Revista Aprendizagem 17

Capa Edição 17

Inovação na Educação
Educando com os pés no presente de olho no futuro

Inovar. De acordo com a de nição de Marc Giget, doutor em Economia Internacional pela Universidade de Paris e fundador do Instituto Europeu de Criatividade Estratégica e Inovação, inovar é integrar o melhor estado do conhecimento em um produto ou serviço criativo, que vá além da satisfação dos indivíduos. Mas, falando em inovar a educação, como alcançar a satisfação dos alunos em um mundo globalizado, repleto de estímulos voltados às sensações mais extremas? As circunstâncias da vida no mundo de hoje justificam a advertência do teórico Lev Vigotsky: o aprendizado deve estar dirigido para o futuro. Inovar deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade. Por essa razão, a 17ª edição da Revista Aprendizagem tratou o tema “Inovação”, lembrando por que a escola não pode mais ignorar as transformações que acontecem no mundo; por isso precisa trabalhar para evitar a acomodação de todos os envolvidos no processo educacional, sempre procurando inovar as práticas pedagógicas.

A principal característica do mundo globalizado é a enorme velocidade com que as informações são trocadas entre as pessoas. Enquanto crianças e jovens aderem cada vez mais a esse ritmo de vida, a escola formal, por sua natureza conservadora, não consegue acompanhar a velocidade da mídia e de outros estímulos a que eles estão expostos fora da sala de aula. Nesse sentido, dão-se as desavenças entre aluno, professor e conhecimento. Por isso, ocorre a necessidade da busca por uma educação inovadora, como uma forma de resgatar o interesse do aluno pela aprendizagem. Mas será que o docente tem condições de trabalho apropriadas para acompanhar essa dinâmica?

Publicar informações e interagir com outras pessoas, inclusive com imagem e voz, são só algumas formas de uso da internet por grande parte dos jovens de hoje. De acordo com Max Haetinger, mestre em Educação, especialista em Criatividade e Tecnologias Aplicadas na Educação, através do computador e de outros meios de se conectar com o universo globalizado, os jovens mudam e transformam rapidamente sua forma de ser, fazer e conviver. Por isso, para manter um discurso coerente e estar em condições de colocar em prática tudo o que significa educar, o docente precisa se adaptar e estar em constante evolução e transformação, acrescenta o especialista. Porém, mais importante do que somente acompanhar o ritmo frenético com o qual os alunos estão habituados, é dar a eles ferramentas que lhes permitam analisar criticamente o mundo em que vivem.

Reportagem de Capa

A tendência para os próximos anos, conforme Giget, é de que a escola sofra muitas mudanças graças ao acesso às novas tecnologias, cada vez mais e cazes, de forma que facilitam as operações educacionais, permitindo a formação de qualidade de um maior número de pessoas. A internet é um dos recursos tecnológicos o qual permite que o professor tenha mais tempo livre para dedicar-se à pedagogia, aplicando métodos de ensino que possam alavancar a qualidade da aprendizagem. Essa é a função primordial da tecnologia: melhorar a vida dos indivíduos. “Sem melhoria, mesmo que muito parcial, da condição humana e da inserção do homem na natureza, o fato de introduzir algo novo não apresenta nenhum interesse particular”, afirma Giget.

Esta mesma  loso a é seguida pela 3M, empresa de tecnologia diversificada que apresenta soluções inovadoras para as necessidades do dia a dia. Para a companhia, inovar só faz sentido se tiver um impacto positivo na vida das pessoas. Em entrevista durante o “HSM Expo Management”, de 2009, o gerente de Marketing Corporativo da 3M, Luiz Eduardo Serafim, enfatizou que a inovação precisa fazer a vida das pessoas melhor, precisa signi car algo para o consumidor. Enfim, se uma mudança inovadora não tiver o mínimo reflexo positivo na vida das pessoas no trabalho, em casa, em sua saúde, alimentação e na relação com os outros, não haverá sentido em realizá-la.

As melhorias que possam vir a ser empregadas na vida do homem, no entanto, dependem muito da forma como ele utiliza o seu tempo. Para o sociológo italiano Domenico De Masi, em outros tempos, o tempo livre foi bem aproveitado para o crescimento intelectual e organizacional do homem, surgindo assim a escola. E é por meio de tal instituição que hoje os alunos podem fazer uso das novas tecnologias para que seu tempo livre seja utilizado para pensar e para criar. A criatividade, por sua vez, leva a outro tipo de inovação, aquela que promove a abertura da mente para possíveis mudanças, para uma nova visão de mundo, uma outra noção de ensino e de aprendizagem.

