Revista Aprendizagem 14

Capa Edição 14

Interdisciplinaridade e Transversalidade
Diálogo entre os diferentes saberes e a realidade dos alunos.

Quando uma criança nasce, entra em contato direto com o mundo. Deixa o útero materno, um espaço seguro e confortável, e se depara com percepções completamente novas. Esse bebê vai crescendo e aprendendo com tudo que absorve.

Nesse processo de evolução seu aprendizado não é fragmentado, e sim total. A criança aprende que, por meio de seu choro, pode chamar atenção de seus pais, a escutar para então falar, a rir, bater palmas, brincar e muitas outras coisas naturais da vida. Já imaginou se os pais, ou responsáveis pela educação desses pequenos, fragmentassem esse aprendizado? Suponha que eles organizassem o tempo, de hora em hora, para ensinar seu bebê primeiro a falar, depois a chorar para então bater palmas?

Certamente isso é inconcebível pensar, pois a absorção de conhecimentos e estímulos não se separa. Mas então, por que ao ingressar na escola o ser humano se depara com a fragmentação do conhecimento? Por que nosso modo de pensar se torna fragmentário e nos obriga a “fatiar” a realidade em diferentes aspectos? Essas respostas e a recente busca pela não separação do aprender você verá aqui, na matéria de capa dessa edição da Revista Aprendizagem, que tem como foco a Interdisciplinaridade e a Transversalidade.

Essas práticas pedagógicas já são utilizadas por algumas escolas brasileiras, em contrapartida, em outras são minimamente discutidas pela equipe docente. No entanto, muitas vezes se confundem ou são praticadas sem coerência entre discurso e prática. Dessa forma, elaboramos uma reportagem especial, buscando debater e contextualizar esses conceitos dentro da realidade do seu dia-a-dia como professor.

Expediente

    Diretores:

    Marcos Muniz Melo
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo

    Editora Responsável:

    Patrícia Melo – DRT 4490

    Diagramação:

    Franciele Moreira Braga

    Colaboraram nesta edição

    Alessandra Wajnsztejn
    Ana Ruth Starepravo
    Bernard Rey
    Celso Antunes
    Celso Vasconcellos
    Edileide Souza Castro
    Francisco Aparecido Cordão
    Guilherme Romanelli
    Ivani Fazenda
    Joe Garcia
    Jordana S. Botelho Dalla Vecchia
    Júlio Furtado
    Laura Monte Serrat Barbosa
    Lenise Garcia
    Luca Rischbieter
    Lucia Klein
    Luiz Trientini
    Marcos Cordiolli
    Marcos Meier
    Marília Fanucchi Ferraz
    Nilbo Nogueira
    Patrícia Melo
    Ricardo Tescarolo
    Rosângela Machado
    Rosita Edler Carvalho
    Rubens Wajnsztejn
    Sandra Bozza
    Silmara Fernandes
    Zita Lago


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Sumário

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Editorial
Edição 14


Caro Leitor

Abordar o dia a dia da escola. Essa é a filosofia da Revista Aprendizagem, que tem como prioridade levar até você, educador, informações e conhecimentos que, somados à sua experiência de sala de aula, fazem toda a diferença no “ser professor”. Por esse motivo, não podíamos deixar de lado os temas Interdisciplinaridade e Transversalidade – formas de atuação pedagógica aplicadas em muitas escolas brasileiras.

O universo educacional da interdisciplinaridade e da transversalidade ainda é complexo e distante dos resultados esperados na realidade da educação do País. A falta de conhecimento e formação docente específica, bem como as pesquisas realizadas, ainda não são suficientes para essa capacitação, tornando as ações muitas vezes inoperantes.

Por outro lado, diversas instituições de ensino se destacam em proporcionar aos alunos meios para que possam ser parte atuante de um processo de ensino-aprendizagem com ações interdisciplinares e transversais. E isso só acontece devido a um planejamento adequado e a pessoas com know-how na área.

Por considerar esses temas de grande relevância, a equipe da Revista Aprendizagem convidou especialistas para oferecer a todos que “mergulham” nas páginas desse periódico alguns conteúdos, os quais, certamente, serão úteis ao cotidiano escolar.

Boa Leitura!

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo
Diretores

Gostaria de Saber
Gostaria de Saber

Pluridisciplinaridade, interdisciplinaridade ou transdisciplinaridade?

Glória Aparecida Correia e Silva – Rio de Janeiro

O pensamento humano vem se valendo, nos últimos quatrocentos anos, de uma ciência que se baseia na ideia da matéria como fenômeno central do universo e do tempo e do espaço com significados absolutos. A certeza que essa ciência transmitia desaparece, no entanto, diante da constatação da profunda e grave inadequação entre a realidade atual do mundo, com problemas cada vez mais intrincados, de um lado, e saberes fragmentados em disciplinas progressivamente mais especializadas, de outro. Tal fragmentação disciplinar é insuficiente para a apreensão da extrema complexidade da realidade contemporânea.

É oportuno aqui esclarecer o significado dos conceitos apresentados no título deste artigo, muitas vezes usados, equivocadamente, como sinônimos.

O prefixo “trans-“ significa “além de”“. Curiosamente, “trans” e a palavra “três” têm a mesma raiz etimológica, no sentido de se superar uma realidade dada como dual, dicotômica. Por isso, na visão transdiscipinar, a realidade é observada e interpretada a partir de uma percepção que apreende os diversos níveis de realidade e as diversas dimensões do universo e da vida. Nesse contexto, o futuro do pensamento humano está muito mais no campo das investigações transdisciplinares do que em uma análise isolada de cada área do conhecimento, cuja fragmentação rejeita as relações dessa realidade com seu meio e suas circunstâncias. Isso ocorre porque ele se vale de dicotomias que dividem a realidade em pares opostos, mutuamente excludentes e irreconciliáveis, como sujeito/objeto, conhecimento/conhecedor, corpo/alma, razão/emoção.

Já a “interdisciplinaridade” refere-se à transposição de metodologia de pesquisa de uma disciplina para outra e a “pluridisciplinaridade” refere-se ao processo de investigação do objeto de uma disciplina realizado por diversas disciplinas Assim, ambas são sempre remetidas à pesquisa disciplinar, enquanto a transdisciplinaridade pretende ser uma “antropologia fundamental” que vai além das discipinas, isoladas ou integradas por seus objetos e/ou métodos de pesquisa, denunciando a crise do paradigma newtoniano-cartesiano e anunciando a emergência de uma nova racionalidade.

No entanto, e para evitar contradições, as três “disciplinaridades” constituem um universo epistemológico que não as exclui, antes as integra, para fazer frente às (pluri-inter-trans) realidades do mundo.

Ricardo Tescarolo

Graduado em Letras e Pedagogia; Mestre e Doutor em Educação; Pró-Reitor Comunitário e de Extensão da PUCPR; Professor do programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da PUCPR.
rtescarolo@pucpr.br