Revista Aprendizagem 25

Revista Aprendizagem nº 25
Edição especial de aniversário

Em comemoração aos 4 anos da Revista Aprendizagem, preparamos algo muito especial. Nesta edição você confere inúmeros artigos, matérias e entrevistas criteriosamente selecionadas, envolvendo um tema que todos nós adoramos e que cada vez mais vem sendo mais requisitado: Capacitação de Professores.

Confira alguns dos destaques:


Formação continuada: o segredo para uma educação de sucesso

Através de uma reformulação na rede municipal de ensino público, o município de Feliz (RS) diminuiu o índice de analfabetismo para 0,95%, tornando-se um exemplo em educação para o resto do Brasil.


Exclusivo: Marcelo Sando entrevista Domenico de Masi

Domenico de Masi sugere uma transformação radical no mundo do trabalho, o que influencia diretamente a forma de educar e ainda destaca que, atualmente, as escolas estão muito mais focadas no controle e ensino do que na criatividade e liberdade.

Educador/Educar cresce e se consolida como principal ponto de encontro de educadores e empreendedores da educação

Salas repletas de educadores, estandes movimentados, corredores lotados, agitação, aprendizado, negócios, novos projetos. Sob qualquer ponto de vista, a 18ª edição do Congresso Educador e a Feira Educar foi um dos acontecimentos mais marcantes da educação em 2011.

Capa
Edição 25

Formação continuada: o segredo para uma educação de sucesso
Feliz, a cidade com menor índice de analfabetismo no Brasil, revela que inverstir na formação ds professores faz a diferença

Pode parecer clichê e até mesmo forçado, mas é preciso dizer: quando se fala em educação, os moradores da cidade de Feliz, no interior do Rio Grande do Sul, não têm mesmo motivos para ficar tristes. Afinal, o município, que tem pouco mais de 12 mil habitantes, é hoje o primeiro colocado no ranking nacional de cidades com menores índices de analfabetismo. Por lá, segundo dados do IBGE divulgados em maio deste ano, apenas 0,95% da população (97 habitantes!) ainda não sabe ler e escrever.

Mas não é apenas o baixíssimo índice de analfabetismo na cidade que impressiona. O trabalho feito pela Secretaria Municipal de Educação também é de deixar qualquer cidadão felizense orgulhoso.

E foi para conhecer melhor esse trabalho e, além disso, trazer dicas preciosas para que educadores de todo o Brasil possam se inspirar e adaptar as ideias de lá às suas realidades, é que a equipe da Revista Aprendizagem conversou com os responsáveis pelo programa que levou Feliz a avançar seis colocações entre 2009 e 2010 (de sétimo para primeiro). O resultado dessas conversas e das análises feitas por vários especialistas você confere a seguir.

O começo de tudo

Cesar Luiz Assmann foi eleito prefeito de Feliz em 2005. Logo no início de seu mandato, o novo governante decidiu que era preciso somar esforços para melhorar a situação da educação básica na cidade. Para isso, uniu-se à equipe da Secretaria Municipal da Educação, Lazer e Desporto (Smeld) e iniciou um processo de reformulação na rede municipal de ensino público que, em pouco tempo, fez com que Feliz passasse a ser exemplo para o resto do Brasil.

Entre as mudanças feitas no começo da nova gestão pode-se destacar a reforma na educação infantil, a melhoria no serviço de nutrição, a terceirização do sistema de transporte escolar (que passou a ser mais barato, eficaz e menos problemático), as reformas nos prédios de todas as escolas municipais de Ensino Fundamental e de Educação Infantil (em investimentos que totalizaram quase um milhão de reais em 2009 e R$ 264.254,82 em 2010) e a instalação do Centro Complementar – projeto que atende crianças de seis a nove anos, dispõe de oficinas culturais e esportivas e aulas de reforço escolar.

Além disso, em 2006 foi criado o Núcleo Municipal de Educação de Jovens e Adultos (Numeja), que Beatriz Edelweis Steiner Assmann, atual Secretária da Educação, considera um dos principais motivos para o sucesso da cidade na área educacional. “Nosso objetivo inicial e principal era oferecer aos servidores públicos a possibilidade de cursar o Ensino Fundamental e Médio. Porém, em pouco tempo, tivemos que expandir a ideia, já que outros cidadãos nos procuraram para iniciar, a partir do Numeja, um processo de alfabetização e de continuidade da educação básica. Atualmente, temos classes de alfabetização (que são presenciais), séries finais do Ensino Fundamental (em cursos semipresenciais) e Ensino Médio(também semipresenciais)”, revela.