Expediente

    Edição março/ abril 2010


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Sumário

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Editorial
Edição 17


Caro Leitor

Aproveitando a atualidade das discussões e abordagens sobre Inovação feitas por diversos especialistas do Brasil e do exterior em recentes eventos e encontros em nosso país, a Revista Aprendizagem fez questão de dedicar diversas páginas desta 17ª edição e ainda algumas delas de edições anteriores a essa temática.

Percebemos nas abordagens que a Inovação não é acidental. Ela depende principalmente de pessoas, mas também requer processos, ferramentas de gestão, programas e medidas.

Para que ela floresça é fundamental a existência de um ambiente organizacional favorável, re fletido na postura das lideranças, na transparência das comunicações, no respeito e reconhecimento as pessoas, as estruturas e aos espaços de trabalho.

A entrevista do francês Marc Giget, uma das maiores  guras mundiais sobre Inovação está muito bem situada neste contexto. Resolvemos também inovar e brindar os leitores com a entrevista da professora Cleuza Repulho, atual Secretária de Educação de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista e Presidente da Região Sudeste da UNDIME.

Ainda nesta edição, nossa homenageada na seção Destaque na Educação, a professora Léa Fagundes, do Rio Grande do Sul, conta-nos como é ser baluarte das tecnologias em educação e as diferenças brutais ao longo desses anos de ação e pesquisa.

Enfim, são diversos artigos preciosos que não podemos deixar de conferir.

Boa Leitura!

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo
Diretores

Gostaria de  Saber
Gostaria de Saber

O marketing escolar conseguirá acompanhar as transformações e inovações globais com a mesma velocidade?

Benedita Souza Lima – Bahia

Marketing é uma atividade poderosa. Mal utilizada pode trazer mais estragos do que benefícios. Por isso, deve ser tratada com extremo zelo quando lidar com alguns tipos de atividades. Nas sociais e comunitárias, o uso de forma atabalhoada por publicitários e profissionais de promoção está estragando uma das suas melhores conquistas dos últimos tempos: o de ajudar a sociedade. Divulgações falsas nas áreas do meio ambiente, de proteção ao menor, para citar algumas, enchem as páginas dos jornais e espaços de TV. Empresas alardeiam fatos que não realizaram plenamente. Confunde-se marketing com propaganda e promoção. A mesma coisa acontece com algumas entidades educacionais. Não se respeita a sagrada relação família-escola-educação-aluno. Todos são números de matrícula e devem ser conquistados por promessas falsas e pela sedução maniqueísta que o marketing, em mãos despreparadas pode fazer. Essa maneira de tratar o aluno como um produto também interfere no comportamento dos professores, que perdem com isso a percepção do senso de significado do seu trabalho. Quando a escola não reverencia esse relacionamento e só vê números a serem conquistados, a relação sagrada, antes existente nos ambientes escolares, se desfaz e o respeito sai pela janela.

A cada virada de campanha de matrícula vemos um excessivo esforço de propaganda e promoção por parte das instituições escolares. Gasta-se um dinheiro precioso em meios de comunicação. Tivessem as escolas paciência para urdir, ao longo do tempo, uma bem orquestrada campanha de relacionamento com seus professores, corpo administrativo, alunos, pais e familiares e com a sociedade, não seria necessário gastar tanto dinheiro em mídia. Está aí um desafio para as escolas – aprender o verdadeiro sentido do marketing de relacionamento.

É exatamente nesse ponto nevrálgico que a comunicação e o marketing atuam. As escolas cresceram, são grandes empresas, instituições internacionais, mas atuam em campos de extrema delicadeza como o relacionamento e a informação entre pessoas.

O marketing não atua apenas na época das matrículas, dos resultados do vestibular, mas tem importância estratégica no relacionamento com a comunidade do bairro onde a escola está instalada. Para tanto, a linguagem usada desde a entrada na escola até a despedida, ou desde a matrícula até a formatura, deve obedecer a critérios bem elaborados de comunicação.

Elói Zanetti

Consulto de marketing e comunicação. www.eloizanetti.com.br