) o compromisso social – podemos chamá-lo por diferentes nomes, mas todos convergem no sentido dos princípios, dos valores, da inclusão social, da diversidade cultural. Tornar-se pessoa, disse Carl Rogers. Educar é conseguir que a criança ultrapasse as fronteiras que, tantas vezes, lhe foram traçadas como destino pelo nascimento, pela família ou pela sociedade. Hoje, a realidade da escola obriga-nos a ir além da escola. Comunicar-se com o público tornou-se uma necessidade. De acordo com Albert Jacquard: “Perguntamos muitas vezes o que pode a escola dar à sociedade? E se fizéssemos a pergunta ao contrário? Como pode a sociedade ajudar a escola?” Pessoalidade e profissionalidade.

    O professor é a pessoa. E uma parte importante da pessoa é o professor.

     

    António Nóvoa.

    Doutor e mestre em ciências da educação; graduado em ciências da educação. Reitor da Universidade de Lisboa; Autor de livros e artigos da área de Educação.