Ou seja, o que iniciou como algo relativamente pequeno foi crescendo e resultou em uma das maiores alegrias da cidade até então: o topo no ranking de municípios com menores índices de analfabetismo do Brasil, conquistado em menos de cinco anos de fortes investimentos.

Reportagem de Capa

O maior diferencial

Mas para Beatriz Assmann o maior diferencial de Feliz na comparação com as “concorrentes” não é esse investimento feito pela Prefeitura e nem os novos projetos de educação para adultos. Ela acredita que o sucesso do seu pequeno município na área da educação se deve, principalmente, à preocupação em bem formar seus professores. “Desde 2005 proporcionamos a todos os professores da rede municipal de ensino a oportunidade de se atualizarem. Essa capacitação continuada qualificou o trabalho dos profissionais e resultou em um salto de qualidade no desempenho dos estudantes”, conta, orgulhosa, a Secretária da Educação da cidade com menos analfabetos no Brasil.

E Beatriz não está sozinha na defesa pela formação continuada dos professores. Sandra Bozza, especialista em Alfabetização e consultora de instituições educacionais públicas e privadas, reforça o coro e afirma: “sabemos de todos os esforços que estão sendo feitos no Brasil há quase duas décadas para que a academia dê conta da formação inicial do professor. Infelizmente, os resultados ainda não são os que esperamos. Porém, mais grave que essa incipiência é ter-se a ilusão de que os problemas de ensino e de aprendizagem seriam menores se a qualidade das universidades brasileiras fosse totalmente a contento”. Na sequência, adiciona: “o Ensino Superior representa apenas uma parcela na formação do professor. Importante, porém irrisória. Há competências a serem adquiridas antes e depois da faculdade e que são ainda mais fundamentais”.

Para responder quais são essas competências, como, quando e onde elas podem ser adquiridas, conversamos com especialistas que conhecem muito bem o processo de formação de um professor de sucesso.

Expediente

    Edição julho/agosto – 2011


    Diretores:

    Marcos Muniz Melo
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo

    Jornalista Responsável

    Patrícia Goedert Melo -DRT 4490

    Diagramação:

    Franciele Moreira Braga

    Colaboraram nesta edição

    Beatriz Edelweis Steiner Assmann
    Casemiro de Medeiros Campos
    Celso Antunes
    Daltro Lanner Monteiro
    Dirceu Moreira
    Dirceu Ruaro
    Domenico de Masi
    Francisco Aparecido Cordão
    Gabriel de Andrade Junqueira Filho
    Hani Awad
    Lúcia Fidalgo
    Lucia Klein
    Luciana de Andrade Ribeiro Melo
    Marcelo Martins
    Marcelo Sando
    Marcos Muniz Melo
    Natasha Schiebel
    Paulo de Camargo
    Poliane de Souza Mendes
    Regina Shudo
    Sandra Bozza
    Silvia M. Gasparian Colello
    Tadeu da Ponte


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Sumário

    Sumário
Editorial
Edição 25


Caro Leitor

Nesta edição de aniversário, convidamos você a refletir conosco sobre a capacitação dos professores, uma vez que a busca pela qualificação profissional e contínuo aperfeiçoamento é de fundamental importância para que tenhamos educadores conscientes para uma educação brasileira cada vez melhor. A capacitação profissional é um tema amplo e de relevância na atualidade se considerarmos que vivemos em um país de grandes contrastes e diversidade social e cultural, que absorve irreversíveis avanços tecnológicos e influenciam a educação de diversas maneiras e, assim, necessitamos de professores capazes para atuar nessa realidade.

No entanto, qual o melhor caminho que o educador deve seguir? Se de um lado, as faculdades cumprem a função de formar a base teórica do futuro educador, é na formação continuada, como o termo sugere, que o profissional poderá vislumbrar novas formas de abordagens educacionais e conhecimentos pela experiência de vivências.

Para isso, a Revista Aprendizagem traz não só a contribuição de especialistas sobre o assunto da capacitação, mas também apresenta casos e resultados positivos para a educação, como o município de Feliz, no Rio Grande do Sul, que obteve em 2010 o menor índice de analfabetismo do Brasil.

Nosso Destaque fica por conta dos resultados obtidos na realização da 18ª edição do Educador/Educar 2011, Feira e Congresso Internacional de Educação que aconteceu de 18 a 21 de maio, em São Paulo. Evento que levou aos profissionais da educação diversas oportunidade de capacitação e conhecimentos na área educacional.

