Revista Aprendizagem 16

Capa Edição 16

Indicadores da Qualidade na Educação
A educação brasileira rumo à qualidade: qual o caminho a seguir?

Não é novidade que a escola brasileira está longe de alcançar os parâmetros de excelência, fato este revelado por sucessivas avaliações nacionais como a Provinha Brasil, a Prova Brasil, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Entre os resultados negativos encontrados na educação pública e privada brasileiras destacam-se a evasão escolar, a desmotivação dos docentes e as altas taxas de reprovação.

A qualidade da educação no Brasil é baixa principalmente no Ensino Fundamental, é o que afirma o Relatório da Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas (Unesco), Educação para Todos, publicado em 2010. O documento revelou que o Brasil encontra-se na 88ª posição num ranking que mede o índice de desenvolvimento da educação no mundo, considerando-se a situação de um total de 128 países.

A persistência dos resultados negativos nas escolas brasileiras reflete a necessidade de acelerar o passo na busca pela qualidade. Com essa intenção, foram criados pelo Ministério da Educação (MEC) conjuntos de perguntas e respostas que revelam o que vai bem e o que precisa ser melhorado na escola: os Indicadores da Qualidade na Educação. Estes elementos, que são classificados como integrantes da realidade escolar, são apresentados em forma de dimensões, nas quais os Indicadores estão inseridos. Tais ítens servem de apoio para que os professores, funcionários, alunos e seus pais participem ativamente da avaliação da própria escola. Mas a comunidade escolar sabe como usar os Indicadores e confiar em seus resultados? A Revista Aprendizagem abordou o tema, trilhando os objetivos e a utilidade dos Indicadores da Qualidade para a melhoria da educação brasileira.

Expediente

    Edição janeiro/ fevereiro 2010


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    Marcos Muniz Melo
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Sumário

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Editorial
Edição 15


Caro Leitor

Nesta edição de n° 16, dedicamos à Matéria de Capa o tema indicadores de Qualidade de Educação. Além disso, contemplamos diversas abordagens do dia-a-dia da nossa escola.

Como exemplo, ressaltamos os espaços que contemplam: a Importância do Cálculo Mental nos Anos iniciais de Escolarização; Distúrbios de Aprendizagem Não-Verbal; Neurociência e ainda a Contribuição da Abordagem Homeopática nas Dificuldades de Aprendizagem; dentre outros artigos de excepcional qualidade.

Dos quatro espaços dedicados na seção Opinião, dois deles nos premiaram com abordagens sobre questões de indicadores de qualidade na educação. Vale a pena conferir.

Nesta edição, nosso Destaque na Educação é o professor Vasco Moretto. Esse educador dinâmico e de excelente comunicação com os professores do Brasil, brinda-nos com respostas às questões feitas pela Revista Aprendizagem sobre diversos assuntos da prática pedagógica.

Boa Leitura!

Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo
Diretores

Gostaria de   Saber
Gostaria de Saber

No processo de avaliação, os professores são sempre eficazes e os alunos apropriam-se dos saberes?

Camila Borges da Silva  -Roraima

Para responder essa questão, proponho outra pergunta: podemos afirmar que um aluno aprovado numa determinada série domina os conteúdos trabalhados nessa série? Parece que os resultados dos testes oficiais respondem, a cada ano, de forma negativa, essa inquietante pergunta. A eficácia dos professores só ocorre se existir apropriação de saberes por parte dos alunos. Parece indiscutível que essa apropriação não está ocorrendo no nível esperado.

É claro que a não-apropriação dos saberes por parte dos alunos pode ocorrer por diversas razões, dentre elas, pela falta de competência metodológica do professor, o que faz com que o resultado das avaliações somativas realizadas na escola sejam coerentes. Para respondermos à pergunta, no entanto, vamos considerar a principal função da avaliação da aprendizagem, a função formativa, que Cipriano Luckesi, sabiamente resume quando afirma que a avaliação deve ser uma ferramenta a serviço do ensinar e do aprender e, dessa forma, caracterizar-se como subsidiária do processo de produção de resultados satisfatórios. Lembremos que subsidiar significa ajudar, auxiliar.

Entendemos que a real avaliação cumpre, necessariamente, três etapas: constatar, refletir e agir. Quando aplicamos um instrumento e obtemos um resultado, estamos, até aí, simplesmente constatando. Logo a seguir precisamos refletir sobre esse resultado. Essa reflexão precisa girar em torno das possíveis razões para que tal resultado tenha sido obtido. A
reflexão só é completa se levar em conta a dimensão discente e a dimensão docente. Depois de identificadas as necessidades de mudança, a ação no sentido de “corrigir a rota” conclui o ciclo avaliativo, que se reinaugura, continuamente em novas constatações.

Os professores, em geral, ainda não se apropriaram da avaliação em sua função mediadora o que Jussara Hoffmann muito bem nos lembra, afirmando que avaliação é um grande instrumento
de mediação da aprendizagem. É através dela que aluno e professor descobrem onde estão errando e corrigem em tempo de aprender. Avaliação existe para nos facilitar e, por que não, garantir a apropriação dos saberes.

Estamos ainda amarrados aos processos e meios que não garantem a realização de uma avaliação competente. A apropriação dos saberes por parte dos alunos depende da realização
de todo o ciclo avaliativo, o que, quase nunca ocorre. É na última etapa, ou seja, é na ação para corrigir o que não funcionou, que se dá a apropriação dos saberes. Em geral, o professor não passa da constatação. Dessa forma, nem professores e nem alunos usufruem da real função da avaliação, que é lindamente enunciada por Charles Hadji quando afirma que a função da avaliação é assistir à aprendizagem.

Júlio Furtado

Doutor em Ciências da Educação; Mestre em Educação; Pedagogo, Psicólogo e Professor; Reitor da UNIABEU-RJ. www.juliofurtado.com.br