Ainda nesta edição, trazemos a você a entrevista com Domenico de Masi, o sociólogo e escritor italiano internacionalmente conhecido pelo seu mais famoso livro, o “Ócio criativo”. Esse bate-papo aconteceu entre o escritor italiano e o também filósofo e jovem escritor brasileiro Marcelo Sando.

Entre os artigos desta 25ª edição, além da exposição de outros pontos de vista de especialista sobre o tema de capa, as demais páginas foram reservadas para assuntos sobre o bullying, desenvolvimento infantil dos alunos e como o professor deve lidar com suas emoções para um melhor desempenho em sala de aula. Confira também a crônica de Celso Antunes, especialista em Inteligência e Cognição, que discute sobre fundamentos para uma reforma escolar que propicie bons resultados.

Desejamos a todos uma ótima leitura!


Marcos Muniz Melo
Luciana de Andrade Ribeiro Melo


Diretores

Gostaria de  Saber


Considerando a diversidade de aprendizagem da atualidade, como podemos qualificar o professor para uma melhor avaliação de ensino dos nossos alunos?



Rita de Cássia da Silva Freitas – Ceará

Nessa nova sociedade que está se formando, a chamada Sociedade do Conhecimento, a qualidade do pensamento passa a ser o grande diferencial entre as pessoas e as sociedades. Por isso, o principal papel da educação nesse processo é o de organizar situações didáticas que levem os alunos a pensarem de forma crítica, reflexiva, criativa e, sobretudo, ética. Para subsidiar esse processo, a avaliação escolar se reveste de novas exigências.

Nesse contexto, permeado pelas incontáveis possibilidades de acesso à informação e pelas inúmeras oportunidades de aprendizagens, como ajudar o professor a se tornar cada vez mais um melhor avaliador na sala de aula? Partimos da compreensão inicial de que esta é uma ação a ser desenvolvida com o professor e não sobre o professor. Os desafios são complexos e de natureza estruturante para o fortalecimento da cultura da avaliação na educação. Podemos enumerar alguns, sabendo que são interligados, dependentes uns dos outros.

1. Políticas educacionais que fortaleçam a avaliação como um processo não apenas de julgamento, mas, sobretudo, de aprendizagem sistemática e intencional de todos os envolvidos – alunos, professores, escolas, redes de ensino, instâncias governamentais –, por meio da elaboração de critérios explícitos e estratégias de investigação e análise coerentes com estes, com vistas a conhecer a relevância e a qualidade dos processos educacionais e seus resultados em termos de aprendizagem. Ações políticas para aprender sobre a própria gestão política da educação, na intenção de se construir práticas justas, ações socialmente responsáveis e condições educacionais equânimes por caminhos democráticos.

2. A necessidade das universidades, e de outras instituições da sociedade civil que atuam na formação inicial e continuada dos professores, de investirem em conteúdos sobre a avaliação, desde sua historicidade, relações com o exercício do poder, funções, dimensões, aplicabilidade, metodologias, instrumentos, análises, contribuições para o processo pedagógico, etc.

3. Organização do trabalho na escola, de forma que diminua a polaridade entre fazer e refletir e possibilite um processo de reflexão sobre a prática pedagógica e, nela, sobre a prática avaliativa.

4. Reconhecimento do professor como sujeito dotado de dignidade pela sua condição humana e pelo exercício de sua profissão. O professor se objetiva na realidade por meio do trabalho, o qual também é um processo de aprendizagem. Garantir ao professor as condições dignas de existência e as possibilidades de aprendizagem permanente é reconhecer que ele, assim como os alunos, tem direito à aprendizagem, pois aprender é um direito de todos.

Pensar na formação do professor-avaliador e atuar na direção da concretização das situações que a sustentam exige, antes de tudo, disponibilidade para a esperança e crença na capacidade de aprendizagem permanente das pessoas e, por isso, na transformação social. Pois, como escreveu o romancista:

“O senhor… mire, veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão. (João Guimarães Rosa)


Lucia Klein


Professora, Pedagoga; Especialista em Metodologia e Avaliação
do Ensino e da Aprendizagem; Especialista em Metodologia do
Ensino Superior; Consultora Educacional e Assessora Pedagógica
para Projetos Especiais da Editora Positivo.


lucia_kleinn@yahoo.com.br